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IMPOSTO SELETIVO NÃO AUMENTARÁ CARGA TRIBUTÁRIA, DIZ CNI

8 de julho de 2026

Em fala a jornalistas, o presidente da entidade, Ricardo Alban, afirma que o novo tributo deve apenas substituir o IPI adicional.

 A CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou nesta 2ª feira (6.jul.2026) que a prioridade absoluta do setor na regulamentação da Reforma Tributária é a garantia de previsibilidade para os investimentos a partir de janeiro de 2027. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, o foco das discussões com o governo federal recai sobre o Imposto Seletivo, com a promessa de que o novo tributo não resultará em um aumento líquido da carga tributária para o setor produtivo.

A indústria defende que as definições sobre alíquotas e produtos atingidos pelo Imposto Seletivo sejam feitas o quanto antes, de forma a facilitar o planejamento de logística, investimentos e estruturas comerciais das empresas para o ciclo que se inicia em 2 anos.

De acordo com o presidente, o Imposto Seletivo não deve ser encarado como uma nova tributação, mas como um substituto técnico do adicional de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que já incide hoje sobre determinados itens. “Saímos com a certeza de que o objetivo jamais é aumento de carga tributária sobre esses produtos”, afirmou, destacando que o diálogo com o governo busca preservar a carga tributária já existente.

Além da questão do Imposto Seletivo, a CNI aposta em 2 pilares para aumentar a competitividade industrial no longo prazo:

  • fim da cumulatividade: a reforma deve evitar o acúmulo de créditos tributários, o que é visto como um “grande avanço”;
  • redução da informalidade: a expectativa é que o novo sistema traga mais empresas para a base legal, permitindo que, após um período de aprendizado, a alíquota do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) possa ser reduzida aos menores patamares possíveis

TARIFAS NORTE- AMERICANAS: “EXAGERO”

Em uma frente secundária, mas urgente, a CNI atua nos Estados Unidos para tentar mitigar o impacto das novas barreiras comerciais impostas pelos norte-americanos. A entidade classificou como um “exagero” a proposta de sobretaxas que somam 37,5%. Segundo a indústria, são 25% relativos à Seção 301 e 12,5% associados às investigações sobre trabalho forçado.

Liderada pelo embaixador Roberto Azevêdo, a estratégia brasileira baseia-se no argumento técnico da complementaridade entre as economias. O presidente da CNI destacou que, dos 13 principais produtos brasileiros que seriam impactados pelas medidas, o Brasil é o maior fornecedor para o mercado norte-americano em 11 deles.

De acordo com as projeções da entidade, a adoção dessas tarifas afetaria 4.187 produtos, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações. Atualmente, esses bens já estão submetidos a uma tarifa temporária de 10%, e as novas medidas representariam um acréscimo de 27,5 pontos percentuais. A CNI ressalta que o impacto seria sentido diretamente pelas indústrias dos 2 países, uma vez que 62% dos itens atingidos são bens intermediários, utilizados como insumos essenciais em processos produtivos norte-americanos.

 O setor industrial espera que o diálogo técnico contorne os efeitos da geopolítica e amplie o número de exceções às tarifas até o dia 15 de julho, prazo final para a decisão em Washington.

FONTE: PODER  360 – POR GABRIEL LOPES

 

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