SP reduz a substituição tributária a partir de 2026, melhorando o fluxo de caixa e abrindo oportunidades de recuperação de créditos de ICMS para empresas.
O Governo de São Paulo anunciou a exclusão de 130 itens de 12 setores do regime de substituição tributária (ST) do ICMS, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida marca um movimento inédito no Estado e antecipa ajustes necessários para a implementação da reforma tributária.
A mudança impacta diretamente o fluxo de caixa das empresas e abre espaço para oportunidades de recuperação de créditos de ICMS, especialmente em setores historicamente afetados pela ST.
Quais setores deixam a substituição tributária?
As portarias SRE 64 e 65 retiram da ST produtos de diversos segmentos. Entre eles:
Segundo a Secretaria da Fazenda, a ST hoje está “superutilizada” e exige redesenho para reduzir complexidade operacional.
Por que São Paulo está reduzindo a substituição tributária?
O governo paulista afirma que, desde 2022, realiza estudos para avaliar o excesso de setores incluídos no regime. Embora a ST tenha aumentado a arrecadação na época de sua criação, também gerou:
Com a reforma tributária prevista para 2026, que não prevê substituição tributária no novo sistema, o Estado optou por iniciar uma transição gradual.
Impacto financeiro para as empresas: Alívio no caixa
Com o fim da substituição tributária em SP para esses itens, as empresas deixam de antecipar o ICMS na compra e passam a recolher o imposto somente após a venda ao consumidor final.
Isso representa:
Esse ponto é especialmente relevante para setores com grandes volumes de mercadorias, como supermercados e distribuidores.
MVA e restituição: Um dos maiores problemas da ST
A MVA (Margem de Valor Agregado) sempre foi fonte de conflitos entre contribuintes e Fisco. Como a MVA é definida no início do ano e nem sempre reflete a realidade do mercado, muitas empresas precisam solicitar restituição ou complementação constantemente.
Com a saída desses produtos da ST, esse problema deixa de existir, eliminando disputas e facilitando o compliance.
Atenção à Portaria SRE nº 65: Compensação do estoque em até 24 meses
Apesar dos avanços, a Portaria nº 65 trouxe um ponto polêmico:
As empresas deverão:
Especialistas destacam que:
Ainda assim, a própria Secretaria reconhece que ajustes poderão ocorrer conforme o acompanhamento dos resultados.
Qual é o impacto para o cenário tributário paulista?
Segundo dados oficiais, São Paulo arrecadou R$ 150 bilhões de ICMS entre janeiro e agosto, sendo a ST uma parcela relevante da receita. Os produtos excluídos representam cerca de 13% dessa fatia.
A movimentação do governo indica um plano mais amplo de reorganização tributária, alinhado à simplificação trazida pela reforma.
O que as empresas devem fazer agora?
Com o fim da substituição tributária em SP para esses setores, as empresas precisam:
Essa transição abre portas para regularizações e revisões que podem gerar créditos recuperáveis significativos.
Conclusão: Oportunidade para revisar tributos e recuperar ICMS
A retirada de setores da substituição tributária marca um momento estratégico para as empresas paulistas. Além de facilitar a operação, a medida permite identificar valores pagos a maior, diferenças de MVA, estornos e créditos acumulados que podem ser recuperados.
FONTE: MIGALHAS – POR PAULO GARCIA