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PRIORIDADES E GESTÃO DO TEMPO: O QUE A REFORMA TRIBUTÁRIA ESTÁ TENTANDO NOS ENSINAR (E POUCOS ESTÃO PERCEBENDO)

15 de abril de 2026

Eu tenho visto muitas empresas discutindo a Reforma Tributária.

Planilhas.

Simulações.

Debates técnicos profundos.

Mas, curiosamente, poucas estão falando sobre o verdadeiro desafio por trás de tudo isso: como decidir o que fazer primeiro — e quando fazer.

Porque a verdade é simples, e um pouco desconfortável: A Reforma não é só sobre tributos. Ela é, acima de tudo, sobre prioridades e gestão do tempo.

O momento em que tudo começa a dar errado

Imagine uma área fiscal no meio da transição. O time continua com o compliance diário. As obrigações não diminuem. Os prazos continuam pressionando.

E, ao mesmo tempo, surgem novas demandas:

  • diagnóstico da Reforma
  • revisão de contratos
  • discussões com TI
  • análises de impacto no negócio

Tudo parece urgente. Tudo parece importante. E é exatamente aqui que começa o problema.

Sem clareza de prioridades, a área entra em um ciclo perigoso:

  • apagar incêndios;
  • responder urgências;
  • e adiar o que realmente importa.

Segundo a McKinsey & Company, profissionais que não estruturam prioridades podem perder até 40% da produtividade em atividades de baixo impacto.

E, em um cenário de Reforma Tributária, isso custa caro.

Prioridade não é lista — é decisão estratégica

Existe um erro comum que eu tenho observado: muitas empresas criam listas enormes de ações para a Reforma.

Mas prioridade não é quantidade. É escolha. E escolha exige coragem.

Coragem para dizer:

  • isso vem agora;
  • isso pode esperar; e
  • isso não será feito.

Quando olhamos para empresas mais preparadas, um padrão aparece. Estudos da Deloitte Brasil mostram que organizações que estruturam suas prioridades desde o início reduzem significativamente retrabalho e custos na transição.

E o que elas fazem de diferente? Elas começam pelo essencial.

✔ entendem seus impactos reais

✔ mapeiam riscos críticos

✔ organizam a base antes de acelerar

Sem isso, qualquer avanço vira retrabalho.

O tempo como ativo estratégico (e não operacional)

Agora vem a segunda camada, e talvez a mais negligenciada.

Mesmo quando as prioridades estão claras, muitas áreas falham na execução.

Por quê? Porque continuam tratando o tempo como algo operacional.

A lógica tradicional é: “vou fazer quando der tempo”

Mas na Reforma Tributária, isso não funciona.

O tempo precisa ser protegido. Precisa ser planejado. Precisa ser estratégico.

Empresas mais maduras têm adotado uma lógica simples, mas poderosa:

  • parte do tempo protegida para o presente (compliance);
  • parte do tempo protegida para o futuro (transição);

Sem essa divisão, o futuro nunca chega — ele sempre é adiado.

O ponto de virada: quando prioridade encontra tempo

É aqui que acontece a transformação real. Quando prioridade e tempo começam a trabalhar juntos.

Eu gosto de pensar nisso como um filtro. Tudo o que é importante entra. Mas, só o que tem espaço no tempo é executado.

E isso muda completamente o jogo. Em vez de sobrecarga, há direção. Em vez de urgência constante, há ritmo. Em vez de reação, há estratégia.

Segundo a PwC Brasil, empresas que estruturam sua gestão de projetos na transição tributária conseguem reduzir significativamente riscos operacionais e aumentar previsibilidade.

E previsibilidade, nesse cenário, é uma vantagem competitiva.

A Reforma Tributária não é sobre tributo

No final, depois de tantas discussões técnicas, uma percepção fica clara: A Reforma não está apenas mudando regras, ela está mudando a forma como trabalhamos.

Ela exige:

  • visão de longo prazo
  • disciplina de execução
  • clareza de decisão

E, principalmente, exige que a gente responda uma pergunta difícil:

o que realmente importa agora?

Porque quem souber responder isso e tiver disciplina para agir com consistência não vai apenas passar pela transição, vai sair dela em outro nível.

Para refletir

Talvez o maior risco da Reforma Tributária não seja errar o cálculo, mas errar a prioridade.

E, no cenário que estamos vivendo, tempo e prioridade não são apenas ferramentas de gestão, são diferenciais de liderança.

Rafaela Turini é Tax Project Planning na Colgate-Palmolive, VMO especialista em Tax Transformation e Reforma Tributária. Contadora com MBA em Gestão de Projetos pela FGV. Mentora de Carreira no Projete o Futuro. Escritora – Projeto Maternidade Executiva.

Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.

FONTE: PORTAL DA REFORMA TRIBUTÁRIA – POR RAFAELA TURINI 

 

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