Assim que os principais veículos de comunicação divulgaram um novo reajuste nos preços do diesel pela Petrobras a partir de hoje, os grupos e redes sociais de caminhoneiros começaram suas costumeiras discussões e elas, claro, foram parar na política.
“Esse presidente [Bolsonaro] mostrou que não tem colhão para dar canetada na Petrobras”, dizia logo cedo mensagem do caminhoneiro “Cowboy do Asfalto”, cujo telefone é de São Paulo. “Não tem jeito, tentamos ir pela direita, mas vocês vão ver, o povo vai voltar para esquerda, vai voltar ao PT.”
“O PT foi responsável por 95% dos problemas que temos hoje. Bolsonaro não é salvador da pátria, não pode resolver tanta destruição em pouco tempo”, rebatia Domecq, de Pernambuco.
De um lado, há motoristas que defendem fervorosamente o presidente, dizendo que têm coisas que ele não pode resolver, que além de não poder controlar os preços da Petrobras, os governadores deveriam reduzir o ICMS.
De outro, há os que lembram da política de subsídios à compra de caminhões pelo governo Lula e afirmam que ele, sim, pensava nos caminhoneiros. “A Dilma é que destrambelhou tudo que estava indo bem. O FHC colocou o país em ordem, o Lula manteve nos eixos com ou sem roubalheira, mas ela estragou tudo”, dizia Marcos Souza, do interior de São Paulo.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, se diz revoltado com o quinto aumento consecutivo do preço de diesel pela Petrobras. “Não dá mais. Agora chegou a hora de todos os trabalhadores, os autônomos, os funcionários, todos os caminhoneiros se unirem novamente”, disse em áudio.
Apesar da retórica, Chorão, que foi um dos líderes da greve dos caminhoneiros em maio de 2018, não fala em paralisação ou greve. “É preciso conversar com outras lideranças para saber o que devemos fazer”, afirmou ao Valor. Para ele, o importante é mudar a política de preço da Petrobras e não buscar a paridade internacional. “Nossos custos são outros, temos que ver o que acontece no Brasil.”
Desde a greve dos caminhoneiros, Chorão aproximou-se do governo Bolsonaro e foi rechaçado em alguns grupos tradicionais de WhatsApp de caminhoneiros. Ainda assim é ouvido por parte da categoria.
“A gasolina vai chegar a R$ 10 e o diesel nem sei a quanto vai e não temos o que fazer”, esse é o desânimo demonstrado por Fabiano Márcio da Silva, conhecido como Careca, sobre o quinto aumento consecutivo dos combustíveis, em entrevista ao Valor.
Careca é de Governador Valadares (MG) e também foi um dos líderes da greve dos caminhoneiros em maio de 2018. Na ocasião, ficou conhecido por chorar literalmente pedindo ajuda para o ministro da infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, durante uma reunião.
Agora, ele diz que a categoria está sem forças. “Você viu a greve dos petroleiros em Minas sexta-feira? O que o povo fez para ajudar? Nada, fez fila nos postos e pagou R$ 8 pela gasolina. Assim não dá.”
Ele refere-se à paralisação convocada na quinta-feira à noite pelo Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (SindTanque). A entidade, junto com os caminhoneiros mineiros, pedia redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre o preço do óleo diesel, de 15% para 12%. Mas a população fez filas nos postos para abastecer os carros e chegaram a pagar mais que o dobro do dia anterior no litro do combustível.
“Vamos ver se ao longo da semana se conseguimos alguma movimentação”, resume Careca, sem muita esperança.
FONTE: Valor Econômico – Por Fernanda Pressinott — De São Paulo