A arrecadação de impostos, contribuições e demais receitas federais registrou queda real (descontada a inflação) de 28,95% em abril, contra o mesmo mês do ano passado, e somou R$ 101,154 bilhões. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (21) pela Secretaria da Receita Federal.
Em abril de 2019, a arrecadação havia somado R$ 142,365 bilhões. De acordo com dados da Receita Federal, o resultado de abril deste ano também foi o pior para o mês desde 2006, quando somou R$ 94,505 bilhões – ou seja, em 14 anos. Os valores foram corrigidos pela inflação.
ARRECADAÇÃO FEDERAL (EM R$ BILHÕES)
PARA MESES DE ABRIL – VALORES CORRIGIDOS PELA INFLAÇÃO

O resultado da arrecadação de abril já reflete os efeitos da crise do coronavírus na economia. Com o nível de atividade em queda, o recolhimento de tributos também cai. De acordo com a Receita Federal, o nível de atividade menor gerou uma perda de arrecadação de cerca de R$ 6,4 bilhões em abril, 15% do tombo total.
Além disso, o governo federal fez alterações no prazo de recolhimento de impostos e reduziu a alíquota de alguns tributos. As mudanças visam justamente combater os efeitos da pandemia na economia brasileira.
O atraso, ou redução de tributos, por sua vez, reduziu a arrecadação de abril em cerca de R$ 36,7 bilhões, 85% da queda total.
Arrecadação parcial do ano
No acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, ainda de acordo com a Receita Federal, a arrecadação somou R$ 502,293 bilhões, com queda real de 7,45% frente ao mesmo período do ano passado.
Segundo o órgão, esse foi o pior resultado, para este período, desde 2017, quando somou R$ 495,024 bilhões, ou seja, em três anos. Os valores foram corrigidos pela inflação.
Na parcial do ano, segundo a Receita Federal, foram registrados os seguintes destaques:
Alterações no pagamento de impostos em meio à pandemia
Comparação com outros países
Levantamento divulgado em abril pelo Núcleo de Tributação do Centro de Regulação e Democracia do Insper mapeou 166 medidas tributárias de 43 países para combater os efeitos da pandemia na economia.
Naquele momento, o pesquisador do NEF/FGV-SP e do Insper, Breno Vasconcelos, um dos coordenadores do estudo, avaliou que, na comparação com outros países, o governo brasileiro estava sendo “tímido” no campo tributário.
O pesquisador recomendou que os governos (não somente o brasileiro) não só adiem o pagamento de tributos mas, depois de passada a crise sanitária, avaliem se será possível de fato cobrar os valores atrasados, ou se concedem uma anistia para evitar um tombo maior da economia e alta do desemprego.
Questionado sobre a possibilidade de novas reduções de tributos nos próximos meses, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que todas as medidas que foram adotadas de auxílio às empresas e às famílias estão “sob constante revisão”.
“Essas primeiras medidas foram adotadas e os primeiros resultados estão sendo verificados. É claro que toda equipe e Ministério da Economia está em revisão e acompanhamento das medidas, seus efeitos e seu grau de efetividade”, acrescentou Malaquias.
Meta fiscal
O comportamento da arrecadação, normalmente, é um indicador importante porque indica se o governo está no caminho do cumprimento a meta fiscal anual, ou seja, o resultado para as contas públicas.
Para este ano, o governo tinha de atingir uma meta de déficit primário até R$ 124,1 bilhões. Entretanto, com o decreto de calamidade pública, proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso Nacional por conta da pandemia do coronavírus, não será mais necessário atingir esse valor.
Recentemente, o Tesouro Nacional informou que o déficit primário das contas do governo ficará acima de R$ 600 bilhões neste ano, devido aos gastos extraordinários motivados pela pandemia do coronavírus.
Fonte: FENACON