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CONGRESSO INSTALA COMISSÃO QUE VAI VOTAR MP DO PACOTE TRIBUTÁRIO QUE SUBSTITUI AUMENTO DO IOF

16 de julho de 2025

Novo modelo reduz imposto sobre empresas e seguros do tipo VGBL e amplia a tributação sobre bets, criptoativos e investimentos isentos como LCI e LCA. 

O Congresso Nacional instalou nesta terça-feira (15), Comissão mista para apreciar a medida provisória que traz um novo pacote de medidas tributárias sobre aplicações financeiras para substituir o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) decretado em maio.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) será o presidente do colegiado. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) será o relator da matéria. A vice-presidência ainda não foi definida.

As novas regras trazidas pela MP reduzem o imposto sobre empresas e seguros do tipo VGBL e amplia a tributação sobre apostas esportivas (bets), criptoativos e investimentos isentos como Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito Agropecuário (LCA).

O texto também aumenta alíquota para apostas nas bets, que passará de 12% para 18% em outubro de 2025. A alíquota de 5% de LCI e LCA passará a valer a partir de janeiro de 2026.

Outra mudança é a alíquota unificada de 17,5% sobre os rendimentos de investimentos que hoje seguem uma tabela regressiva, com taxas que variam de 15% a 22,5%, dependendo do prazo da aplicação.

As medidas foram formalizadas por meio de uma medida provisória e um decreto presidencial, após reunião entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e líderes partidários, na casa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O objetivo é reverter o desgaste político gerado pelo decreto anterior e, ao mesmo tempo, garantir o equilíbrio das contas públicas com novas fontes de arrecadação.

IOF menor para empresas e seguro VGBL

Entre os pontos centrais da proposta, está a redução de até 80% da alíquota do IOF sobre operações de risco sacado — utilizadas por empresas em operações de antecipação de recebíveis.

O governo também reduziu a tributação sobre seguros do tipo VGBL, forma de previdência privada usada por milhões de brasileiros.

A queda na arrecadação prevista será compensada com outras medidas tributárias.

Para compensar as perdas com a redução do IOF, o governo confirmou:

  • Alíquota de 5% de IR sobre Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), que hoje são isentas;
  • Aumento da alíquota sobre apostas esportivas de 12% para 18% sobre a receita líquida (GGR); ·Tributação de criptoativos, com regulamentação específica; ·
  • Uniformização da alíquota do IR sobre aplicações financeiras em 17,5%; ·
  • Equalização da CSLL para instituições financeiras, que passa a variar entre 15% e 20%, com eliminação da alíquota reduzida de 9% para fintechs.

O pacote inclui ainda um “pente-fino” nas regras de compensação de créditos tributários, para evitar manobras abusivas por parte de empresas, e uma meta de corte de 10% em gastos tributários.

Reação política e próximos passos

O novo pacote surge após a edição de um decreto presidencial, há cerca de duas semanas, que elevava o IOF em diversas transações financeiras.

A reação foi imediata no Congresso e no mercado: mais de 20 projetos foram apresentados para derrubar o decreto.

O governo então revogou parte da medida no mesmo dia, mantendo a cobrança apenas em algumas operações, e se comprometeu a apresentar uma alternativa.

Em 28 de maio, Haddad se reuniu com Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que deram ao governo um prazo de dez dias para reformular a proposta.

Veja os principais pontos do pacote publicado

  • Reduções no IOF ·
  • Redução de até 80% sobre operações de risco sacado; ·
  • Redução da alíquota para seguros do tipo VGBL; ·
  • IOF mínimo para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC); ·
  • Isenção de IOF para retorno de investimentos estrangeiros diretos. ·

Medidas de compensação

  • IR de 5% sobre LCI e LCA (antes isentas); ·
  • Aumento da alíquota sobre apostas esportivas de 12% para 18%; ·
  • Tributação de criptoativos; ·
  • Uniformização da alíquota de IR sobre aplicações financeiras (17,5%); ·
  • Alíquota de CSLL para instituições financeiras entre 15% e 20%; ·
  • Corte de 10% em gastos tributários; ·
  • Regras mais rígidas para compensações de crédito tributário.

FONTE: G1 – POR VINÍCIUS CASSELA — BRASÍLIA

 

 

 

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