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IVA: ENTENDA O QUE É E COMO FUNCIONA O NOVO IMPOSTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA

20 de janeiro de 2025

Imposto sobre Valor Agregado (IVA) incide apenas nas etapas que geram novo valor ao produto ou serviço, evitando cobranças sobre impostos já pagos.

A Reforma Tributária, que teve a primeira regulamentação sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana, cria o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que tem o objetivo de simplificar a cobrança de impostos sobre o consumo.

A reforma transforma cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) em três impostos:

Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto Seletivo (IS) — esse último conhecido como o “imposto do pecado”, que tem como objetivo desestimular o consumo de produtos que prejudicam a saúde e o meio ambiente, como bebidas alcóolicas e cigarros.

A CBS (de competência federal) e o IBS (estadual e municipal), que tributam o consumo, são formas de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que incide apenas nas etapas do comércio que geram novo valor ao produto ou serviço e assim evita cobranças sobre impostos já pagos — acabando com a incidência de impostos em cascata.

Ou seja, apesar de incidir sobre cada etapa da operação de mercadorias e serviços, o imposto pago a cada ciclo gera um “crédito” para a próxima empresa na cadeia de produção, que desconta o que já foi pago e só recolhe o imposto sobre a diferença.

Esse crédito é gerado sucessivamente, até chegar no consumidor final, que deverá, efetivamente, pagar o preço do produto adicionado do IVA.

Como funciona o IVA

Como apontado pelo Ministério da Fazenda, no processo de fabricação e comercialização de uma camisa acontecem as seguintes etapas, supondo um IVA com alíquota de 10%:

O Ministério da Fazenda defende que a adoção do IVA promove “legislação uniforme”, uma vez que as regras são aplicáveis em todo o território nacional e a não cumulatividade plena, já que a tributação recai apenas sobre o consumo final da mercadoria ou serviço.

  • Produtor rural vende o algodão por R$ 50 (sendo este o próprio valor agregado), mais o IVA de R$ 5;
  • Indústria de tecelagem, ao comprar do produtor do algodão, paga R$ 55. A indústria então transforma o algodão em tecido, que vende por R$ 60, mais o IVA de R$ 6. Entretanto, ao recolher o tributo, a tecelagem desconta o valor de R$ 5 de IVA que pagou na aquisição do algodão, de modo a somente pagar ao fisco a diferença de R$ 1;
  • Ao comprar o tecido, a fábrica de roupas paga R$ 66. A fábrica então transforma o tecido numa camisa, pela qual cobrará R$ 100, mais o IVA de R$ 10. Entretanto, ao recolher o imposto, a fábrica de roupas desconta o valor de R$ 6 de IVA pago na aquisição do tecido, de modo a somente pagar ao fisco o valor de R$ 4; ·
  • A loja de roupas compra a camisa da fábrica por R$ 110 e a coloca à venda por R$ 200, mais o IVA de R$ 20. Entretanto, ao recolher o imposto, o dono da loja desconta o valor de R$ 10 de IVA pago na aquisição da camisa, de modo a somente pagar ao fisco a diferença de R$ 10.
  • Por fim, o consumidor final pagará à loja o valor total de R$ 220, que corresponde justamente ao preço de R$ 200 mais o IVA de R$ 20.

O Ministério da Fazenda defende que a adoção do IVA promove “legislação uniforme”, uma vez que as regras são aplicáveis em todo o território nacional e a não cumulatividade plena, já que a tributação recai apenas sobre o consumo final da mercadoria ou serviço.

Além disso, com a adoção do IVA, o imposto de um produto ou serviço não compõe a base de cálculo dele mesmo.

Imposto sobre Valor Agregado a 28%

A estimativa atual é que o IVA médio fique em torno de 28% no Brasil, segundo apresentou Bernard Appy, secretário extraordinário da reforma. O valor exato do imposto será conhecido ao fim da implementação da reforma tributária, que será feita em etapas entre os anos de 2026 e 2033.

A regulamentação sancionada por Lula, no entanto, institui uma trava no aumento do IVA, com teto de 26,5% para a alíquota-padrão. Em 2031, uma avaliação feita pelo governo deverá estimar se as alíquotas serão maiores do que o teto, considerando a inclusão de exceções para setores da economia e para produtos específicos. Caso a nova previsão estoure o limite, o governo deverá enviar um projeto que reduzirá as exceções a setores e produtos a fim de reequilibrar a alíquota-padrão para 26,5% em 2033.

Então, a partir de 2033, com a reforma tributária completamente em vigor, haverá gatilhos automáticos para reduzir a carga tributária sempre que ela ultrapassar o teto.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

 

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