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CNJ PODE EDITAR REGRAS PARA REDUZIR RISCOS COM ‘PROMPT’

25 de maio de 2026

Questão está na pauta da próxima reunião do Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário (Cniaj), marcada para esta quarta-feira .

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai analisar a possibilidade de editar uma nota técnica ou resolução para reduzir riscos com o uso de “prompt injection” – injeção de comando oculto para tentar manipular inteligência artificial (IA). A questão está na pauta da próxima reunião do Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário (Cniaj), marcada para esta quartafeira, dia 27. O texto deverá ser submetido posteriormente ao Plenário, possivelmente em junho.

O uso de prompt injection ganhou notoriedade recentemente. Em um caso da 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas (PA) houve a tentativa de manipular a ferramenta “Galileu”, criada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (TRT-RS) e usada na esfera trabalhista para automatizar a leitura das principais peças processuais. E, na última semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) identificou em seu acervo processos com prompt injection. A Corte definiu a instauração de inquérito policial e procedimento administrativo.

“A questão da inteligência artificial é sem volta”, afirma o presidente do Comitê, conselheiro Rodrigo Badaró. Além de juízes, advogados e procuradores também usam a inteligência artificial. “Acredito que já há uma paridade de armas tecnológicas, ou seja, está todo mundo usando.” Para o conselheiro, o Judiciário brasileiro se tornou “uma plataforma tecnológica”, já que o dia a dia do processo já é feito de forma digital.

Dados preliminares da segunda edição de pesquisa interna do CNJ sobre uso de inteligência artificial no Judiciário mostram que entre 75% a 80% dos servidores e juízes usam a IA para o trabalho, um aumento em relação a estudo de 2024, que trouxe o percentual de 50%, segundo Badaró. “O que venho fazendo é propagar governança, mas sem demonizar a inteligência artificial. É um caminho sem volta.”

Na Justiça, a Resolução nº 615, de 2025, estabelece diretrizes para monitoramento e uso seguro de IA no Judiciário, enfatizando a necessidade de transparência, rastreabilidade, mitigação de riscos e supervisão humana obrigatória. De acordo com o conselheiro, a norma faculta ao Judiciário explicitar que está usando IA, “não é obrigatório e o CNJ não cogita que seja”. “Não é essa a ideia. É o mesmo para o advogado, que não precisa colocar na peça dele que usa IA”, diz.

Para Badaró, o principal caminho no momento é o do investimento em capacitação humana. “Chegamos a uma concepção geral que a máquina pode ser boa, mas é igual a um carro. Precisa ter capacitação. E tem que ser uma boa máquina”, afirma.

O CNJ vem tentando mostrar o que são “boas máquinas”, segundo o conselheiro, que seriam aquelas que seguem os princípios da Resolução nº 615, de 2025, com rastreabilidade e fricção cognitiva – para, por exemplo, impedir o magistrado de colocar perguntas alheias ao processo, colocar dados sensíveis dentro do ambiente e haver registro do que o juiz fez.

“Se você teve uma sentença absurda, por exemplo, se pedir uma auditoria, e o comitê pode pedir, você vai ter como rastrear o que o juiz perseguiu para chegar naquela decisão. Isso é segurança jurídica”, afirma Badaró. A Resolução nº 615, de 2025, acrescenta, também quis evitar que um juiz utilize a IA de ferramentas privadas. “Estimulamos o uso de ferramenta institucional.” A Galileu é uma das que estão disponíveis aos tribunais.

Alguns pontos que devem integrar a nota técnica são a de imposição de filtro de sanitização para os casos que chegam aos tribunais e de filtro de saída para verificar se eventual comando malicioso conseguiu burlar a inteligência artificial.

Para Badaró não cabe ao CNJ punir advogados administrativamente. A função seria da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E, segundo o conselheiro, não poderia ser aplicada multa por litigância de má-fé, porque é imposta à parte e não ao profissional.

FONTE: VALOR ECONÔMICO – POR BEATRIZ OLIVON — DE BRASÍLIA

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