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EMPRESAS DO RIO COM INCENTIVO FISCAL PAGARÃO PERCENTUAL MAIOR PARA FUNDO

12 de janeiro de 2026

No fim de 2025, governo estadual sancionou aumento de dez pontos percentuais para Fundo Orçamentário.

A partir do fim de março, as empresas do Rio de Janeiro beneficiadas com incentivos fiscais de ICMS terão que pagar um percentual maior para o Fundo Orçamentário Temporário (FOT). No fim de dezembro, o governador Cláudio Castro (PL) sancionou a lei que aumenta a alíquota do fundo em 10 pontos percentuais, passando a cobrar 20% das companhias com benefícios não onerosos e 18,18% daquelas cujo incentivo foi concedido por prazo determinado e com condições onerosas.

A mudança foi proposta pelo próprio Executivo fluminense com o objetivo de aumentar a arrecadação do Estado, num momento em que o Rio tem o seu maior déficit orçamentário, de quase R$ 19 bilhões. O FOT foi estabelecido no ano de 2019 para substituir o Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal (FEEF), criado em 2016. O objetivo de ambos é equilibrar as finanças estaduais, enquanto o Rio ainda estiver em Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

O Estado deve sair do regime este ano para aderir ao Programa de Refinanciamento das Dívidas dos Estados com a União (Propag). O pedido para entrar no novo programa de socorro do governo federal foi feito pela gestão de Castro no fim de 2025. O Palácio Guanabara espera a resposta da Secretaria do Tesouro Nacional, que tem até o fim de janeiro para aceitar ou não a solicitação.

Apesar do fim do RRF no Rio, o FOT vai continuar até dezembro de 2032. O motivo para isso é fazer uma transição para o fim dos incentivos fiscais de ICMS previsto na reforma tributária de consumo. Até lá, o percentual do fundo cobrado das empresas com benefícios não onerosos vai aumentar ano a ano. Em 2027, a alíquota passará a ser de 25%; em 2028, de 27%, em 2029, 30%; em 2030, 40%, em 2031, 50%; e em 2032, 60%.

“Aumento preocupa muito e estimula o contencioso” — Sandro M. dos Reis

Já para as empresas beneficiadas com incentivos por prazo determinado e condições onerosas, a alíquota do FOT vai permanecer em 18,18% até o fim de 2032. O governo, porém, terá que regulamentar por decreto a forma, o prazo e as informações necessárias à comprovação das condições onerosas.

“O objetivo é concluir a regulamentação pelo menos um mês antes de a lei começar a produzir efeito, garantindo clareza, precisão e facilitação ao seu cumprimento”, afirma por nota a Secretaria de Fazenda do Rio.

O aumento do percentual cobrado pelo FOT não foi visto com bons olhos. O consultor tributário Sandro Machado dos Reis, sócio do Bichara Advogadas, avalia que a medida poderá ser judicializada. Ele diz que o aumento gera insegurança jurídica e traz impacto financeiro às empresas que atuam no território fluminense. Afirma também que o setor privado não foi consultado sobre a medida antes de ela ser aprovada.

Para Reis, esse projeto elimina a atratividade do incentivo muito antes daquilo que foi previsto na reforma tributária. “O aumento preocupa muito. Estimula o contencioso, infelizmente, e mantém um cenário de absoluta insegurança jurídica para as empresas que acreditaram naquelas condições que foram pré-estabelecidas quando elas começaram a usufruir do incentivo, por prazo certo e sob condição onerosa”, diz. “Esses acordos foram rompidos no meio do caminho quando foi criada a Lei do FOT, e agora foram novamente rompidos por esse aumento”, acrescenta.

O deputado estadual Luiz Paulo (PSD), autor do projeto que resultou na Lei do FOT, explica que, mesmo com a cobrança para o fundo, sua arrecadação ainda é aquém do previsto por conta das exceções da lei, que beneficiam setores como comércio e logística; metalmecânico; de cigarros; de cosméticos; entre outros.

“Quando criei o projeto original do FEEF, o percentual cobrado era 10% dos incentivos fiscais concedidos. Chutando, se fossem R$ 10 bilhões que o Estado dava de incentivo fiscal, eu imaginava que seria possível recolher R$ 1 bilhão. Mas quando o projeto foi pautado, vieram as exceções e, por causa disso, começamos recolhendo cerca de R$ 200 milhões, R$ 300 milhões”, afirma.

Luiz Paulo reforça que, enquanto o total de incentivos fiscais de 2025 era estimado em R$ 24 bilhões, o FOT arrecadou no ano apenas R$ 943,6 milhões. “A gente não bateu ainda R$ 1 bilhão”, diz.

De acordo com a Secretaria de Fazenda, a renúncia fiscal prevista na Lei Orçamentária de 2026 (LOA) é de R$ 24,140 bilhões.

FONTE: VALOR ECONÔMICO – POR CAMILA ZARUR — DO RIO

 

 

 

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