A reforma tributária quer excluir o setor pet das benesses da saúde humana. Entenda por que seu pet care ficará mais caro e como o setor luta para sobreviver.
A reforma tributária, prometida como um instrumento de simplificação e justiça, tem nos apresentado, a cada nova camada de regulamentação, algumas das suas faces mais bizarras. Uma delas é a que atinge em cheio um dos setores que mais cresceu e se profissionalizou no Brasil: o mercado pet, especialmente quando o assunto são as clínicas e hospitais veterinários.
Durante a pandemia, o setor de saúde animal participou ativamente do esforço nacional, fornecendo materiais, equipamentos e, em muitos casos, expertise que se mostrou essencial. A evolução da medicina veterinária é inegável, com hospitais equipados, exames complexos, cirurgias de alta complexidade e tratamentos que salvam vidas, garantindo a saúde e o bem-estar de milhões de animais de estimação, considerados membros da família.
Contudo, ao que tudo indica, para a reforma tributária, a saúde animal não é saúde.
Enquanto a Constituição Federal, em sua emenda 132/23, abre a porta para um tratamento diferenciado e alíquotas reduzidas para serviços de saúde humana (incluindo hospitais, clínicas e profissionais de saúde), o setor veterinário está sendo excluído dessa benesse. Isso não é apenas um lapso; é uma condenação ao aumento brutal da carga tributária, com consequências que vão muito além dos balanços e chegarão diretamente ao colo dos tutores de animais.
A disparidade que ninguém entende: Veterinários como “não-saúde”
O cerne do problema da reforma tributária para o setor veterinário reside na interpretação. Hospitais e clínicas humanas deverão ter alíquotas reduzidas em 60% do IVA Dual (IBS e CBS), e outros serviços de saúde também podem se beneficiar de alguma forma. Para o setor pet, o cenário mais provável é a aplicação da alíquota cheia do IVA, estimada em torno de 25-27%.
Pense nas implicações, consultas, exames, cirurgias, internações – o ato médico veterinário – se equipara, em complexidade e importância, a muitos procedimentos humanos. Mas, sob a nova lógica fiscal da reforma tributária, ele será tratado como um serviço “comum”, sem a redução de carga tributária destinada ao setor de saúde.
O resultado é uma distorção perversa: a reforma tributária penaliza a formalidade e a alta qualidade da medicina veterinária, tornando mais caro o cuidado com os animais.
Impacto direto: Aumento de preços e a onda de informalidade
Um aumento de carga tributária dessa magnitude no setor veterinário não é um problema apenas para o empresário. Ele tem uma cadeia de consequências inevitável e socialmente danosa:
Alternativas inteligentes em um campo minado fiscal
Diante de um cenário tão desafiador imposto pela reforma tributária, talvez não fazer nada seja o pior dos venenos. O setor pet precisa de uma estratégia robusta e criativa:
Advertência: Reafirmamos que qualquer estratégia que fuja da legalidade estrita é um risco enorme. A reforma tributária e o Fisco estão cada vez mais sofisticados no cruzamento de dados. A reputação, tanto da clínica quanto do profissional, e as consequências legais de uma autuação, são um preço alto demais a pagar.
Em suma…
A reforma tributária impõe ao setor de saúde animal uma realidade complicada. A omissão em equipará-lo à saúde humana é um erro que pode desorganizar um mercado pujante, reduzir o acesso à saúde dos animais e incentivar a informalidade.
Para os empreendedores e profissionais da medicina veterinária, o momento é de total mobilização:
A reforma tributária está testando a resiliência de setores inteiros. Que o setor pet não seja mais uma vítima silenciosa da complexidade fiscal brasileira.
FONTE: MIGALHAS – POR LUCAS PEREIRA SANTOS PARREIRA