Telefone: (11) 3578-8624

PURGATÓRIO TRIBUTÁRIO PODE NOS LEVAR AO CÉU OU AO INFERNO

14 de novembro de 2025

Período de transição será de enormes desafios, cujo destino positivo depende de definições ainda não concretizadas.

Após décadas de debates, o Brasil finalmente aprovou a reforma tributária.

Porém, ainda é cedo para celebrar a simplificação e a desburocratização almejadas durante décadas, porque ainda existem muitas incertezas acerca das regras que nortearão o novo sistema e garantirão a isonomia fiscal e a diminuição do contencioso judicial.

A unificação de ICMS, ISS, PIS, Cofins no IBS e na CBS, além da uniformização das regras — em tese, uma ideia simplificadora —, na prática, esconde armadilhas profundamente preocupantes. A extinção gradual do ICMS desmonta uma estrutura conhecida, por mais complexa que seja, para substituí-la por um sistema cujos detalhes operacionais e impactos reais ainda são uma incógnita.

A coexistência de sistemas durante a transição (de 2026 a 2032) pode ser um convite ao caos administrativo e a conflitos interpretativos que podem paralisar negócios — um verdadeiro purgatório até a (possível) redenção.

Algumas questões precisam ser esclarecidas para não tornar o novo sistema, que sai de um “manicômio” tributário, em um “inferno” fiscal e jurídico. Recentes interpretações do fisco levantam a hipótese de incluir o IBS e a CBS na base de cálculo do ICMS e do ISS durante o período de transição.

Essa tese, se prevalecer, poderá significar um retrocesso ao modelo que a reforma buscou superar, com sérios reflexos para o empresariado brasileiro. A inclusão do IBS e da CBS nas bases do ICMS e do ISS aumentaria substancialmente o valor dos bens e dos serviços. Além da carga tributária maior, isso se traduz em elevação dos custos de compliance e, inevitavelmente, aumento de litígios.

Por outro lado, o coração desta reforma está na não cumulatividade, que estabelece que o tributo pago em uma etapa da cadeia de produção ou comercialização pode ser abatido (creditado) nas etapas seguintes. Em outras palavras, o contribuinte só paga imposto sobre o valor que realmente agregou ao produto ou serviço, evitando que um tributo seja cobrado em cima de outro (o famoso efeito cascata).

A transição mais longa estabelecida para o IBS, que substituirá o ICMS e o ISS, revela-se fundamental diante da ampla variedade de benefícios fiscais atualmente existentes no âmbito do ICMS, permitindo uma adaptação gradual dos setores hoje favorecidos e reduzindo os desdobramentos econômicos da mudança. Nesse contexto, a extinção progressiva desses incentivos representa um passo importante para equalizar a concorrência e privilegiar a eficiência produtiva, em detrimento das vantagens concedidas.

Essa mudança não é meramente contábil. Trata-se de uma reengenharia da relação entre o Estado e o contribuinte. A unificação dos tributos sobre o consumo sob a égide do IBS e da CBS reduzirá drasticamente a burocracia, se bem regrada, permitindo que os empreendedores brasileiros foquem no que realmente importa: inovar, crescer e gerar empregos.

O futuro se discute no presente

A implementação da reforma tributária trará questões que precisam ser compreendidas e debatidas desde já. Para aprofundarmos essa discussão de alto nível, o 7º Congresso do Codecon-SP de Direito Tributário, que acontecerá no próximo dia 26 de novembro, em São Paulo, oferecerá uma oportunidade ímpar para empresários, contadores, advogados, gestores públicos e estudiosos do Direito Tributário.

O evento terá cobertura exclusiva do JOTA.

O encontro vai reunir os maiores especialistas do país para analisar os detalhes da transição, os impactos do IBS, o fim dos benefícios fiscais e as estratégias para que as empresas não apenas se adaptem, mas se fortaleçam nesse novo ambiente.

Os participantes terão a honra de acompanhar as apresentações de Heleno Torres e Simone Barreto sobre regimes diferenciados e específicos e benefícios fiscais atuais; de Argos Simões e Robson Maia Lina sobre o contencioso tributário no cenário pós-reforma; e de Paulo César Duarte e Alessandra Vieira, que abordarão a importância da tecnologia para a transição do novo sistema tributário.

A reforma tributária pode ser uma janela de oportunidade para construirmos um sistema mais justo e eficiente, desde que o legislativo ouça os anseios do setor produtivo, que sabe quais são os obstáculos que minam os desenvolvimentos econômico e social do país.logo-jota

Os artigos publicados pelo JOTA não refletem necessariamente a opinião do site. Os textos buscam estimular o debate sobre temas importantes para o País, sempre prestigiando a pluralidade de ideias.

FONTE: JOTA – POR MÁRCIO OLÍVIO FERNANDES DA COSTA

 

Receba nossas newsletters