{"id":68006,"date":"2026-09-22T10:35:49","date_gmt":"2026-09-22T13:35:49","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=68006"},"modified":"2026-09-22T10:35:55","modified_gmt":"2026-09-22T13:35:55","slug":"reforma-tributaria-2027-esta-batendo-a-porta-das-incorporadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/09\/22\/reforma-tributaria-2027-esta-batendo-a-porta-das-incorporadoras\/","title":{"rendered":"REFORMA TRIBUT\u00c1RIA: 2027 EST\u00c1 BATENDO \u00c0 PORTA DAS INCORPORADORAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A reforma tribut\u00e1ria j\u00e1 come\u00e7ou. Para as incorporadoras, o momento de perguntar o que acontecer\u00e1 em 2027 n\u00e3o \u00e9 em 2027. \u00c9 agora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Durante muito tempo, a reforma tribut\u00e1ria foi tratada pelo setor empresarial brasileiro como uma transforma\u00e7\u00e3o importante, por\u00e9m distante. Para muitas incorporadoras, o assunto permanecia circunscrito \u00e0s discuss\u00f5es entre contadores, tributaristas e especialistas, enquanto a aten\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio continuava concentrada em juros, cr\u00e9dito imobili\u00e1rio, custo da constru\u00e7\u00e3o, pre\u00e7o dos terrenos e velocidade das vendas. Essa postura j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a realidade. Em 2026, a reforma tribut\u00e1ria deixou definitivamente o campo das proje\u00e7\u00f5es e entrou na rotina das empresas. O novo sistema come\u00e7ou a exigir adapta\u00e7\u00f5es operacionais, fiscais e tecnol\u00f3gicas, e 2027 se aproxima como um marco especialmente relevante. Para as incorporadoras, portanto, a pergunta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 se a reforma chegar\u00e1. <strong>A pergunta \u00e9 se a empresa estar\u00e1 preparada quando seus efeitos econ\u00f4micos come\u00e7arem a ganhar maior relev\u00e2ncia<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Brasil est\u00e1 deixando para tr\u00e1s, progressivamente, um modelo de tributa\u00e7\u00e3o do consumo constru\u00eddo sobre uma combina\u00e7\u00e3o de diferentes tributos e compet\u00eancias. No sistema atual, empresas convivem com PIS e Cofins, de compet\u00eancia federal, ICMS, de compet\u00eancia estadual, e ISS, de compet\u00eancia municipal, entre outras incid\u00eancias que dependem da natureza de cada opera\u00e7\u00e3o. Essa estrutura sempre representou um desafio para as empresas, mas no mercado imobili\u00e1rio a complexidade assume propor\u00e7\u00f5es ainda maiores. Uma incorpora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria envolve aquisi\u00e7\u00e3o de terreno, projetos, contrata\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o, compra de materiais, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, publicidade, comercializa\u00e7\u00e3o, corretagem, financiamento e venda das unidades, muitas vezes com recebimentos distribu\u00eddos durante v\u00e1rios anos. A tributa\u00e7\u00e3o interfere em praticamente todas essas etapas, e a fragmenta\u00e7\u00e3o do sistema atual exige uma s\u00e9rie de an\u00e1lises para determinar o custo efetivo de cada empreendimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A EC 132, de 2023, modificou essa arquitetura e criou as bases para um novo modelo de tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo, estruturado principalmente a partir do IBS &#8211; Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os e da CBS\u00a0&#8211; Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os. A regulamenta\u00e7\u00e3o posterior, especialmente por meio da LC 214, de 2025, trouxe regras fundamentais para o funcionamento desse novo sistema e estabeleceu tratamento espec\u00edfico para o setor imobili\u00e1rio. O Brasil passa, assim, por uma transi\u00e7\u00e3o de um sistema marcado pela multiplicidade de tributos para um modelo inspirado no IVA, com uma l\u00f3gica mais ampla de n\u00e3o cumulatividade e aproveitamento de cr\u00e9ditos. Mas a mudan\u00e7a n\u00e3o ocorre de forma instant\u00e2nea. E justamente porque a transi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 gradual, as empresas precisam se preparar para administrar simultaneamente diferentes regimes e diferentes momentos da tributa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para uma incorporadora, essa caracter\u00edstica temporal \u00e9 particularmente importante. Um empreendimento imobili\u00e1rio n\u00e3o come\u00e7a e termina dentro de um \u00fanico exerc\u00edcio fiscal. Entre a aquisi\u00e7\u00e3o do terreno, a aprova\u00e7\u00e3o dos projetos, o lan\u00e7amento, a constru\u00e7\u00e3o, a venda das unidades e o recebimento integral dos valores contratados podem transcorrer v\u00e1rios anos. Um contrato assinado hoje poder\u00e1 produzir efeitos em um cen\u00e1rio tribut\u00e1rio substancialmente diferente daquele existente no momento da assinatura. Uma unidade vendida na planta poder\u00e1 ter seu pagamento distribu\u00eddo por v\u00e1rios exerc\u00edcios, atravessando diferentes etapas da transi\u00e7\u00e3o. \u00c9 justamente essa perspectiva de longo prazo que torna inadequado tratar a reforma como uma simples substitui\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a necessidade de projetar o impacto tribut\u00e1rio durante todo o ciclo econ\u00f4mico do empreendimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ano de 2026 \u00e9, por isso, um divisor de \u00e1guas. \u00c9 o momento em que as empresas precisam deixar de estudar a reforma apenas como legisla\u00e7\u00e3o futura e come\u00e7ar a incorpor\u00e1-la aos seus processos. A adapta\u00e7\u00e3o de sistemas, documentos fiscais, cadastros, contratos e controles internos n\u00e3o \u00e9 mais uma preocupa\u00e7\u00e3o para algum momento indefinido. Ela j\u00e1 faz parte da agenda empresarial. E quanto mais complexa for a opera\u00e7\u00e3o, maior ser\u00e1 o custo de uma adapta\u00e7\u00e3o tardia. No caso das incorporadoras, esse custo pode ser ainda mais elevado porque os sistemas internos precisam conversar com uma opera\u00e7\u00e3o que envolve m\u00faltiplos contratos, recebimentos parcelados, fornecedores, empreendimentos distintos e estruturas jur\u00eddicas pr\u00f3prias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">H\u00e1, entretanto, uma particularidade que torna o setor imobili\u00e1rio diferente de uma atividade empresarial comum: a reforma n\u00e3o simplesmente coloca os im\u00f3veis dentro da mesma l\u00f3gica aplic\u00e1vel \u00e0s demais opera\u00e7\u00f5es de consumo. A legisla\u00e7\u00e3o estabeleceu um regime espec\u00edfico para as opera\u00e7\u00f5es com bens im\u00f3veis, justamente em raz\u00e3o das caracter\u00edsticas econ\u00f4micas do setor. Aliena\u00e7\u00f5es, incorpora\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, parcelamento do solo e determinadas opera\u00e7\u00f5es de loca\u00e7\u00e3o, cess\u00e3o onerosa e arrendamento passam a observar regras pr\u00f3prias. Foram estabelecidos mecanismos de redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas, redutor de ajuste, redutor social e regras espec\u00edficas de c\u00e1lculo e aproveitamento de cr\u00e9ditos. Para determinadas opera\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, a legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea redu\u00e7\u00e3o de 50% das al\u00edquotas do IBS e da CBS, enquanto determinadas opera\u00e7\u00f5es de loca\u00e7\u00e3o, cess\u00e3o onerosa e arrendamento contam com redu\u00e7\u00e3o de 70%, conforme as hip\u00f3teses previstas na legisla\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa especificidade \u00e9 fundamental porque demonstra que a discuss\u00e3o sobre o impacto da reforma n\u00e3o pode ser reduzida \u00e0 pergunta sobre qual ser\u00e1 a al\u00edquota geral do novo sistema. Para o incorporador, a quest\u00e3o verdadeiramente relevante ser\u00e1 descobrir qual \u00e9 a <strong>carga tribut\u00e1ria efetiva do empreendimento<\/strong> depois de considerados todos os mecanismos previstos na legisla\u00e7\u00e3o. Uma an\u00e1lise que simplesmente multiplique o pre\u00e7o da unidade pela al\u00edquota nominal do IBS e da CBS poder\u00e1 produzir uma fotografia distorcida da realidade. A verdadeira modelagem precisar\u00e1 considerar base de c\u00e1lculo, cr\u00e9ditos, redutores, regime tribut\u00e1rio, natureza das opera\u00e7\u00f5es, cronograma de recebimentos e demais elementos que influenciam a tributa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesse cen\u00e1rio, o RET &#8211; Regime Especial de Tributa\u00e7\u00e3o continua sendo uma pe\u00e7a importante da an\u00e1lise das incorporadoras. O regime foi criado para conferir tratamento tribut\u00e1rio espec\u00edfico \u00e0s incorpora\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias submetidas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es legais, especialmente aquelas estruturadas com patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o. No sistema atualmente conhecido pelas empresas do setor, o RET proporciona uma tributa\u00e7\u00e3o concentrada sobre determinadas receitas da incorpora\u00e7\u00e3o, reunindo tributos federais sob uma sistem\u00e1tica pr\u00f3pria e permitindo maior previsibilidade na modelagem econ\u00f4mica do empreendimento. Essa previsibilidade sempre foi um dos seus principais atrativos, porque a incorporadora consegue projetar com maior seguran\u00e7a uma parcela importante de sua carga tribut\u00e1ria durante o ciclo da incorpora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A chegada do novo modelo, por\u00e9m, exige que o RET seja analisado com uma vis\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 suficiente afirmar que determinado empreendimento est\u00e1 submetido ao RET e, a partir da\u00ed, concluir que a reforma n\u00e3o ter\u00e1 impacto relevante. O incorporador precisa compreender quais tributos continuam dentro da sistem\u00e1tica do regime especial, quais mudan\u00e7as decorrem da substitui\u00e7\u00e3o gradual dos tributos sobre o consumo e como IBS e CBS interagem com a estrutura tribut\u00e1ria do empreendimento. Essa an\u00e1lise tamb\u00e9m precisa ser relacionada ao patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o, aos contratos firmados e ao est\u00e1gio de cada incorpora\u00e7\u00e3o. O ponto central \u00e9 que RET e reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o devem ser tratados como assuntos separados: eles precisam ser analisados dentro da mesma modelagem econ\u00f4mica e jur\u00eddica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Outro elemento que ganhar\u00e1 import\u00e2ncia \u00e9 a n\u00e3o cumulatividade. O novo sistema pretende ampliar a l\u00f3gica de aproveitamento de cr\u00e9ditos ao longo da cadeia, observadas as regras legais. Para a incorporadora, isso significa que a an\u00e1lise tribut\u00e1ria dos fornecedores ganhar\u00e1 uma dimens\u00e3o econ\u00f4mica que muitas empresas ainda n\u00e3o incorporaram \u00e0 sua gest\u00e3o. O pre\u00e7o de um material ou servi\u00e7o n\u00e3o ser\u00e1 necessariamente o \u00fanico crit\u00e9rio racional para a tomada de decis\u00e3o. Ser\u00e1 preciso compreender o custo l\u00edquido da aquisi\u00e7\u00e3o, a documenta\u00e7\u00e3o fiscal, a natureza da opera\u00e7\u00e3o e a possibilidade de apropria\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de IBS e CBS. A \u00e1rea de compras, que historicamente concentra sua aten\u00e7\u00e3o em pre\u00e7o, prazo e qualidade, ter\u00e1 de dialogar cada vez mais com o departamento fiscal e tribut\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa mudan\u00e7a pode parecer t\u00e9cnica, mas possui uma consequ\u00eancia empresarial muito concreta: a cadeia de fornecedores passar\u00e1 a fazer parte da estrat\u00e9gia tribut\u00e1ria do empreendimento. Uma contrata\u00e7\u00e3o aparentemente mais barata pode n\u00e3o representar o menor custo econ\u00f4mico quando se consideram os efeitos tribut\u00e1rios. Da mesma maneira, uma contrata\u00e7\u00e3o com pre\u00e7o nominalmente superior pode produzir resultado diferente quando analisada em conjunto com os cr\u00e9ditos que poder\u00e3o ser apropriados. Isso exigir\u00e1 das incorporadoras maior profissionaliza\u00e7\u00e3o na contrata\u00e7\u00e3o de fornecedores e maior integra\u00e7\u00e3o entre compras, jur\u00eddico, contabilidade e financeiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de venda tamb\u00e9m dever\u00e1 ser revista. Durante d\u00e9cadas, o incorporador aprendeu a construir sua equa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica a partir do custo do terreno, custo da constru\u00e7\u00e3o, despesas administrativas, despesas comerciais, custo financeiro, margem de lucro e tributa\u00e7\u00e3o. Essa l\u00f3gica continua v\u00e1lida, mas a vari\u00e1vel tribut\u00e1ria passa a exigir maior sofistica\u00e7\u00e3o. O pre\u00e7o de uma unidade n\u00e3o poder\u00e1 ser definido apenas a partir de uma fotografia do custo atual. Ser\u00e1 necess\u00e1rio projetar como o empreendimento se comportar\u00e1 durante a transi\u00e7\u00e3o, considerando o momento das vendas, o cronograma de recebimentos, os cr\u00e9ditos, os redutores e a tributa\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel em cada fase.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Esse aspecto \u00e9 particularmente sens\u00edvel porque o setor imobili\u00e1rio vende hoje aquilo que ser\u00e1 entregue e recebido ao longo do tempo. Uma incorporadora pode lan\u00e7ar um empreendimento em 2026 e continuar comercializando unidades em 2027, 2028 ou 2029. A empresa que n\u00e3o incorporar a reforma \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o poder\u00e1 descobrir posteriormente que a margem projetada n\u00e3o corresponde \u00e0 margem efetivamente obtida. E, uma vez assinados os contratos, a capacidade de alterar pre\u00e7os ou repassar determinados custos pode ser extremamente limitada. O planejamento tribut\u00e1rio, portanto, precisa acontecer antes do lan\u00e7amento e antes da assinatura dos contratos, e n\u00e3o depois que a opera\u00e7\u00e3o j\u00e1 estiver consolidada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Os contratos imobili\u00e1rios tamb\u00e9m merecem uma revis\u00e3o cuidadosa. A transi\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria aumenta a import\u00e2ncia das cl\u00e1usulas que tratam de altera\u00e7\u00f5es legislativas, encargos fiscais, responsabilidade tribut\u00e1ria e eventual repercuss\u00e3o econ\u00f4mica de mudan\u00e7as normativas. N\u00e3o se trata de criar mecanismos abusivos de repasse de tributos ao consumidor, mas de construir contratos juridicamente coerentes com uma realidade tribut\u00e1ria que est\u00e1 mudando durante a pr\u00f3pria execu\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio. A incorporadora precisa saber exatamente quais s\u00e3o seus riscos, quais s\u00e3o os limites legais para eventual repercuss\u00e3o e como situa\u00e7\u00f5es como renegocia\u00e7\u00e3o, distrato, cess\u00e3o de direitos e altera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de pagamento ser\u00e3o tratadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Existe ainda uma dimens\u00e3o que muitas empresas subestimam: a tecnol\u00f3gica. A reforma tribut\u00e1ria exigir\u00e1 mudan\u00e7as nos sistemas de gest\u00e3o, emiss\u00e3o de documentos fiscais, cadastros, escritura\u00e7\u00e3o e controles. Em 2026, essa quest\u00e3o j\u00e1 deixou de ser uma preocupa\u00e7\u00e3o exclusivamente futura. O sistema tribut\u00e1rio moderno depende cada vez mais da qualidade da informa\u00e7\u00e3o produzida pela pr\u00f3pria empresa. Uma informa\u00e7\u00e3o incorreta no cadastro, um documento fiscal inadequado ou uma parametriza\u00e7\u00e3o equivocada podem produzir consequ\u00eancias que ultrapassam a obriga\u00e7\u00e3o acess\u00f3ria e alcan\u00e7am a pr\u00f3pria apura\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por isso, a reforma precisa ser incorporada \u00e0 governan\u00e7a da incorporadora. O assunto n\u00e3o pode permanecer exclusivamente nas m\u00e3os do contador. O contador \u00e9 essencial, mas n\u00e3o conseguir\u00e1 sozinho resolver uma quest\u00e3o que envolve estrutura jur\u00eddica, contratos, pre\u00e7o, fornecedores, fluxo de caixa, tecnologia e estrat\u00e9gia comercial. O advogado tributarista e empresarial precisa estar envolvido na estrutura\u00e7\u00e3o; o financeiro precisa compreender o impacto no fluxo de caixa; o comercial precisa conhecer os efeitos sobre a forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o; o departamento de compras precisa compreender a l\u00f3gica dos cr\u00e9ditos; e a tecnologia precisa assegurar que os sistemas estejam preparados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Talvez a principal mudan\u00e7a de mentalidade seja justamente essa: a reforma tribut\u00e1ria precisa ser tratada como uma quest\u00e3o de neg\u00f3cio, e n\u00e3o apenas como uma quest\u00e3o de imposto. A pergunta que uma incorporadora deveria fazer hoje n\u00e3o \u00e9 simplesmente quanto pagar\u00e1 de IBS e CBS. A pergunta \u00e9 quanto a reforma alterar\u00e1 a margem do empreendimento, em quais momentos essa altera\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1, quais cr\u00e9ditos poder\u00e3o ser aproveitados, quais contratos est\u00e3o expostos e quais decis\u00f5es ainda podem ser tomadas para reduzir riscos e preservar a rentabilidade dentro dos limites legais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio revisar o portf\u00f3lio existente. Empreendimentos em diferentes fases podem sofrer impactos diferentes. Um projeto ainda em fase de aquisi\u00e7\u00e3o do terreno possui um grau de liberdade muito maior para incorporar a nova realidade tribut\u00e1ria \u00e0 sua estrutura do que um empreendimento j\u00e1 lan\u00e7ado, com grande parte das unidades comercializadas e contratos firmados. Por isso, n\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica para todas as incorporadoras. A an\u00e1lise precisa ser individualizada, empreendimento por empreendimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa individualiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 importante para o patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o e para o RET. Uma estrutura que foi economicamente eficiente em determinado momento pode precisar ser reavaliada diante das mudan\u00e7as que ocorrer\u00e3o ao longo da transi\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa abandonar estruturas consolidadas, mas compreender como elas funcionar\u00e3o dentro do novo ambiente tribut\u00e1rio. O planejamento respons\u00e1vel n\u00e3o parte de conclus\u00f5es autom\u00e1ticas; parte da an\u00e1lise concreta da legisla\u00e7\u00e3o, dos contratos e dos n\u00fameros do empreendimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O que est\u00e1 acontecendo no Brasil, portanto, \u00e9 muito maior do que uma troca de nomes\u00a0 de PIS e Cofins para CBS, de ICMS e ISS para IBS. Trata-se de uma mudan\u00e7a na arquitetura da tributa\u00e7\u00e3o do consumo e, consequentemente, na forma como as empresas precisar\u00e3o organizar suas opera\u00e7\u00f5es. Para as incorporadoras, o impacto pode ser particularmente significativo porque o setor trabalha com capital intensivo, contratos de longa dura\u00e7\u00e3o e margens que dependem de uma s\u00e9rie de vari\u00e1veis econ\u00f4micas. A tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dessas vari\u00e1veis e n\u00e3o pode mais ser tratada como elemento secund\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">2027 est\u00e1 pr\u00f3ximo. E o tempo necess\u00e1rio para adaptar uma empresa complexa n\u00e3o \u00e9 o mesmo tempo necess\u00e1rio para simplesmente ler uma nova legisla\u00e7\u00e3o. Sistemas precisam ser parametrizados, contratos precisam ser revisados, fornecedores precisam ser avaliados, empreendimentos precisam ser modelados e equipes precisam ser treinadas. Quanto mais tarde a empresa iniciar esse processo, maior ser\u00e1 o risco de tomar decis\u00f5es sem informa\u00e7\u00e3o suficiente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A boa not\u00edcia \u00e9 que ainda existe espa\u00e7o para planejamento. A reforma n\u00e3o deve ser encarada exclusivamente como uma amea\u00e7a \u00e0 rentabilidade. Ela tamb\u00e9m pode funcionar como um catalisador de efici\u00eancia. Incorporadoras que analisarem antecipadamente seus processos poder\u00e3o identificar cr\u00e9ditos, corrigir inefici\u00eancias, renegociar contratos, aprimorar a sele\u00e7\u00e3o de fornecedores, melhorar seus sistemas e aperfei\u00e7oar a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Em um setor altamente competitivo, essa capacidade de antecipa\u00e7\u00e3o pode representar uma vantagem significativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O maior risco, portanto, n\u00e3o est\u00e1 necessariamente na reforma tribut\u00e1ria. Est\u00e1 em entrar na nova realidade tribut\u00e1ria sem conhecer seus efeitos sobre o pr\u00f3prio neg\u00f3cio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A incorporadora que esperar 2027 chegar para come\u00e7ar a estudar a reforma estar\u00e1 olhando para o problema pelo retrovisor. Aquelas que come\u00e7arem agora poder\u00e3o transformar a transi\u00e7\u00e3o em uma oportunidade de reorganiza\u00e7\u00e3o e profissionaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O novo sistema tribut\u00e1rio exigir\u00e1 conhecimento t\u00e9cnico, mas exigir\u00e1 sobretudo capacidade de planejamento. O empres\u00e1rio imobili\u00e1rio precisar\u00e1 compreender que o tributo n\u00e3o \u00e9 uma vari\u00e1vel que aparece no final da planilha. Ele interfere na escolha do empreendimento, na aquisi\u00e7\u00e3o do terreno, na contrata\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, na sele\u00e7\u00e3o dos fornecedores, na elabora\u00e7\u00e3o dos contratos, na defini\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o e na margem que efetivamente permanecer\u00e1 ao final da opera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: MIGALHAS &#8211; POR \u00a0SANY GALV\u00c3O<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma tribut\u00e1ria j\u00e1 come\u00e7ou. 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