{"id":67002,"date":"2026-08-27T10:48:16","date_gmt":"2026-08-27T13:48:16","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=67002"},"modified":"2026-08-27T10:48:16","modified_gmt":"2026-08-27T13:48:16","slug":"stj-define-calculo-para-integralizacao-do-jcp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/08\/27\/stj-define-calculo-para-integralizacao-do-jcp\/","title":{"rendered":"STJ DEFINE C\u00c1LCULO PARA INTEGRALIZA\u00c7\u00c3O DO JCP"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Exclus\u00e3o do IRRF do c\u00e1lculo dos juros sobre capital pr\u00f3prio reduz valores a serem deduzidos do IRPJ e da CSLL a pagar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu raz\u00e3o a uma empresa em uma disputa contra o Fisco sobre a base de c\u00e1lculo dos juros sobre capital pr\u00f3prio (JCP). No caso, os valores foram distribu\u00eddos no ano de 1996, quando vigorava uma autoriza\u00e7\u00e3o legal que permitiu a integraliza\u00e7\u00e3o desse tipo de remunera\u00e7\u00e3o ao capital social da empresa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No caso analisado pela 1\u00aa Turma, uma ind\u00fastria de alimentos tinha aproveitado a previs\u00e3o da Lei n\u00ba 9.249, de 1995. Em vez de pagar o JCP aos acionistas, integralizou o valor ao patrim\u00f4nio da pr\u00f3pria empresa. Sobre esse valor, no entanto, incidia Imposto de Renda Retido na Fonte (<strong>IRRF<\/strong>).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por lei, as empresas podem distribuir como JCP at\u00e9 50% do lucro apurado em um determinado per\u00edodo. No ano de apura\u00e7\u00e3o, a companhia de alimentos tinha registrado lucro de R$ 35,6 milh\u00f5es e deduziu R$ 17,5 milh\u00f5es como JCP que seriam integralizados no capital social. Sobre este valor, a empresa aplicou a al\u00edquota de 15% (percentual que vigorava na \u00e9poca) e pagou R$ 2,6 milh\u00f5es em IRRF.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O c\u00e1lculo, contudo, gerou uma autua\u00e7\u00e3o da Receita Federal. O Fisco entendeu que o IRRF sobre os juros (R$ 2,6 milh\u00f5es) deveria ser exclu\u00eddo do c\u00e1lculo do lucro da companhia. O efeito pr\u00e1tico seria a redu\u00e7\u00e3o do limite m\u00e1ximo de pagamentos de JCP. Consequentemente, a base de c\u00e1lculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) aumentaria. Isso porque, por lei, o JCP pode ser deduzido da base de c\u00e1lculo desse imposto e da CSLL.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para o Fisco, o lucro da empresa n\u00e3o teria sido de R$ 35,6 milh\u00f5es, mas de R$ 33 milh\u00f5es. Assim, a empresa s\u00f3 poderia ter integralizado at\u00e9 R$ 16,5 milh\u00f5es a t\u00edtulo de JCP e n\u00e3o R$ 17,5 milh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O contribuinte argumentou que o c\u00e1lculo n\u00e3o poderia ter exclu\u00eddo o IRRF sobre os juros porque, no momento de apura\u00e7\u00e3o do lucro, ainda n\u00e3o era sequer poss\u00edvel saber qual seria o valor do imposto devido. A primeira inst\u00e2ncia do Judici\u00e1rio deu raz\u00e3o a ele, mas o entendimento foi revertido no Tribunal Regional Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o (TRF-2).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Quando analisou o caso, em junho de 2020, a 4\u00aa Turma Especializada do TRF-2 acompanhou o relator Luiz Ant\u00f4nio Soares. Entendeu que o Fisco n\u00e3o deduziu o IRRF da base de c\u00e1lculo do JCP, mas apenas n\u00e3o acrescentou o imposto ao c\u00e1lculo. O colegiado tamb\u00e9m considerou que n\u00e3o houve excessos na regulamenta\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio fiscal pela Receita na Instru\u00e7\u00e3o Normativa SRF n\u00ba 11\/96 e no Ato Declarat\u00f3rio Normativo Cosit 13\/96.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No STJ, o relator Paulo S\u00e9rgio Domingues negou provimento ao recurso da empresa. Ele manteve o ac\u00f3rd\u00e3o do TRF-2 e foi acompanhado pelo ministro S\u00e9rgio Kukina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ministro Gurgel de Faria abriu diverg\u00eancia. Defendeu que o lucro l\u00edquido de refer\u00eancia \u00e9 apurado antes da provis\u00e3o para o IRRF e da dedu\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios juros. &#8220;Ou seja, sem qualquer depura\u00e7\u00e3o decorrente da tributa\u00e7\u00e3o relativa ao IRPJ, inclu\u00eddo o IRRF assumido pela pessoa jur\u00eddica, ou dos efeitos financeiros do JCP&#8221;, explicou. Ele foi acompanhado pelos ministros Benedito Gon\u00e7alves e Regina Helena Costa, formando a maioria (REsp 1985788).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por meio de nota, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) destacou ao Valor que o STJ n\u00e3o invalidou quaisquer atos normativos infralegais da Receita, &#8220;apenas discordou da metodologia do c\u00e1lculo realizado pelo auditor fiscal no auto de infra\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;A tese da Fazenda Nacional, acolhida pelo TRF-2, \u00e9 no sentido de que o valor bruto dos JCP j\u00e1 inclui o IRRF, de modo a n\u00e3o se permitir que o IRRF seja utilizado duas vezes no c\u00e1lculo do limite&#8221;, afirmou o \u00f3rg\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O advogado que defendeu a empresa no processo, Diogo Ferraz, diz que a controv\u00e9rsia s\u00f3 surgiu porque &#8220;a Receita fez um c\u00e1lculo de tr\u00e1s para frente que, na pr\u00e1tica, excluiu o IR do lucro que serve de base para o JCP&#8221;. O tributarista diz ter demonstrado que esse c\u00e1lculo \u00e9 ilegal. \u201cA lei determina, expressamente, que o lucro que serve de base para o limite do JCP \u00e9 o lucro computado antes da dedu\u00e7\u00e3o do JCP, ou seja, antes que o JCP sequer exista&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;O c\u00e1lculo da Fazenda s\u00f3 foi poss\u00edvel porque foi feito de tr\u00e1s para frente, quando ela j\u00e1 sabia o valor dos JCP, invertendo o procedimento que est\u00e1 previsto na Lei&#8221;, aponta o advogado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Leonardo Mazzillo, afirma que a decis\u00e3o afasta a redu\u00e7\u00e3o artificial da base de c\u00e1lculo do JCP e reduz a incerteza na apura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos juros. &#8220;Para os contribuintes, o entendimento pode repercutir na revis\u00e3o de autua\u00e7\u00f5es e discuss\u00f5es administrativas ou judiciais ainda pendentes e na avalia\u00e7\u00e3o de valores de IRPJ e CSLL recolhidos a maior em per\u00edodos n\u00e3o prescritos, desde que presentes os demais requisitos do artigo 9\u00ba da Lei n\u00ba 9.249\/95.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Embora a regra examinada pelo STJ tenha vigorado apenas no ano de 1996 e a decis\u00e3o n\u00e3o estabele\u00e7a a forma de recolhimento do JCP de modo geral, para Ana Lucia Marra, a diretriz trazida pela Corte \u00e9 importante. \u201c\u00c9 a de que as regras referentes ao c\u00e1lculo do JCP e \u00e0s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 sua dedutibilidade devem ser expressas, n\u00e3o prevalecendo restri\u00e7\u00f5es que n\u00e3o estejam expl\u00edcitas na lei\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: VALOR ECON\u00d4MICO &#8211; POR LUIZA CALEGARI \u2014 DE S\u00c3O PAULO <\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exclus\u00e3o do IRRF do c\u00e1lculo dos juros sobre capital pr\u00f3prio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-hqG","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67002"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67002"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67002\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67003,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67002\/revisions\/67003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}