{"id":66908,"date":"2026-08-25T11:16:35","date_gmt":"2026-08-25T14:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=66908"},"modified":"2026-08-25T11:16:42","modified_gmt":"2026-08-25T14:16:42","slug":"stf-valida-legislacao-que-impede-pedido-de-recuperacao-judicial-por-devedor-contumaz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/08\/25\/stf-valida-legislacao-que-impede-pedido-de-recuperacao-judicial-por-devedor-contumaz\/","title":{"rendered":"STF VALIDA LEGISLA\u00c7\u00c3O QUE IMPEDE PEDIDO DE RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL POR DEVEDOR CONTUMAZ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por unanimidade, ministros da Corte consideraram que medida atingiria um \u201cuniverso extremamente reduzido de contribuintes\u201d; segundo estimativa da Uni\u00e3o, de 0,081% dos devedores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Supremo Tribunal Federal (<strong>STF<\/strong>) decidiu que o contribuinte qualificado como <strong>devedor contumaz<\/strong> n\u00e3o pode pedir <strong>recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/strong> ou permanecer em processo j\u00e1 em curso &#8211; que \u00e9 convertido em fal\u00eancia. Em julgamento virtual, a Corte validou a previs\u00e3o que consta no <strong>C\u00f3digo de Defesa do Contribuinte<\/strong>. A decis\u00e3o foi <strong>un\u00e2nime<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A <strong>Lei Complementar n\u00ba 225, de 2026<\/strong>, qualifica como devedor contumaz empresas com \u201cinadimpl\u00eancia substancial, reiterada e injustificada no recolhimento de tributos\u201d. Existem crit\u00e9rios objetivos como a exist\u00eancia de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios em situa\u00e7\u00e3o irregular, inscritos em d\u00edvida ativa ou constitu\u00eddos e n\u00e3o adimplidos, em \u00e2mbito administrativo ou judicial, de valor igual ou superior a R$ 15 milh\u00f5es, e a d\u00edvida deve ser equivalente a mais de 100% do patrim\u00f4nio conhecido da empresa, entre outros requisitos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A impossibilidade de pedir recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 uma das san\u00e7\u00f5es previstas na norma quando h\u00e1 o enquadramento como contumaz, assim como o impedimento de frui\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais e de participa\u00e7\u00e3o em licita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O universo de contribuintes possivelmente impactados pela legisla\u00e7\u00e3o corresponde a aproximadamente 0,081% do total de devedores inscritos em d\u00edvida ativa, segundo manifesta\u00e7\u00e3o da Advocacia Geral da Uni\u00e3o (AGU) no processo. Dados obtidos junto \u00e0 Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI) pelo BVZ Advogados publicados no Valor indicam que, hoje, no Brasil, 22,5 mil contribuintes devem R$ 2,3 trilh\u00f5es \u00e0 Uni\u00e3o em d\u00edvidas tribut\u00e1rias inscritas em d\u00edvida ativa, em valores superiores a R$ 15 milh\u00f5es cada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O tema foi julgado pelo STF em pedido feito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). De acordo com a entidade, a regra seria desproporcional, sancionat\u00f3ria e poderia ter efeitos graves sobre a atividade empresarial e o acesso \u00e0 Justi\u00e7a, sendo um mecanismo coercitivo de cobran\u00e7a (ADI 7943).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O relator, ministro Fl\u00e1vio Dino, afirmou no voto que no caso do devedor contumaz n\u00e3o h\u00e1 real inten\u00e7\u00e3o de pagamento da d\u00edvida, pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 um modelo de neg\u00f3cios dirigido a burlar credores e Fisco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cO postulado constitucional da livre iniciativa n\u00e3o serve de escudo para pr\u00e1ticas que configurem concorr\u00eancia desleal ou abuso da liberdade empresarial\u201d, afirmou, no voto. Ainda segundo Dino, n\u00e3o haveria inconstitucionalidade tendo em vista que a Constitui\u00e7\u00e3o, especialmente os princ\u00edpios da livre concorr\u00eancia, da capacidade contributiva e da isonomia, imp\u00f5em o agir estatal voltado a combater pr\u00e1ticas empresariais anticoncorrenciais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No voto, Dino disse tamb\u00e9m que o STF j\u00e1 decidiu que o Estado n\u00e3o pode lan\u00e7ar m\u00e3o de medidas restritivas do exerc\u00edcio de direitos como meio indireto para a cobran\u00e7a de tributos, a exemplo de interditar o estabelecimento, apreender mercadorias e restringir o exerc\u00edcio de atividade profissional. Contudo, o ministro pontuou que vem ocorrendo uma evolu\u00e7\u00e3o na jurisprud\u00eancia do STF quanto ao instituto da san\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria, considerando que cabe ao julgador, ao exame da legisla\u00e7\u00e3o, submeter a medida coercitiva ao crivo da proporcionalidade e da razoabilidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O relator considerou a excepcionalidade da medida, que atingiria um \u201cuniverso extremamente reduzido de contribuintes\u201d, e citou a estimativa da Uni\u00e3o (0,081% dos devedores). \u201cO dispositivo atacado n\u00e3o contempla restri\u00e7\u00e3o pass\u00edvel de ser imposta de forma indistinta a todo e qualquer contribuinte em d\u00e9bito com o Fisco. Trata-se de medida jur\u00eddica excepcional, direcionada especificamente \u00e0 figura jur\u00eddica do devedor que preencha todos os requisitos legais necess\u00e1rios \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o de contumaz\u201d, apontou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em nota, o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, afirmou que a Ordem respeita a decis\u00e3o do Supremo. &#8220;Levamos ao STF um questionamento de natureza constitucional sobre a mat\u00e9ria, e a Corte se pronunciou. Cabe \u00e0 Ordem respeitar a decis\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo o advogado Ricardo Siqueira, a regra que barra a recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor contumaz \u201ccobra um pre\u00e7o de quem a criou\u201d. Isso porque, sem conseguir se reorganizar, a empresa n\u00e3o consegue gerar caixa e, sem caixa, n\u00e3o paga tributo. \u201cNa tentativa de apertar o cerco sobre o devedor, o Estado fecha a \u00fanica porta pela qual o dinheiro voltaria\u201d, pondera.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A decis\u00e3o do STF n\u00e3o merece cr\u00edtica, para Let\u00edcia Marques Netto. O problema, diz ela, est\u00e1 na efic\u00e1cia e na proporcionalidade da solu\u00e7\u00e3o escolhida. &#8220;A [decreta\u00e7\u00e3o da] fal\u00eancia parece partir da premissa de que, ao retirar a empresa do mercado, o Estado estaria eliminando o agente econ\u00f4mico que deliberadamente n\u00e3o paga tributos. Mas questiona-se at\u00e9 que ponto isso \u00e9 efetivo&#8221;, aponta. Segundo Let\u00edcia, h\u00e1 o custo do preju\u00edzo imposto aos credores n\u00e3o tribut\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O devedor contumaz deve ser punido, segundo a advogada, mas a quest\u00e3o \u00e9 se a fal\u00eancia \u00e9 uma puni\u00e7\u00e3o eficaz e socialmente adequada. &#8220;N\u00e3o basta retirar um devedor contumaz do jogo: \u00e9 preciso avaliar se isso efetivamente combate o comportamento que se pretende eliminar e se o custo dessa elimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 pago pelos credores\u201d, questiona.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A decis\u00e3o \u201cinaugura mas n\u00e3o encerra\u201d o debate sobre os limites das medidas aplic\u00e1veis ao devedor contumaz, segundo Artur Muxfeldt. Para o advogado, o verdadeiro desafio estar\u00e1 no exame das situa\u00e7\u00f5es concretas, tanto para a caracteriza\u00e7\u00e3o do devedor como contumaz, quanto para a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es, em contextos que, na pr\u00e1tica, podem envolver zonas de incerteza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A ministra C\u00e1rmen L\u00facia n\u00e3o votou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: VALOR ECON\u00d4MICO &#8211; POR BEATRIZ OLIVON \u2014 DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por unanimidade, ministros da Corte consideraram que medida atingiria um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-hpa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66908"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66908"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66909,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66908\/revisions\/66909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}