{"id":66680,"date":"2026-08-19T13:42:24","date_gmt":"2026-08-19T16:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=66680"},"modified":"2026-08-19T13:42:24","modified_gmt":"2026-08-19T16:42:24","slug":"regra-matriz-de-incidencia-como-estrutura-logica-da-norma-tributaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/08\/19\/regra-matriz-de-incidencia-como-estrutura-logica-da-norma-tributaria\/","title":{"rendered":"REGRA MATRIZ DE INCID\u00caNCIA COMO ESTRUTURA L\u00d3GICA DA NORMA TRIBUT\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria estadual tem se valido, cada vez com maior frequ\u00eancia, de um mecanismo aparentemente simples: o cruzamento entre os valores informados pelas administradoras de cart\u00f5es de cr\u00e9dito e de d\u00e9bito em conta corrente e os valores declarados pelo contribuinte em sua escrita fiscal e cont\u00e1bil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Quando h\u00e1 diferen\u00e7a entre esses montantes, o Fisco estadual presume a exist\u00eancia de opera\u00e7\u00f5es e presta\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias n\u00e3o registradas \u2014 e, com base nessa presun\u00e7\u00e3o, procede ao lan\u00e7amento de ICMS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A quest\u00e3o que se coloca n\u00e3o \u00e9 meramente t\u00e9cnica. Ela toca o cora\u00e7\u00e3o da estrutura l\u00f3gica da norma tribut\u00e1ria: a regra-matriz de incid\u00eancia tribut\u00e1ria (RMIT). Quando uma presun\u00e7\u00e3o legal substitui a comprova\u00e7\u00e3o direta do fato gerador, a fronteira entre tributa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e fic\u00e7\u00e3o arrecadat\u00f3ria torna-se t\u00eanue. Este artigo examina essa tens\u00e3o \u00e0 luz dos crit\u00e9rios material e pessoal da RMIT e dos limites que a doutrina tribut\u00e1ria imp\u00f5e ao uso de presun\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A RMIT funciona como uma t\u00e9cnica de organiza\u00e7\u00e3o dos enunciados normativos frequentemente dispersos em diversos diplomas, revelando a unidade de sentido da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria [1]. Sob a \u00f3tica do constructivismo l\u00f3gico-sem\u00e2ntico, a norma tribut\u00e1ria assume a forma de um ju\u00edzo condicional, ligando uma hip\u00f3tese \u2014 o fato descrito \u2014 a uma estatui\u00e7\u00e3o \u2014 a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica prescrita [2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Essa estrutura bipartida garante que a cobran\u00e7a de tributo n\u00e3o seja arbitr\u00e1ria, mas resulte de subsun\u00e7\u00e3o rigorosa. No antecedente normativo, a hip\u00f3tese de incid\u00eancia \u00e9 definida por Geraldo Ataliba como o arqu\u00e9tipo abstrato e legal de um fato que, uma vez ocorrido no mundo fenom\u00eanico, faz nascer a obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria [3]. Essa hip\u00f3tese \u00e9 composta pelos crit\u00e9rios material, temporal e espacial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O crit\u00e9rio material, sintetizado na pergunta \u201co qu\u00ea?\u201d, descreve o comportamento humano ou estado de fato que o legislador elegeu como signo presuntivo de riqueza. Paulo de Barros Carvalho ensina que esse crit\u00e9rio \u00e9 composto por um verbo transitivo direto e seu complemento, formando o n\u00facleo do suporte f\u00e1tico [4]. A precis\u00e3o nessa defini\u00e7\u00e3o garante a tipicidade tribut\u00e1ria \u2014 princ\u00edpio que exige que a lei descreva de forma exaustiva e sem lacunas o fato tribut\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Tipicidade como limite sem\u00e2ntico intranspon\u00edvel<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Alfredo Augusto Becker assevera que a hip\u00f3tese de incid\u00eancia s\u00f3 se realiza integralmente se todos os elementos previstos na f\u00f3rmula legal ocorrerem nos lugares e \u00e9pocas predeterminados, sem acr\u00e9scimos ou exclus\u00f5es [5]. Se o crit\u00e9rio material for vago, a tributa\u00e7\u00e3o se transforma em exerc\u00edcio de incerteza. A tipicidade atua como limite sem\u00e2ntico intranspon\u00edvel, impedindo que o Estado avance sobre fatos n\u00e3o cabalmente descritos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Gabriel Ivo aprofunda essa perspectiva ao tratar a incid\u00eancia como opera\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica. O int\u00e9rprete \u2014 \u201csenhor da incid\u00eancia\u201d \u2014 constr\u00f3i o fato jur\u00eddico a partir dos enunciados normativos [6]. Sem um crit\u00e9rio material n\u00edtido, a atividade do aplicador desgarra-se da legalidade, permitindo que a vontade arrecadat\u00f3ria se sobreponha \u00e0 estrutura l\u00f3gica da norma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Crit\u00e9rio pessoal: quem deve pagar?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Paralelamente ao crit\u00e9rio material, o crit\u00e9rio pessoal responde \u00e0 pergunta \u201cquem?\u201d. Ele identifica os sujeitos da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica tribut\u00e1ria: o sujeito ativo (Estado) e o sujeito passivo (contribuinte). Ataliba destaca que o sujeito passivo \u00e9 frequentemente um \u201cdestinat\u00e1rio constitucional\u201d, cuja sele\u00e7\u00e3o deve respeitar o princ\u00edpio da capacidade contributiva [7].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A precis\u00e3o na identifica\u00e7\u00e3o do devedor tribut\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o vital quanto a defini\u00e7\u00e3o do fato. Se a lei permite confus\u00e3o entre diferentes sujeitos, viola-se a determina\u00e7\u00e3o pessoal exigida pela RMIT. A seguran\u00e7a jur\u00eddica reside justamente na conjun\u00e7\u00e3o desses dois elementos: saber exatamente qual ato gera imposto e quem \u00e9 o devedor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Exemplo pr\u00e1tico: cruzamento de cart\u00f5es como prova de omiss\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Imagine um contribuinte do ICMS \u2014 um com\u00e9rcio varejista \u2014 que, em determinado per\u00edodo, recebeu por meio de m\u00e1quinas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito e d\u00e9bito o montante de R$ 120 mil. Em sua escrita fiscal e cont\u00e1bil, por\u00e9m, declarou opera\u00e7\u00f5es tributadas totalizando R$ 95 mil. A diferen\u00e7a de R$ 25 mil \u00e9 identificada pelo Fisco estadual por meio de informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelas administradoras de cart\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Com base nessa diferen\u00e7a, o auditor fiscal presume a exist\u00eancia de opera\u00e7\u00f5es mercantis n\u00e3o registradas \u2014 sa\u00eddas de mercadorias sem documento fiscal \u2014 e procede ao lan\u00e7amento de ICMS sobre o valor da diferen\u00e7a, acrescido de multa e juros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Diante disso, ser\u00e1 que essa solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 a mais adequada para o problema apresentado? A mera discrep\u00e2ncia entre valores recebidos via cart\u00e3o e valores declarados constitui fato grave e preciso o suficiente para sustentar a infer\u00eancia de que houve, efetivamente, a realiza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio material do ICMS \u2014 ou seja, a sa\u00edda f\u00edsica de mercadorias tribut\u00e1veis?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A diferen\u00e7a pode decorrer de in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o configuram fato gerador: recebimentos a t\u00edtulo de empr\u00e9stimo, transfer\u00eancias entre contas pr\u00f3prias, devolu\u00e7\u00f5es de compras, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o (fato gerador do Imposto Sobre Servi\u00e7o), gorjetas, adiantamentos de clientes, vendas de ativos imobilizados, recebimentos de alugu\u00e9is, repasses de cons\u00f3rcios, estornos, ou qualquer outra entrada financeira captada pela maquininha que n\u00e3o corresponda a uma opera\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de mercadorias. Se a presun\u00e7\u00e3o for absoluta e insuscet\u00edvel de prova em contr\u00e1rio, o contribuinte ser\u00e1 compelido a provar a n\u00e3o ocorr\u00eancia de um fato que sequer foi adequadamente indiciado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Presun\u00e7\u00f5es legais no ICMS: conceito e limites essenciais<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">As presun\u00e7\u00f5es legais operam como t\u00e9cnica de prova indireta, permitindo inferir um fato desconhecido a partir de um fato conhecido [8]. No Direito Tribut\u00e1rio, apenas as presun\u00e7\u00f5es relativas (juris tantum) guardam harmonia com os princ\u00edpios da legalidade e da capacidade contributiva. Quando o legislador cria uma presun\u00e7\u00e3o absoluta (juris et de jure), n\u00e3o est\u00e1 apenas facilitando a prova \u2014 est\u00e1 alterando o pr\u00f3prio crit\u00e9rio material da regra-matriz [9].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Maria Rita Ferragut critica as presun\u00e7\u00f5es absolutas, afirmando que \u201cn\u00e3o constituem verdadeiras presun\u00e7\u00f5es, uma vez que n\u00e3o se configuram como uma esp\u00e9cie de prova, mas sim como qualifica\u00e7\u00e3o relativa\u201d [10]. A natureza das presun\u00e7\u00f5es \u00e9 essencialmente indici\u00e1ria: toda prova resolve-se em presun\u00e7\u00e3o via regras de experi\u00eancia e teoria das probabilidades [11]. O evento fenom\u00eanico s\u00f3 se torna fato jur\u00eddico via ind\u00edcio competente [12].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para que uma presun\u00e7\u00e3o seja leg\u00edtima, deve estar lastreada em fatos graves, precisos e concordantes [13]. A gravidade refere-se \u00e0 for\u00e7a persuasiva do ind\u00edcio; a precis\u00e3o exige que o fato-base seja determinado e inequ\u00edvoco; a concord\u00e2ncia reclama que, havendo mais de um ind\u00edcio, todos convirjam para a mesma conclus\u00e3o l\u00f3gica [14]. Sem esses requisitos, a presun\u00e7\u00e3o degenera em arbitrariedade, transferindo indevidamente ao contribuinte o \u00f4nus de provar a \u201cn\u00e3o ocorr\u00eancia\u201d de um fato que sequer foi indiciado com seriedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Risco da presun\u00e7\u00e3o como substituto do fato gerador<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A t\u00e9cnica presuntiva deve ser um meio de alcan\u00e7ar a realidade f\u00e1tica prevista na lei, e n\u00e3o um fim em si mesma para aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o [15]. Como alerta Alfredo Augusto Becker, se o sistema aceitasse infer\u00eancias baseadas em fatos econ\u00f4micos soltos ou contradit\u00f3rios, a interpreta\u00e7\u00e3o literal da hip\u00f3tese de incid\u00eancia seria substitu\u00edda por um estado de incerteza permanente, onde o contribuinte ficaria \u00e0 merc\u00ea da \u201crebeli\u00e3o do fato contra o jur\u00eddico\u201d [16].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No contexto do ICMS, a diferen\u00e7a entre valores de cart\u00e3o e valores declarados pode ser um ind\u00edcio relevante \u2014 mas n\u00e3o pode ser tratada como prova aut\u00f4noma da ocorr\u00eancia do fato gerador. O crit\u00e9rio material do ICMS descreve a sa\u00edda de mercadoria do estabelecimento. O recebimento de valores via cart\u00e3o \u00e9 um dado financeiro que, isoladamente, n\u00e3o comprova a circula\u00e7\u00e3o f\u00edsica de mercadorias. A presun\u00e7\u00e3o deve, portanto, ser sempre relativa, admitindo prova em contr\u00e1rio, sob pena de violar a tipicidade cerrada da norma tribut\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A validade das presun\u00e7\u00f5es de omiss\u00e3o de receita no ICMS depender\u00e1 estritamente da demonstra\u00e7\u00e3o de que o fato indici\u00e1rio \u2014 a diferen\u00e7a apurada \u2014 \u00e9 grave e preciso o suficiente para sustentar a infer\u00eancia de que houve, efetivamente, a realiza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio material do imposto, mantendo-se sempre aberta a porta para que o contribuinte demonstre a irrealidade do fato presumido [17].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A validade de qualquer presun\u00e7\u00e3o legal deve ser examinada sob o crivo da integridade estrutural da regra-matriz. Se a presun\u00e7\u00e3o desfigurar o n\u00facleo do crit\u00e9rio material ou tornar o crit\u00e9rio pessoal uma vari\u00e1vel incerta, haver\u00e1 ruptura na cadeia l\u00f3gica da incid\u00eancia. A seguran\u00e7a jur\u00eddica n\u00e3o pode ser sacrificada no altar da facilita\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No contexto do ICMS, a pergunta que deve guiar legisladores, auditores e julgadores \u00e9 simples, mas fundamental: a diferen\u00e7a entre os valores de cart\u00e3o e os valores declarados comprova a sa\u00edda de mercadorias tribut\u00e1veis ou apenas presume sua exist\u00eancia para fins de arrecada\u00e7\u00e3o? Se a resposta for a segunda alternativa, estaremos diante n\u00e3o de tributa\u00e7\u00e3o, mas de confisco travestido de norma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O Direito Tribut\u00e1rio construiu, ao longo de d\u00e9cadas, uma estrutura l\u00f3gica robusta para impedir que o Estado tribute sem fundamento f\u00e1tico-jur\u00eddico. Cabe aos operadores do Direito \u2014 advogados, ju\u00edzes, auditores e legisladores \u2014 preservar essa estrutura, assegurando que cada exa\u00e7\u00e3o seja o resultado de um fato jur\u00eddico plenamente identificado e imputado a um sujeito devidamente determinado pela lei. Afinal, tributar n\u00e3o \u00e9 presumir \u2014 \u00e9 comprovar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">____________________________________<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Refer\u00eancias<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[1] BRITTO, L. G. de. Tributar na era da T\u00e9cnica: Como as defini\u00e7\u00f5es feitas pelas Ag\u00eancias Reguladoras v\u00eam influenciando a Interpreta\u00e7\u00e3o das Normas Tribut\u00e1rias. S\u00e3o Paulo: Noeses, 2018, p. 27.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[2] CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tribut\u00e1rio: linguagem e m\u00e9todo. 8. ed. S\u00e3o Paulo: Noeses, 2023, p. 135.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[3] ATALIBA, Geraldo. Hip\u00f3tese de Incid\u00eancia Tribut\u00e1ria. 6\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Malheiros, p. 46.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[4] CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tribut\u00e1rio: linguagem e m\u00e9todo, p. 791.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[5] BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tribut\u00e1rio. S\u00e3o Paulo: Noeses, p. 329, 346.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[6] IVO, Gabriel. A Incid\u00eancia da Norma Jur\u00eddica. S\u00e3o Paulo: Noeses, p. 273-274.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[7] ATALIBA, Geraldo. Hip\u00f3tese de Incid\u00eancia Tribut\u00e1ria, p. 80-81; 87-88; 90-91.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[8] CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tribut\u00e1rio: linguagem e m\u00e9todo, p. 949.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[9] BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tribut\u00e1rio, p. 352.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[10] FERRAGUT, Maria Rita. Presun\u00e7\u00f5es no Direito Tribut\u00e1rio. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 119; 164.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[11] TOM\u00c9, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tribut\u00e1rio. 4\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Noeses, 2016, p. 239.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[12] TOM\u00c9, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tribut\u00e1rio, p. 48.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[13] CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tribut\u00e1rio: linguagem e m\u00e9todo, p. 984.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[14] TOM\u00c9, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tribut\u00e1rio, p. 182.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[15] FERRAGUT, Maria Rita. Presun\u00e7\u00f5es no Direito Tribut\u00e1rio, p. 115-119.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[16] BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tribut\u00e1rio, p. 346.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">[17] CARVALHO, Aurora Tomazini de. Curso de Teoria Geral do Direito. S\u00e3o Paulo: Noeses, p. 322.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>FONTE: CONSULTOR JUR\u00cdDICO \u2013 POR LEANDRO GON\u00c7ALVES KUSTER<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria estadual tem se valido, cada vez com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-hlu","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66680"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66680"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66680\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66682,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66680\/revisions\/66682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}