{"id":63897,"date":"2026-06-09T11:50:42","date_gmt":"2026-06-09T14:50:42","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=63897"},"modified":"2026-06-09T11:50:44","modified_gmt":"2026-06-09T14:50:44","slug":"associacao-beneficente-tem-direito-a-isencao-de-icms-decide-juiza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/06\/09\/associacao-beneficente-tem-direito-a-isencao-de-icms-decide-juiza\/","title":{"rendered":"ASSOCIA\u00c7\u00c3O BENEFICENTE TEM DIREITO \u00c0 ISEN\u00c7\u00c3O DE ICMS, DECIDE JU\u00cdZA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O indeferimento da isen\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (<strong>ICMS<\/strong>) pela autoridade fazend\u00e1ria, baseado em d\u00favida e n\u00e3o fundamentado em auditoria fiscal contr\u00e1ria, constitui ato abusivo, especialmente quando o contribuinte cumpre o \u00f4nus de provar a natureza de suas atividades por meio da juntada de documenta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com base nesse entendimento, a 11\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica de Salvador (BA) deferiu o pedido liminar de uma associa\u00e7\u00e3o beneficente contra a secretaria de Fazenda estadual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O caso concreto trata-se de um <strong>mandado de seguran\u00e7a c\u00edvel<\/strong> ajuizado pela associa\u00e7\u00e3o beneficente, que atua com coleta e venda de roupas e bens doados e questiona o indeferimento de seu credenciamento para ter acesso \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do imposto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A entidade requer a suspens\u00e3o da cobran\u00e7a de ICMS. Alega que a n\u00e3o concess\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o e a cobran\u00e7a imediata do imposto causam preju\u00edzos irrepar\u00e1veis \u00e0 continuidade de suas atividades. A associa\u00e7\u00e3o questiona os fundamentos da administra\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria para indeferir o credenciamento \u00e0 isen\u00e7\u00e3o \u2014 expira\u00e7\u00e3o do Certificado de Entidade Beneficente de Assist\u00eancia Social (Cebas); impossibilidade de verificar a aus\u00eancia de finalidade lucrativa; e volume de recursos operados e transfer\u00eancias p\u00fablicas incompat\u00edveis com o benef\u00edcio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A associa\u00e7\u00e3o sustenta que preenche todos os requisitos legais previstos no artigo 265, inciso XI, do regulamento do ICMS do estado da Bahia para a isen\u00e7\u00e3o do ICMS e alega que seu certificado Cebas n\u00e3o estava expirado. A secretaria de Fazenda estadual, por sua vez, argumenta que indeferiu a isen\u00e7\u00e3o porque o certificado Cebas da associa\u00e7\u00e3o havia expirado, o que a impossibilitou de localizar o andamento da renova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Prova t<\/strong><strong>\u00e9cnica <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A ju\u00edza Marcia Gottschald Ferreira deferiu o pedido liminar da associa\u00e7\u00e3o para suspender a exigibilidade do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio de ICMS relativo \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda interna de mercadorias doadas e opera\u00e7\u00f5es subsequentes realizadas pela entidade. O entendimento dela \u00e9 de que a negativa de credenciamento da secretaria imp\u00f5e \u00e0 associa\u00e7\u00e3o o recolhimento imediato de ICMS sobre as opera\u00e7\u00f5es que a lei estadual, em tese, isentou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A julgadora fundamentou a decis\u00e3o nos termos do artigo 151, inciso IV, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, que disp\u00f5e sobre as hip\u00f3teses de suspens\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, e no artigo 5\u00ba, LXIX, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que disp\u00f5e sobre a medida para proteger direito l\u00edquido e certo quando o respons\u00e1vel pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade p\u00fablica, e nos artigos 1\u00ba e 7\u00ba da Lei 12.016\/2009, que disciplina o mandado de seguran\u00e7a e trata da relev\u00e2ncia do fundamento (fumus boni iuris) e do risco de inefic\u00e1cia da medida caso seja deferida apenas ao final (periculum in mora).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ferreira analisou ponto a ponto os argumentos da administra\u00e7\u00e3o fazend\u00e1ria para a negativa da concess\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o do ICMS. O primeiro deles, de que a associa\u00e7\u00e3o estaria com certificado Cebas expirado, n\u00e3o prosperou, pois a entidade apresentou o protocolo que comprovava que a renova\u00e7\u00e3o havia sido realizada antes do t\u00e9rmino da vig\u00eancia anterior.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Quanto \u00e0 alegada impossibilidade de verifica\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de finalidade lucrativa e da destina\u00e7\u00e3o das receitas, a magistrada destacou que a associa\u00e7\u00e3o apresentou um relat\u00f3rio detalhando a transfer\u00eancia de fundos para financiar projetos sociais. Segundo a ju\u00edza, a alega\u00e7\u00e3o administrativa de que n\u00e3o seria poss\u00edvel aferir a destina\u00e7\u00e3o dos recursos parece confrontar-se com a prova documental t\u00e9cnica apresentada, que demonstra que o super\u00e1vit operacional da associa\u00e7\u00e3o \u00e9 reinvestido em suas finalidades estatut\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cAssim, em um primeiro momento, o indeferimento baseado em d\u00favida n\u00e3o fundamentada em auditoria fiscal contr\u00e1ria constitui ato abusivo, especialmente quando o contribuinte cumpre com o \u00f4nus de provar sua natureza assistencial atrav\u00e9s da juntada de documenta\u00e7\u00e3o\u201d, decidiu. \u201cPor fim, quanto ao argumento de que o \u2018volume das opera\u00e7\u00f5es\u2019 e o \u2018conjunto de recursos de entes p\u00fablicos\u2019 obstariam \u00e0 isen\u00e7\u00e3o, vislumbra-se aparente ilegalidade, uma vez que n\u00e3o h\u00e1, na norma de reg\u00eancia, qualquer limitador relacionado ao faturamento total da entidade ou \u00e0 origem p\u00fablica de suas outras receitas para o credenciamento aqui pleiteado.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Atuou no caso a advogada Mayra Lago. <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Clique <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/isenc\u0327a\u0303o-de-ICMS-Bahia-associacao-beneficente.pdf\">aqui<\/a> para ler a decis\u00e3o <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>MS 8094302-56.2026.8.05.0001.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: CONSULTOR JUR\u00cdDICO<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O indeferimento da isen\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-gCB","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63897"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63898,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63897\/revisions\/63898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}