{"id":60989,"date":"2026-03-18T10:24:48","date_gmt":"2026-03-18T13:24:48","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=60989"},"modified":"2026-03-18T10:24:48","modified_gmt":"2026-03-18T13:24:48","slug":"stj-nega-transferencia-de-recursos-a-massa-falida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/03\/18\/stj-nega-transferencia-de-recursos-a-massa-falida\/","title":{"rendered":"STJ NEGA TRANSFER\u00caNCIA DE RECURSOS A MASSA FALIDA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">3\u00aa Turma entende que valores depositados em ju\u00edzo para cumprimento de decis\u00e3o judicial antes da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia n\u00e3o devem ser repassados ao ju\u00edzo falimentar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que os valores depositados em ju\u00edzo para cumprimento de decis\u00e3o judicial antes da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia n\u00e3o devem ser transferidos ao ju\u00edzo falimentar nem passar a integrar a massa falida. O entendimento foi adotado pela 3\u00aa Turma em julgamento realizado ontem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa \u00e9 a primeira vez que o STJ analisa a quest\u00e3o, segundo especialistas. A 3\u00aa Turma, afirmam, j\u00e1 tinha entendimento de que os valores resultantes da aliena\u00e7\u00e3o de ativos deveriam ser incorporados \u00e0 massa falida, uma vez que ainda n\u00e3o havia destina\u00e7\u00e3o definitiva para eles. Nessa situa\u00e7\u00e3o, acrescentam, os recursos ainda integram o patrim\u00f4nio da devedora, o que atrai a incid\u00eancia do princ\u00edpio da universalidade do ju\u00edzo da fal\u00eancia (REsp 2220675).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O precedente, segundo advogados, n\u00e3o conflita com o caso julgado agora, uma vez que a convers\u00e3o em pagamento ocorreu antes da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, o que faz com que a obriga\u00e7\u00e3o seja considerada extinta. Dessa forma, n\u00e3o seria poss\u00edvel submeter os valores ao processo, uma vez que os recursos n\u00e3o integravam mais o patrim\u00f4nio do devedor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cComo a defini\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito ocorreu antes da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, entendeu-se que n\u00e3o h\u00e1 valores a serem transferidos ao ju\u00edzo universal, pois a fal\u00eancia n\u00e3o teria o cond\u00e3o de desconstituir pagamentos v\u00e1lidos realizados anteriormente\u201d, diz a advogada Juliana Bumachar, s\u00f3cia do Bumachar Advogados Associados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No caso, a empresa devia pouco mais de R$ 260 mil a t\u00edtulos de alugu\u00e9is e outros encargos condominiais vencidos em 2022, pela loca\u00e7\u00e3o de um ponto comercial em um shopping em Santos (SP). Na \u00e9poca, estava em recupera\u00e7\u00e3o judicial h\u00e1 quatro anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O valor devido foi depositado em ju\u00edzo. A empresa, por\u00e9m, teve seus pedidos de revis\u00e3o dos valores negados e foi condenada a pag\u00e1-los &#8211; no que ficou constitu\u00eddo o t\u00edtulo da execu\u00e7\u00e3o judicial. A execu\u00e7\u00e3o transitou em julgado, sem mais chance de recursos, antes da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, que ocorreu em outubro de 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Diante da decreta\u00e7\u00e3o da quebra, no entanto, a ju\u00edza Sheyla Romano Dos Santos Moura, da 5\u00aa Vara C\u00edvel de Santos, entendeu que a execu\u00e7\u00e3o deveria ser suspensa e enviada para o ju\u00edzo da fal\u00eancia, e o credor deveria se habilitar nos autos desse processo para reaver seu cr\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A 30\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP), por\u00e9m, reverteu a decis\u00e3o com base no fato de que a d\u00edvida questionada constitui cr\u00e9dito extraconcursal e, por isso, n\u00e3o se sujeitaria ao ju\u00edzo falimentar (processo n\u00ba 2001344-45.2024.8.26.0000).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No STJ, por unanimidade, a 3\u00aa Turma manteve a decis\u00e3o do TJSP (REsp 2179505). Segundo o relator, ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, uma vez transitados em julgado os embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantia devida, \u201co dep\u00f3sito se converte em cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o, de modo que n\u00e3o h\u00e1 valores a serem transferidos ao ju\u00edzo falimentar\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cO ju\u00edzo universal da fal\u00eancia somente se instaura com o decreto falimentar, nos termos do artigo 76 da Lei n\u00ba 11.101, n\u00e3o alcan\u00e7ando lastro de satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito definitivamente constitu\u00eddos antes da quebra, inexistindo efeito desconstitutivo sobre pagamentos l\u00edcitos anteriormente realizados\u201d, afirmou o ministro em seu voto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ministro tamb\u00e9m lembrou que, no julgamento do REsp 182963, a Corte Especial definiu que o dep\u00f3sito judicial feito para garantia do ju\u00edzo \u201cn\u00e3o possui efeito liberat\u00f3rio enquanto pendente controv\u00e9rsia acerca do cr\u00e9dito\u201d. Como nos autos analisados n\u00e3o havia mais essa controv\u00e9rsia, ele entendeu que cabe \u201cao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o ultimar os atos necess\u00e1rios \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o dos mandados de levantamento\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u00a0Andr\u00e9 Moraes, s\u00f3cio do Moraes &amp; Savaget Advogados, afirma que o entendimento do STJ segue a mesma l\u00f3gica da legisla\u00e7\u00e3o. Conforme o especialista, a libera\u00e7\u00e3o dos valores n\u00e3o afronta a compet\u00eancia do ju\u00edzo universal da fal\u00eancia nem a igualdade entre os credores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cA jurisprud\u00eancia do STJ costuma impedir, ap\u00f3s a fal\u00eancia, o levantamento de quantias que ainda funcionam apenas como garantia e cuja destina\u00e7\u00e3o final ainda depende de defini\u00e7\u00e3o pelo ju\u00edzo universal\u201d, afirma. \u201cAqui, por\u00e9m, o quadro \u00e9 diferente: como o cr\u00e9dito j\u00e1 estava definido antes da quebra e os valores j\u00e1 haviam sido depositados, a decis\u00e3o apenas preserva uma situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica j\u00e1 consolidada, sem esvaziar o concurso de credores.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: VALOR ECON\u00d4MICO &#8211; POR LUIZA CALEGARI \u2014 DE S\u00c3O PAULO<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>3\u00aa Turma entende que valores depositados em ju\u00edzo para cumprimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-fRH","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60989"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60989"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60990,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60989\/revisions\/60990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}