{"id":60068,"date":"2026-02-20T09:25:30","date_gmt":"2026-02-20T12:25:30","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=60068"},"modified":"2026-02-20T09:25:30","modified_gmt":"2026-02-20T12:25:30","slug":"reforma-cria-ponto-em-comum-entre-restaurante-museu-e-clube-de-tiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/02\/20\/reforma-cria-ponto-em-comum-entre-restaurante-museu-e-clube-de-tiro\/","title":{"rendered":"REFORMA CRIA PONTO EM COMUM ENTRE RESTAURANTE, MUSEU E CLUBE DE TIRO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A reforma tribut\u00e1ria do consumo foi desenhada para operar sob l\u00f3gica de IVA dual (IBS\/CBS): neutralidade, n\u00e3o cumulatividade ampla e cr\u00e9dito financeiro como regra. A Constitui\u00e7\u00e3o, no artigo 156-A, \u00a71\u00ba, VIII, admite exce\u00e7\u00e3o exclusivamente para aquisi\u00e7\u00f5es de \u201cuso ou consumo pessoal\u201d especificadas em lei complementar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ocorre que a Lei Complementar n\u00ba 214\/2025, ao definir esse conceito e vedar cr\u00e9ditos (artigos 47 e 57), abre uma zona cinzenta: h\u00e1 bens e servi\u00e7os listados como \u201cpessoais\u201d que, em certos setores, n\u00e3o s\u00e3o frui\u00e7\u00e3o privada do contribuinte, mas elementos essenciais da atividade econ\u00f4mica. \u00c9 nesse atrito entre neutralidade prometida e cumulatividade produzida por classifica\u00e7\u00e3o ampla que restaurantes, museus e clubes de tiro podem se encontrar no mesmo contencioso: o do direito ao cr\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>O que restaurantes, museus e clubes de tiro t\u00eam em comum?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u00c0 primeira vista, nada. Um vende experi\u00eancia gastron\u00f4mica; outro exp\u00f5e acervos; o terceiro oferece pr\u00e1tica esportiva regulada. Mas a reforma tribut\u00e1ria cria um ponto de contato inesperado: todos podem operar com bens e servi\u00e7os que a lei rotula como \u201cuso ou consumo pessoal\u201d \u2014 e, por isso, nega cr\u00e9dito \u2014 embora, na pr\u00e1tica, sejam instrumentos da atividade e n\u00e3o \u201cconsumo privado\u201d do contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O tema importa porque o IBS e a CBS n\u00e3o foram concebidos para repetir a tributa\u00e7\u00e3o em cascata t\u00edpica de sistemas cumulativos. Pelo contr\u00e1rio: o IVA dual nasce para tributar apenas o valor agregado e preservar a neutralidade concorrencial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>IVA dual e n\u00e3o cumulatividade: regra \u00e9 creditar<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Constitui\u00e7\u00e3o foi direta ao estruturar o IBS como imposto de compet\u00eancia compartilhada e, sobretudo, ao impor a n\u00e3o cumulatividade como regra: o imposto ser\u00e1 n\u00e3o cumulativo, com compensa\u00e7\u00e3o do imposto devido pelo contribuinte com o montante cobrado nas opera\u00e7\u00f5es em que seja adquirente, excetuadas exclusivamente as aquisi\u00e7\u00f5es de uso ou consumo pessoal especificadas em lei complementar (al\u00e9m de outras hip\u00f3teses constitucionais). \u00c9 o artigo 156-A, \u00a71\u00ba, VIII.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa palavra \u2014 exclusivamente \u2014 n\u00e3o \u00e9 enfeite. Ela limita a exce\u00e7\u00e3o. Em um IVA, o cr\u00e9dito n\u00e3o \u00e9 \u201cbenef\u00edcio\u201d; \u00e9 a engrenagem que impede a cumulatividade e assegura neutralidade. Se a exce\u00e7\u00e3o cresce demais, a regra morre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Detalhe operacional que aumenta fric\u00e7\u00e3o: cr\u00e9dito condicionado \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Lei Complementar n\u00ba 214\/2025 refor\u00e7a a natureza \u201cfinanceira\u201d do sistema ao condicionar a apropria\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, no regime regular, \u00e0 extin\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos relativos \u00e0s opera\u00e7\u00f5es em que o contribuinte seja adquirente. \u00c9 o que diz o artigo 47: o cr\u00e9dito do IBS e da CBS nasce quando ocorre a extin\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito (por modalidades previstas na pr\u00f3pria lei), excetuadas exclusivamente as aquisi\u00e7\u00f5es consideradas de uso ou consumo pessoal (artigo 57) e outras hip\u00f3teses legais.<\/span><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Na pr\u00e1tica, isso torna ainda mais sens\u00edvel qualquer veda\u00e7\u00e3o por \u201cclassifica\u00e7\u00e3o\u201d: se o cr\u00e9dito depende do pagamento\/extin\u00e7\u00e3o, negar cr\u00e9dito por leitura expansiva de \u201cuso pessoal\u201d pode produzir cumulatividade real, e n\u00e3o apenas discuss\u00f5es cont\u00e1beis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Exce\u00e7\u00e3o constitucional: \u2018uso ou consumo pessoal\u2019 e risco do conceito el\u00e1stico<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A LC 214\/2025 define, no artigo 57, um rol de bens e servi\u00e7os considerados de uso ou consumo pessoal, incluindo joias, obras de arte e antiguidades, bebidas alco\u00f3licas, derivados do tabaco, armas e muni\u00e7\u00f5es, e bens e servi\u00e7os recreativos, esportivos e est\u00e9ticos (entre outros itens e desdobramentos).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">At\u00e9 aqui, nada de anormal: a Constitui\u00e7\u00e3o autorizou a exce\u00e7\u00e3o. O problema surge quando \u201cuso ou consumo pessoal\u201d vira um r\u00f3tulo expansivo, capaz de abarcar bens e servi\u00e7os que, em determinados modelos de neg\u00f3cio, s\u00e3o preponderantemente afetados \u00e0 atividade econ\u00f4mica. A exce\u00e7\u00e3o deixa de ser barreira contra frui\u00e7\u00e3o privada e passa a funcionar como mecanismo de cumulatividade setorial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A pr\u00f3pria lei percebe esse risco e cria uma v\u00e1lvula de coer\u00eancia: o \u00a73\u00ba do artigo 57 estabelece que n\u00e3o se consideram de uso ou consumo pessoal os bens e servi\u00e7os utilizados preponderantemente na atividade econ\u00f4mica do contribuinte, com crit\u00e9rios espec\u00edficos por categoria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Esse \u00a73\u00ba \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do debate. Ele aponta um caminho: n\u00e3o basta olhar \u201co nome\u201d do bem; \u00e9 preciso olhar a fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Restaurantes: \u2018est\u00e9tico\u2019 como insumo da experi\u00eancia<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Restaurantes n\u00e3o vendem apenas alimento. Vendem tamb\u00e9m ambiente, conceito, conforto, experi\u00eancia. Em muitos casos, itens enquadr\u00e1veis como \u201crecreativos, esportivos e est\u00e9ticos\u201d (artigo 57, I, \u201cf\u201d) n\u00e3o s\u00e3o luxo do dono; s\u00e3o parte da presta\u00e7\u00e3o ao cliente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A LC 214\/2025, no \u00a73\u00ba, j\u00e1 antecipa esse tipo de situa\u00e7\u00e3o ao prever que os bens e servi\u00e7os da al\u00ednea \u201cf\u201d n\u00e3o ser\u00e3o considerados \u201cpessoais\u201d quando utilizados exclusivamente em estabelecimento f\u00edsico pelos clientes, em certas condi\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Aqui a tese tende a ser mais \u201climpa\u201d: se a frui\u00e7\u00e3o \u00e9 do cliente, no estabelecimento, e o gasto \u00e9 estrutural para a oferta (e n\u00e3o para deleite privado do contribuinte), negar cr\u00e9dito pode significar tributar em cascata um componente essencial do servi\u00e7o. O ponto sens\u00edvel, como sempre, ser\u00e1 probat\u00f3rio: demonstrar a afeta\u00e7\u00e3o ao estabelecimento, a finalidade comercial e a l\u00f3gica de gera\u00e7\u00e3o de receita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Museus: quando a obra n\u00e3o \u00e9 mercadoria, mas \u00e9 o pr\u00f3prio neg\u00f3cio<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O caso dos museus \u00e9 mais provocativo, porque exp\u00f5e uma lacuna t\u00edpica de listas: elas funcionam bem para \u201cpadr\u00f5es\u201d, mas sofrem nos casos em que o bem listado \u00e9 o n\u00facleo da atividade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Obras de arte e antiguidades aparecem no artigo 57 como \u201cuso\/consumo pessoal\u201d. S\u00f3 que um museu n\u00e3o adquire uma obra para frui\u00e7\u00e3o privada do contribuinte. Ele a incorpora ao acervo para exposi\u00e7\u00e3o, curadoria, visita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, eventos, licenciamento de imagem, capta\u00e7\u00e3o de patroc\u00ednios. A obra n\u00e3o \u00e9 \u201cconsumo\u201d; \u00e9 ativo operacional e, em muitos casos, a raz\u00e3o de existir do servi\u00e7o prestado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Se, ainda assim, a classifica\u00e7\u00e3o \u201cpessoal\u201d prevalecer automaticamente, o sistema cria uma ilha de cumulatividade justamente onde a atividade depende do ativo cultural. Isso colide com a neutralidade do IVA dual: tributa-se a cadeia e, ao mesmo tempo, impede-se o mecanismo que evita a cascata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Aqui o \u00a73\u00ba do artigo 57 precisa ser lido com seriedade: a discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u201cgostar de arte\u201d, \u00e9 se o bem \u00e9 preponderantemente afetado \u00e0 atividade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Clubes de tiro: arma como instrumento de presta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u2018uso pessoal\u2019<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O tema fica ainda mais sens\u00edvel (e, por isso, relevante) quando entra \u201carmas e muni\u00e7\u00f5es\u201d, listadas como uso\/consumo pessoal no artigo 57.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A pr\u00f3pria lei, por\u00e9m, reconhece que arma n\u00e3o \u00e9 necessariamente \u201cpessoal\u201d em qualquer contexto: o \u00a73\u00ba trata de hip\u00f3teses em que armas\/muni\u00e7\u00f5es deixam de ser consideradas de uso pessoal, inclusive quando utilizadas por empresas de seguran\u00e7a (al\u00e9m de situa\u00e7\u00f5es de comercializa\u00e7\u00e3o ou fabrica\u00e7\u00e3o, nos termos do dispositivo).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Isso \u00e9 uma admiss\u00e3o importante: o legislador sabe que o crit\u00e9rio n\u00e3o pode ser moral ou simb\u00f3lico; tem de ser funcional. E \u00e9 justamente por isso que clubes de tiro entram no radar. Em estandes, armas e muni\u00e7\u00f5es podem ser instrumentos essenciais para a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o ao cliente (treinamento, pr\u00e1tica, experi\u00eancias monitoradas), com uso controlado, regras internas, rastreabilidade e frui\u00e7\u00e3o do consumidor, n\u00e3o do contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O contra-argumento prov\u00e1vel \u00e9 conhecido: \u201ca lei s\u00f3 excepcionou seguran\u00e7a e comercializa\u00e7\u00e3o\/fabrica\u00e7\u00e3o; logo, n\u00e3o quis abarcar clubes\u201d. Essa leitura, se adotada de forma r\u00edgida, tensiona a Constitui\u00e7\u00e3o: o que a CF autoriza excluir \u00e9 o uso ou consumo pessoal, n\u00e3o o \u201cuso socialmente controverso\u201d. O IVA dual n\u00e3o deveria recriar cumulatividade por prefer\u00eancias impl\u00edcitas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Ponto central: exce\u00e7\u00e3o est\u00e1 se alargando al\u00e9m do \u2018pessoal\u2019<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Repare no movimento. A Constitui\u00e7\u00e3o permite uma exce\u00e7\u00e3o estreita e nomeada: \u201cuso ou consumo pessoal\u201d. A lei lista itens e, para evitar injusti\u00e7as \u00f3bvias, cria o crit\u00e9rio do uso preponderante (artigo 57, \u00a73\u00ba).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O problema \u00e9 quando a interpreta\u00e7\u00e3o administrativa (ou a aplica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do rol) transforma o \u201cpessoal\u201d em uma categoria el\u00e1stica, que captura aquilo que \u00e9, na vida real, insumo funcional da atividade. A\u00ed a exce\u00e7\u00e3o deixa de ser exce\u00e7\u00e3o e vira regra de cumulatividade disfar\u00e7ada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">E, num sistema em que o cr\u00e9dito j\u00e1 \u00e9 condicionado \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito (artigo 47), essa cumulatividade \u00e9 sentida no caixa e no pre\u00e7o, exatamente o contr\u00e1rio da neutralidade prometida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Por que isso tende a judicializar<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Quando um contribuinte consegue demonstrar que determinado bem\/servi\u00e7o n\u00e3o \u00e9 frui\u00e7\u00e3o privada, mas componente preponderantemente afetado \u00e0 atividade econ\u00f4mica, e ainda assim tem o cr\u00e9dito negado por leitura ampliativa de \u201cuso pessoal\u201d, o conflito deixa de ser \u201cinterpretativo\u201d e passa a ser de compatibilidade entre a restri\u00e7\u00e3o e o desenho constitucional da n\u00e3o cumulatividade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesse cen\u00e1rio, a judicializa\u00e7\u00e3o tende a aparecer como caminho quase natural \u2014 n\u00e3o como aventura, mas como tentativa de recolocar o sistema no trilho: exce\u00e7\u00e3o estrita, neutralidade, n\u00e3o cumulatividade efetiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>O que deve ser bem feito antes do contencioso: prova e governan\u00e7a<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A \u201ctese\u201d n\u00e3o se sustenta em slogans. Sustenta-se em lastro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para discutir cr\u00e9dito em situa\u00e7\u00f5es-limite, o contribuinte precisar\u00e1 documentar: (1) onde e como o bem \u00e9 utilizado; (2) quem frui; (3) como aquilo se conecta \u00e0 receita; (4) quais controles impedem desvio para frui\u00e7\u00e3o privada; (5) como se cumpre o crit\u00e9rio do uso preponderante do artigo 57, \u00a73\u00ba.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Sem isso, o debate vira subjetivo \u2014 e subjetividade \u00e9 tudo o que o IVA dual prometeu evitar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O que restaurantes, museus e clubes de tiro t\u00eam em comum n\u00e3o \u00e9 estilo de vida. \u00c9 um problema jur\u00eddico de desenho: se \u201cuso ou consumo pessoal\u201d virar um conceito el\u00e1stico, capaz de negar cr\u00e9dito onde h\u00e1 uso preponderantemente empresarial, o IVA dual perde neutralidade e volta a flertar com a cumulatividade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Constitui\u00e7\u00e3o autorizou a exce\u00e7\u00e3o exclusivamente para uso\/consumo pessoal. A lei complementar a detalhou e criou um corretivo pelo crit\u00e9rio do uso preponderante. O pr\u00f3ximo cap\u00edtulo \u2014 inevitavelmente \u2014 ser\u00e1 definir, caso a caso, se o sistema vai respeitar essa fronteira ou se a fronteira vai se mover.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Se ela se mover demais, a judicializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 surpresa. Ser\u00e1 consequ\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: CONSULTOR JUR\u00cdDICO\u00a0 &#8211; POR FELIPE MARTINELLI BARBOSA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma tribut\u00e1ria do consumo foi desenhada para operar sob [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[9],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-fCQ","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60068"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60068"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60069,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60068\/revisions\/60069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}