{"id":59579,"date":"2026-02-05T11:01:32","date_gmt":"2026-02-05T14:01:32","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=59579"},"modified":"2026-02-05T11:01:32","modified_gmt":"2026-02-05T14:01:32","slug":"ano-de-2025-fecha-com-recorde-de-empresas-em-recuperacao-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/02\/05\/ano-de-2025-fecha-com-recorde-de-empresas-em-recuperacao-judicial\/","title":{"rendered":"ANO DE 2025 FECHA COM RECORDE DE EMPRESAS EM RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de <\/strong>companhias em reestrutura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds no \u00faltimo trimestre de 2024, houve um aumento de 24,3%<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ano de 2025 fechou com recorde de 5.680 empresas em recupera\u00e7\u00e3o judicial no pa\u00eds, o que representa aumento de 24,3% em rela\u00e7\u00e3o ao estoque registrado no fim de 2024. Ao todo, 1.665 companhias entraram em processo de reestrutura\u00e7\u00e3o no ano passado &#8211; uma alta de 35,2% em rela\u00e7\u00e3o a 2024 -, enquanto 561 sa\u00edram. Os dados s\u00e3o do Monitor RGF de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial, compartilhados com exclusividade ao Valor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O levantamento tamb\u00e9m revela que, somente no \u00faltimo trimestre, 510 empresas buscaram o Judici\u00e1rio para se reestruturar &#8211; outro n\u00famero sem precedentes, com crescimento de 7,5% ante os tr\u00eas meses anteriores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O valor dos passivos tamb\u00e9m cresceu. As d\u00edvidas declaradas por essas 510 empresas somam R$ 40 bilh\u00f5es, mais do que o dobro dos R$ 16 bilh\u00f5es registrados no terceiro trimestre de 2025. Quase metade desse montante decorre do passivo da ind\u00fastria petroqu\u00edmica Unigel, de R$ 19 bilh\u00f5es, que pediu recupera\u00e7\u00e3o em outubro do ano passado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-59580\" src=\"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem1.jpg 567w, https:\/\/bonettiassociados.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Imagem1-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Apesar do aumento expressivo, a quantidade de empresas em reestrutura\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a \u00e9 minoria em rela\u00e7\u00e3o ao total do pa\u00eds: 2,13 a cada mil ativas, mostra o \u00cdndice RGF de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial (IRJ-RGF). A crise \u00e9 ainda mais acentuada no setor da agropecu\u00e1ria (13,53), seguido da ind\u00fastria (6,74) e infraestrutura (4,11). Abaixo da m\u00e9dia nacional est\u00e3o o com\u00e9rcio (1,81) e servi\u00e7os (1,02).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Estado com maior alta anual de CNPJs insolventes foi o do Mato Grosso do Sul: cresceu 84% em rela\u00e7\u00e3o a 2024, somando 68 companhias ao fim de 2025. Apesar do aumento, o IRJ-RGF do Mato Grosso do Sul ainda est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia nacional, em 1,96. Os segmentos com mais empresas em crise no Estado s\u00e3o do agroneg\u00f3cio: cultivo de soja (31,6) e cria\u00e7\u00e3o de bovinos (5,3). As regi\u00f5es com maior crescimento anual foram o Sudeste (33%), Sul (28%) e Norte (27%).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo especialistas, a principal causa alegada pelas empresas que pediram a prote\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a ainda \u00e9 a elevada taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, o que pressiona o caixa e encarece o custo da d\u00edvida. Citam ainda dificuldade no acesso a cr\u00e9dito, mais restrito desde a fraude da Americanas em 2023 &#8211; e tudo indica, acrescentam, que a situa\u00e7\u00e3o deve piorar, pelo rombo bilion\u00e1rio causado pelo Banco Master, que vai obrigar os grandes bancos a aportar bilh\u00f5es de reais no Fundo Garantidor de Cr\u00e9ditos (FGC).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Flutua\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio e as elei\u00e7\u00f5es que se aproximam tamb\u00e9m n\u00e3o devem melhorar esse cen\u00e1rio em 2026, acrescentam fontes. Somado a isso, o aumento das recupera\u00e7\u00f5es pode gerar efeito cascata nas pequenas e m\u00e9dias empresas neste ano, ap\u00f3s grandes corpora\u00e7\u00f5es recorrerem ao instituto, como Ambipar, Unigel, Bombril e Intercement, cujos planos de reestrutura\u00e7\u00e3o foram aprovados em 2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Rodrigo Gallegos, s\u00f3cio do RGF, diz que o crescimento em 2025 foi generalizado em todos os setores da economia. \u201cIsso demonstra que as empresas continuam com dificuldade de pagamento por causa da taxa Selic\u201d, afirma. Outro motivo, acrescenta, \u00e9 a dificuldade em negociar com credores, sobretudo financeiros, que restringem acesso a cr\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A solu\u00e7\u00e3o tem sido recorrer ao capital dos s\u00f3cios ou de fundos de investimento para financiamento &#8211; como o DIP, inserido na reforma da lei falimentar em 2020. No segundo caso, por\u00e9m, al\u00e9m dos juros altos, h\u00e1 exig\u00eancia de garantias robustas em troca do dinheiro novo, que muitas vezes empresas menores n\u00e3o t\u00eam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Al\u00e9m do dinheiro novo, Gallegos afirma ser essencial para as empresas fazer uma reestrutura\u00e7\u00e3o operacional e financeira para o processo dar certo. \u201cN\u00e3o adianta fazer reestrutura\u00e7\u00e3o operacional e melhorar s\u00f3 a efici\u00eancia sem olhar onde d\u00e1 mais dinheiro, porque a empresa precisa de inje\u00e7\u00e3o de dinheiro r\u00e1pida. O foco da gest\u00e3o n\u00e3o deve ser s\u00f3 cortar ou vender ativo. Tem que ver onde a empresa vai conseguir mais dinheiro e se segurar no per\u00edodo de reestrutura\u00e7\u00e3o\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Esse planejamento precisa ser revisitado com frequ\u00eancia, diz a consultora do RGF Roberta Gonzaga, mesmo ap\u00f3s os planos de recupera\u00e7\u00e3o aprovados. \u201cAs empresas tiveram o plano aprovado considerando uma premissa muitas vezes mais conservadora ou um recuo da taxa de juros, mas esses fatores t\u00eam que continuar sempre monitorados e ajustados. N\u00e3o \u00e9 porque aprovou a recupera\u00e7\u00e3o que a empresa come\u00e7a sem d\u00edvidas. Ela tem que pagar todo o passivo que foi negociado\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para a advogada Juliana Bumachar, s\u00f3cia do Bumachar Advogados Associados, que atua na reestrutura\u00e7\u00e3o de devedores, o aumento se justifica pelo amadurecimento do instituto da recupera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mais vista como sin\u00f4nimo de fal\u00eancia. \u201cA reforma [da lei] em 2020 trouxe uma seguran\u00e7a maior e as empresas acabam se valendo desse rem\u00e9dio. \u00c9 um instituto mais voltado para uma reorganiza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mais para a liquida\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201c<strong>N\u00e3o \u00e9 porque aprovou a recupera\u00e7\u00e3o que a empresa come\u00e7a sem d\u00edvidas<\/strong>\u201d \u2014 Roberta Gonzaga<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo ela, credores est\u00e3o mais organizados e dispostos ao di\u00e1logo, inclusive por meio de media\u00e7\u00f5es antecedentes, que podem evitar a pr\u00f3pria recupera\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 mais aquele cen\u00e1rio de \u2018quero entrar para destruir a empresa\u2019, n\u00e3o cola mais.\u201d Isso se reflete na cria\u00e7\u00e3o de subclasses e categorias espec\u00edficas para credores \u201cparceiros\u201d, afirma, que continuam fornecendo para a devedora no processo e recebem benef\u00edcios como des\u00e1gios menores e acelera\u00e7\u00e3o no pagamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para o advogado Daniel Carnio Costa, s\u00f3cio do Daniel Carnio Advogados e ex-juiz da 1\u00aa Vara de Fal\u00eancias e Recupera\u00e7\u00f5es Judiciais de S\u00e3o Paulo, a rela\u00e7\u00e3o entre a Selic alta e aumento dos pedidos \u00e9 \u201cevidente\u201d e ainda h\u00e1 impactos da pandemia da covid-19. \u201cTivemos uma s\u00e9rie de programas governamentais que facilitaram acesso a cr\u00e9dito e as empresas se endividaram. Mas, passado esse per\u00edodo, as empresas t\u00eam que pagar esses valores e a economia n\u00e3o se recupera na velocidade que deveria, ent\u00e3o elas come\u00e7am a ter dificuldade de cumprir obriga\u00e7\u00f5es\u201d, afirma. \u201cN\u00e3o se explica todas as recupera\u00e7\u00f5es pela pandemia, mas ainda h\u00e1 um rescaldo\u201d, acrescenta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Carnio tamb\u00e9m diz que a reforma da lei em 2020, da qual participou, criou ferramentas atrativas, como o DIP, o que incentivou seu uso. \u201cTem uma circunst\u00e2ncia macroecon\u00f4mica de cr\u00e9dito caro e de necessidade das empresas, aliada ao oferecimento de ferramentas de reestrutura\u00e7\u00e3o mais efetivas e variadas. Ent\u00e3o isso explica um aumento generalizado.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De acordo com o professor de reestrutura\u00e7\u00f5es corporativas Paulo Henrique Carna\u00faba, do Programa Avan\u00e7ado de Finan\u00e7as do Insper, existem causas internas e externas que levam empresas \u00e0 crise. A primeira se justifica pela m\u00e1-gest\u00e3o financeira. Mas nos pedidos ao Judici\u00e1rio, algumas companhias costumam colocar a \u201cculpa\u201d em fatores ex\u00f3genos &#8211; como taxa de juros e, no caso do agroneg\u00f3cio, quebras de safra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cA grande fraude hoje \u00e9 mentir para os credores em rela\u00e7\u00e3o ao que causou a crise para que as culpas sejam externas e se obtenha a piedade dos credores com des\u00e1gios gigantescos. \u00c9 uma forma de estelionato\u201d, afirma. Segundo ele, a restri\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tamb\u00e9m n\u00e3o justifica o aumento de pedidos. \u201cNo Brasil, o colch\u00e3o monet\u00e1rio que as institui\u00e7\u00f5es financeiras t\u00eam \u00e9 mais que suficiente para prover a economia inteira. Ou seja, dinheiro tem. Credibilidade para ir buscar, n\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE:\u00a0 VALOR ECON\u00d4MICO &#8211; POR MARCELA VILLAR \u2014 DE S\u00c3O PAULO<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de companhias em reestrutura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-fuX","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59579"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59579"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59579\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59581,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59579\/revisions\/59581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}