{"id":58977,"date":"2026-01-21T10:06:58","date_gmt":"2026-01-21T13:06:58","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=58977"},"modified":"2026-01-21T10:06:58","modified_gmt":"2026-01-21T13:06:58","slug":"creditos-de-pis-cofins-e-a-reforma-tributaria-o-desafio-tributario-da-mineracao-em-um-cenario-de-transicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/01\/21\/creditos-de-pis-cofins-e-a-reforma-tributaria-o-desafio-tributario-da-mineracao-em-um-cenario-de-transicao\/","title":{"rendered":"CR\u00c9DITOS DE PIS\/COFINS E A REFORMA TRIBUT\u00c1RIA: O DESAFIO TRIBUT\u00c1RIO DA MINERA\u00c7\u00c3O EM UM CEN\u00c1RIO DE TRANSI\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A minera\u00e7\u00e3o brasileira enfrenta um duplo desafio tribut\u00e1rio que evidencia, de forma clara, a dist\u00e2ncia entre o discurso de seguran\u00e7a jur\u00eddica e a pr\u00e1tica normativa do Estado. De um lado, a Receita Federal mant\u00e9m uma interpreta\u00e7\u00e3o restritiva sobre o aproveitamento de cr\u00e9ditos de PIS e Cofins em pesquisas minerais infrut\u00edferas, mesmo quando tais atividades s\u00e3o etapas obrigat\u00f3rias e essenciais para o desenvolvimento do setor. De outro, a reforma tribut\u00e1ria, prestes a ser implementada, introduz novas incid\u00eancias e custos, especialmente com o chamado imposto seletivo sobre a extra\u00e7\u00e3o mineral, em um momento de profunda transforma\u00e7\u00e3o do mercado global de commodities.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>O cr\u00e9dito como instrumento de coer\u00eancia econ\u00f4mica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A discuss\u00e3o sobre o aproveitamento de cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins n\u00e3o \u00e9 meramente t\u00e9cnica; ela reflete o grau de racionalidade do sistema tribut\u00e1rio. A posi\u00e7\u00e3o da Receita, que nega o direito ao cr\u00e9dito quando a pesquisa mineral n\u00e3o gera aproveitamento econ\u00f4mico direto, ignora um aspecto fundamental: a atividade miner\u00e1ria \u00e9, por natureza, de risco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Realizar uma pesquisa mineral \u00e9 condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e obrigat\u00f3ria para obten\u00e7\u00e3o da Portaria de Lavra, t\u00edtulo sem o qual a explora\u00e7\u00e3o sequer pode existir. Nessa l\u00f3gica, o disp\u00eandio com pesquisas, mesmo infrut\u00edferas, \u00e9 parte indissoci\u00e1vel do ciclo produtivo. O entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (Tema 779) \u00e9 claro ao definir que o conceito de insumo deve ser aferido \u00e0 luz da essencialidade e relev\u00e2ncia para a atividade do contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Portanto, negar o direito ao cr\u00e9dito \u00e9, na pr\u00e1tica, punir a pesquisa. E punir a pesquisa \u00e9 inibir o investimento. A decis\u00e3o recente do Tribunal Regional Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o, ao reconhecer o direito de mineradoras ao cr\u00e9dito, aponta um caminho de coer\u00eancia jur\u00eddica e econ\u00f4mica que precisa ser refor\u00e7ado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>O novo ciclo tribut\u00e1rio e seus impactos no setor mineral<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Empreendedorismo depende de normas previs\u00edveis, diz diretor jur\u00eddico do BNDES<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com o in\u00edcio da implementa\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria do consumo em 2026, o cen\u00e1rio torna-se ainda mais complexo. Al\u00e9m do sistema dual de transi\u00e7\u00e3o entre ICMS\/ISS e IBS\/CBS, a cria\u00e7\u00e3o do imposto seletivo sobre a minera\u00e7\u00e3o, com al\u00edquota de 0,25%, imp\u00f5e uma nova camada de custos \u00e0s opera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O car\u00e1ter cumulativo desse tributo, que n\u00e3o gera cr\u00e9ditos compens\u00e1veis, compromete a neutralidade econ\u00f4mica do sistema e amplia o risco de onera\u00e7\u00e3o em cadeia, afetando n\u00e3o apenas as mineradoras, mas toda a cadeia industrial de transforma\u00e7\u00e3o, da siderurgia \u00e0 metalurgia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Somam-se a isso a extin\u00e7\u00e3o gradual dos benef\u00edcios fiscais estaduais at\u00e9 2033 e a exig\u00eancia de conformidade tribut\u00e1ria digital em tempo real, o que demandar\u00e1 grandes investimentos em tecnologia, compliance e reestrutura\u00e7\u00e3o de processos. Entre a simplifica\u00e7\u00e3o e o desequil\u00edbrio<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Embora a promessa da reforma seja a simplifica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um risco concreto de desequil\u00edbrio setorial se a tributa\u00e7\u00e3o n\u00e3o refletir a especificidade das atividades econ\u00f4micas. A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ind\u00fastria de base intensiva em capital, dependente de ciclos longos de retorno e fortemente impactada por fatores ex\u00f3genos, como varia\u00e7\u00e3o cambial e volatilidade das commodities.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Aplicar sobre esse setor um modelo de tributa\u00e7\u00e3o linear, sem considerar essas particularidades, pode gerar descompasso entre arrecada\u00e7\u00e3o e competitividade, al\u00e9m de acentuar desigualdades regionais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Seguran\u00e7a jur\u00eddica e previsibilidade: a base da sustentabilidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Mais do que uma disputa sobre cr\u00e9ditos ou al\u00edquotas, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o modelo de governan\u00e7a fiscal do pa\u00eds. Um ambiente tribut\u00e1rio previs\u00edvel e coerente \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para atrair investimentos e garantir sustentabilidade econ\u00f4mica no longo prazo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u00c9 necess\u00e1rio que a pol\u00edtica tribut\u00e1ria brasileira caminhe em sintonia com as boas pr\u00e1ticas regulat\u00f3rias e com o princ\u00edpio da seguran\u00e7a jur\u00eddica, n\u00e3o apenas para arrecadar, mas para estimular a inova\u00e7\u00e3o, a pesquisa e a competitividade de um setor que \u00e9 estrat\u00e9gico para o desenvolvimento nacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Brasil precisa de um sistema tribut\u00e1rio que reconhe\u00e7a a pesquisa mineral n\u00e3o como despesa incerta, mas como investimento essencial e que trate a minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o como alvo de puni\u00e7\u00e3o fiscal, mas como pilar de desenvolvimento sustent\u00e1vel e de soberania econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: CONSULTOR JUR\u00cdDICO &#8211; POR MARCO ANT\u00d4NIO RUZENE<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A minera\u00e7\u00e3o brasileira enfrenta um duplo desafio tribut\u00e1rio que evidencia, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[9],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-flf","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58977"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58977"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58977\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58978,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58977\/revisions\/58978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}