{"id":582,"date":"2019-02-22T10:47:27","date_gmt":"2019-02-22T13:47:27","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=582"},"modified":"2019-02-22T10:47:27","modified_gmt":"2019-02-22T13:47:27","slug":"controversias-juridicas-da-reforma-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/02\/22\/controversias-juridicas-da-reforma-da-previdencia\/","title":{"rendered":"CONTROV\u00c9RSIAS JUR\u00cdDICAS DA REFORMA DA PREVID\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Anteriormente ao preenchimento dos requisitos, o segurado n\u00e3o possui um direito propriamente dito, mas expectativa de direito.<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesta semana, o governo federal apresentou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n\u00ba 6\/2019, que introduziu a t\u00e3o aguardada reforma da previd\u00eancia social, que abranger\u00e1 tanto o Regime Geral da Previd\u00eancia Social (RGPS) quanto os chamados Regimes Pr\u00f3prios de Previd\u00eancia Social (RPPS), aplic\u00e1veis aos servidores p\u00fablicos dos entes federados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Existe uma grande pol\u00eamica vinculada \u00e0 PEC, haja vista que essa assegura a manuten\u00e7\u00e3o da aplicabilidade do regime anterior apenas \u00e0queles que j\u00e1 se encontravam em pleno gozo dos benef\u00edcios. Essa restri\u00e7\u00e3o &#8211; ainda que tenha vindo acompanhada de regras diferenciadas para aqueles que j\u00e1 contribu\u00edam para o RGPS \u00e0 \u00e9poca da aprova\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional &#8211; \u00e9 objeto de intensas cr\u00edticas por setores da sociedade civil, que entendem haver direito adquirido ao antigo regime para todos os que adentraram o sistema anteriormente \u00e0s altera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Sob a \u00f3tica legal, \u00e9 assente nos tribunais brasileiros que inexiste direito adquirido a regime jur\u00eddico. Dessa forma, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se cogitar da aquisi\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 aposentadoria, uma vez preenchidos os requisitos necess\u00e1rios para se aposentar, ainda que, por escolha individual, o segurado naquele momento n\u00e3o se aposente. Assim, anteriormente ao preenchimento dos requisitos, o segurado n\u00e3o possui um direito propriamente dito, mas mera expectativa de direito, plenamente pass\u00edvel de sofrer modifica\u00e7\u00f5es por regras supervenientes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Anteriormente ao preenchimento dos requisitos, o segurado n\u00e3o possui um direito propriamente dito, mas expectativa de direito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Al\u00e9m dessa primeira pol\u00eamica, a organiza\u00e7\u00e3o do novo regime da previd\u00eancia social com base em sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode gerar questionamentos do ponto de vista legal. Se antes um trabalhador rec\u00e9m-admitido contribu\u00eda para viabilizar o pagamento da aposentadoria de indiv\u00edduo j\u00e1 aposentado, no novo regime o trabalhador contribuir\u00e1, na pr\u00e1tica, para o custeio da sua pr\u00f3pria aposentadoria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Embora essa medida promova a vincula\u00e7\u00e3o dos valores contribu\u00eddos ao indiv\u00edduo, auxiliando na mitiga\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de novos d\u00e9ficits, retira do sistema o seu pilar solid\u00e1rio, que est\u00e1 previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, excluindo da previd\u00eancia social pessoas que nunca trabalharam com carteira assinada, al\u00e9m de prejudicar aqueles que permaneceram por longo per\u00edodo desempregados e n\u00e3o foram capazes de contribuir o suficiente &#8211; por exemplo, como tem se verificado no caso do Chile, o qual adotou modalidade similar de regime de previd\u00eancia que tem sido objeto de muitas cr\u00edticas pela sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por fim, pode ser igualmente questionada uma das previs\u00f5es chave do equacionamento do d\u00e9ficit do sistema no longo prazo, qual seja: a limita\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios do RPPS aos benef\u00edcios pagos no \u00e2mbito do RGPS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Isso porque, a despeito dos desequil\u00edbrios vinculados ao RGPS, o principal fator apontado pelo Governo Federal como causa do agravamento do desequil\u00edbrio das contas previdenci\u00e1rias dos entes da Federa\u00e7\u00e3o \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o das folhas de pagamento dos ativos e aposentados e pensionistas do RPPS. Em 2017, conforme dados constantes do pr\u00f3prio texto da PEC, a insufici\u00eancia do RPPS dos servidores civis da Uni\u00e3o foi da ordem de R$ 45 bilh\u00f5es e da previd\u00eancia dos Estados e Distrito Federal, superior a R$ 93 bilh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u00c9 evidente que a sustentabilidade a longo prazo destes regimes encontra-se em cheque, de forma que n\u00e3o apenas se mostra necess\u00e1rio balizar os benef\u00edcios pagos nesses regimes, como tamb\u00e9m \u00e9 importante que pensemos em novas alternativas para o seu custeio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Estrategicamente, a PEC traz solu\u00e7\u00e3o imediata para reduzir os custos previdenci\u00e1rios dos entes e, ao mesmo tempo, assegurar a manuten\u00e7\u00e3o dos rendimentos dos servidores p\u00fablicos: a obrigatoriedade de todos os entes federativos, no prazo de at\u00e9 2 anos a contar da promulga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional, de institu\u00edrem regime de previd\u00eancia complementar para os seus servidores, na modalidade de contribui\u00e7\u00e3o definida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Referida proposta, embora tamb\u00e9m nos pare\u00e7a positiva, pode ser objeto de judicializa\u00e7\u00e3o pelos servidores no \u00e2mbito do RPPS, na medida em que, para mitigar a limita\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios, acaba por exigir destes desembolsos mensais para a recomposi\u00e7\u00e3o dos seus proventos na aposentadoria sem qualquer retorno imediato. Nesse sentido, os servidores podem questionar em que medida os entes federados teriam obriga\u00e7\u00e3o de contribuir para a previd\u00eancia privada de seus servidores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ante todo o exposto, muito embora a PEC traga propostas que nos parecem positivas e que ser\u00e3o capazes de efetivamente contribuir para a recupera\u00e7\u00e3o dos cofres p\u00fablicos, j\u00e1 \u00e9 e ser\u00e1 objeto de intensas cr\u00edticas, incumbindo ao Congresso Nacional emend\u00e1-la de forma a evitar novas perdas arrecadat\u00f3rias e ao mesmo tempo acomodar os interesses sociais em conflito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico &#8211; Por Cristiane Matsumoto e Eduardo Benclowicz<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anteriormente ao preenchimento dos requisitos, o segurado n\u00e3o possui um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-9o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/582"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=582"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":583,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/582\/revisions\/583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}