{"id":57848,"date":"2025-12-08T10:26:16","date_gmt":"2025-12-08T13:26:16","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=57848"},"modified":"2025-12-08T10:26:16","modified_gmt":"2025-12-08T13:26:16","slug":"comprovado-o-dolo-prazo-decadencial-para-anular-negocio-e-de-4-anos-diz-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2025\/12\/08\/comprovado-o-dolo-prazo-decadencial-para-anular-negocio-e-de-4-anos-diz-stj\/","title":{"rendered":"COMPROVADO O DOLO, PRAZO DECADENCIAL PARA ANULAR NEG\u00d3CIO \u00c9 DE 4 ANOS, DIZ STJ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a decidiu que o prazo decadencial para anular um neg\u00f3cio praticado de forma dolosa pelo mandat\u00e1rio \u00e9 de quatro anos, contados da conclus\u00e3o do ato. Com esse entendimento, o colegiado reconheceu que uma mulher ainda poderia pedir a anula\u00e7\u00e3o da venda de uma casa feita por pessoa que, embora tivesse procura\u00e7\u00e3o, agiu contra a sua vontade e sem poderes para tanto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ap\u00f3s se separar do marido, a autora da a\u00e7\u00e3o deu procura\u00e7\u00e3o a uma pessoa para que cuidasse da escritura p\u00fablica referente \u00e0 mea\u00e7\u00e3o da casa adquirida durante o casamento. Em 2014, por\u00e9m, a procuradora transferiu esses poderes ao ex-marido da autora, que, por sua vez, vendeu o im\u00f3vel para a pr\u00f3pria procuradora por apenas R$ 0,01. Segundo a autora, a mandat\u00e1ria n\u00e3o tinha poderes para fazer isso e agiu contra a sua vontade, causando-lhe preju\u00edzo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Passados tr\u00eas anos, a outorgante da procura\u00e7\u00e3o ajuizou a a\u00e7\u00e3o para anular a venda da casa. As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias acolheram o pedido, mas divergiram quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do prazo decadencial \u2014 que \u00e9 o tempo estabelecido legalmente para reclamar um direito. Para o ju\u00edzo de primeiro grau, ele \u00e9 de quatro anos, a contar do dia em que o neg\u00f3cio foi realizado. J\u00e1 o Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJ-PR) apontou que o prazo seria de dois anos, nos termos do artigo 179 do C\u00f3digo Civil (CC), iniciando-se, por\u00e9m, n\u00e3o na data da conclus\u00e3o do ato, como prev\u00ea o artigo, mas da data em que a autora tomou conhecimento do fato \u2014 o que, no caso, aconteceu em 2017.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em recurso especial, a mandat\u00e1ria pediu o reconhecimento da decad\u00eancia do direito da autora, sob o argumento de que o prazo de dois anos para requerer a anula\u00e7\u00e3o da venda do im\u00f3vel teria come\u00e7ado em 2014, quando o neg\u00f3cio foi realizado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Confian\u00e7a entre as partes<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A relatora, ministra Nancy Andrighi, lembrou que, conforme entendimento do STJ, o contrato de mandato tem natureza personal\u00edssima, baseando-se na rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e lealdade entre as partes. Nesse contexto, o mandat\u00e1rio, ao agir sem poderes e contra os interesses do mandante, quebra a confian\u00e7a que lhe foi depositada e comete ato il\u00edcito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cAssim, t\u00eam-se viola\u00e7\u00e3o do direito do mandante e, portanto, o mandat\u00e1rio comete um ato il\u00edcito, tendo em vista a presum\u00edvel e indispens\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e de lealdade que deveria existir entre mandat\u00e1rio e mandante\u201d, destacou a relatora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Prazo decadencial <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De acordo com a ministra, o mandat\u00e1rio que age contra a vontade do mandante e lhe causa preju\u00edzo pratica um ato doloso, circunst\u00e2ncia que \u2014 uma vez comprovada \u2014 enseja a aplica\u00e7\u00e3o do prazo decadencial de quatro anos, a contar da data de celebra\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, como determina o artigo 178, inciso II, do CC.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cPortanto, havendo dolo, o que se confirma diante do ato ou neg\u00f3cio jur\u00eddico praticado pelo mandat\u00e1rio em excesso de poderes para auferir vantagem ao passo que prejudica o mandante, o prazo decadencial para pleitear-se a anula\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico deve ser o prazo disciplinado no artigo 178, II, do CC, e, portanto, o prazo decadencial dever\u00e1 ser de quatro anos, contados a partir da celebra\u00e7\u00e3o do ato\u201d, concluiu a ministra ao negar provimento ao recurso especial. Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de imprensa do STJ.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Clique <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=341415890&amp;registro_numero=202402357597&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20251017&amp;formato=PDF\">aqui<\/a> para ler o ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>REsp 2.168.347<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: CONSULTOR JUR\u00cdDICO\u00a0 <\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a decidiu que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-f32","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57848"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57848"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57849,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57848\/revisions\/57849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}