{"id":57408,"date":"2025-11-25T09:44:17","date_gmt":"2025-11-25T12:44:17","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=57408"},"modified":"2025-11-25T09:44:17","modified_gmt":"2025-11-25T12:44:17","slug":"o-iss-fixo-como-criterio-proprio-de-tributacao-natureza-juridica-evolucao-constitucional-e-perspectivas-frente-a-reforma-tributaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2025\/11\/25\/o-iss-fixo-como-criterio-proprio-de-tributacao-natureza-juridica-evolucao-constitucional-e-perspectivas-frente-a-reforma-tributaria\/","title":{"rendered":"O ISS FIXO COMO CRIT\u00c9RIO PR\u00d3PRIO DE TRIBUTA\u00c7\u00c3O: NATUREZA JUR\u00cdDICA, EVOLU\u00c7\u00c3O CONSTITUCIONAL E PERSPECTIVAS FRENTE \u00c0 REFORMA TRIBUT\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A tributa\u00e7\u00e3o fixa do ISS para profissionais aut\u00f4nomos e sociedades uniprofissionais (SUPs) constitui um dos temas mais sens\u00edveis da tributa\u00e7\u00e3o municipal, sobretudo diante do novo arranjo introduzido pela EC 132\/2023 e regulamentado pela LC 214\/2025. Trata-se de mat\u00e9ria que tem sido historicamente objeto de intenso debate doutrin\u00e1rio: seria um benef\u00edcio fiscal? Um regime favorecido? Uma forma simplificada de apura\u00e7\u00e3o? Ou consiste, como sustenta a doutrina majorit\u00e1ria, em crit\u00e9rio pr\u00f3prio de determina\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo, com fundamento constitucional e respaldo consolidado no STF?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Este artigo aprofunda essa discuss\u00e3o a partir de tr\u00eas eixos centrais: (i) a evolu\u00e7\u00e3o constitucional e legal da tributa\u00e7\u00e3o fixa; (ii) a natureza jur\u00eddica do regime, especialmente \u00e0 luz do julgamento do RE 940.769\/RS[1], que reconheceu a plena legitimidade dessa forma de c\u00e1lculo; e (iii) os impactos da Reforma Tribut\u00e1ria, que determina o fim desse modelo em 2033. A an\u00e1lise adota abordagem cr\u00edtica t\u00edpica do direito tribut\u00e1rio, considerando efeitos fiscais, cont\u00e1beis e de pol\u00edtica p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong> Evolu\u00e7\u00e3o Constitucional do ISS Fixo<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, ao disciplinar o ISS, conferiu aos Munic\u00edpios e ao Distrito Federal a compet\u00eancia para institu\u00ed-lo, reservando \u00e0 lei complementar, em seu art. 156, \u00a73\u00ba, III, as normas gerais para tratamento do imposto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A regra vigente no Brasil \u00e9 a lei complementar n\u00ba 116\/03, que, mesmo definindo as regras gerais do imposto, n\u00e3o previu o tratamento aplicado \u00e0s sociedades uniprofissionais. Ocorre que, tal regra j\u00e1 estava expressa no Decreto-Lei n\u00ba 406\/68, recepcionado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, nos termos da S\u00famula 663 do STF[2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Dessa forma, a \u201ctributa\u00e7\u00e3o fixa\u201d aplica-se \u00e0s sociedades que prestem servi\u00e7os pr\u00f3prios de profiss\u00e3o regulamentada e que respondam pessoalmente pelos atos praticados, nos termos dos par\u00e1grafos 1\u00ba e 3\u00ba do art. 9\u00ba do Decreto-Lei n\u00ba 406\/68[3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Esse regime constitu\u00eda uma forma de adequar a cobran\u00e7a do ISS \u00e0 natureza do trabalho intelectual individual ou coletivo, cuja produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se equipara \u00e0s atividades empresariais tradicionais. Em vez de vincular o imposto ao faturamento \u2014 o que poderia distorcer a tributa\u00e7\u00e3o em atividades eminentemente personal\u00edssimas \u2014 o legislador optou por cobran\u00e7a fixa, baseada no n\u00famero de profissionais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Assim, uma vez que essa previs\u00e3o foi mantida em legisla\u00e7\u00f5es municipais e preservada pela LC 116\/2003, mesmo ap\u00f3s reestrutura\u00e7\u00f5es da lista de servi\u00e7os, as sociedades uniprofissionais possuem um direito reconhecido pelos Tribunais Superiores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Importante ressaltar que afirmar que a LC 116\/2003 \u201cpreservou\u201d o regime fixo \u00e9 tecnicamente correto, mas \u00e9 preciso reconhecer que sua aus\u00eancia de detalhamento tamb\u00e9m estimulou leituras segundo as quais a omiss\u00e3o legislativa n\u00e3o equivaleria, por si s\u00f3, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o. No entanto, como j\u00e1 mencionado, essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sustenta diante do arcabou\u00e7o constitucional: o regime fixo previsto no Decreto-Lei n\u00ba 406\/1968, recepcionado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 conforme pacificado pela S\u00famula 663 do STF, permaneceu plenamente vigente. Assim, a LC 116\/2003 n\u00e3o tinha necessidade de reafirma\u00e7\u00e3o expressa \u2014 limitou-se a manter intocado um modelo j\u00e1 validado constitucionalmente e jamais revogado ou substitu\u00eddo. Nesse contexto, a aus\u00eancia de altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o configura lacuna, mas simples continuidade normativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Outrossim, repita-se, a Constitui\u00e7\u00e3o, ao exigir lei complementar para regulamentar o ISS, nunca afastou o regime fixo \u2014 o que confirma sua plena legitimidade, afinal a jurisprud\u00eancia sempre tratou o art. 9\u00ba do DL 406\/1968 como recepcionado pela CF\/88, refor\u00e7ando a base constitucional.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong> Natureza Jur\u00eddica: Crit\u00e9rio de C\u00e1lculo e N\u00e3o Benef\u00edcio Fiscal<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A quest\u00e3o central, portanto, n\u00e3o \u00e9 se o regime \u00e9 favor\u00e1vel, mas se sua l\u00f3gica de c\u00e1lculo decorre da pr\u00f3pria natureza econ\u00f4mica do trabalho personal\u00edssimo. A doutrina majorit\u00e1ria e o STF convergem para esse entendimento\u201d, o que refor\u00e7a a afirmativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A discuss\u00e3o central consiste em determinar se o ISS fixo representa um benef\u00edcio fiscal e, por \u00f3bvio, n\u00e3o pode ser interpretado como tal, por tr\u00eas raz\u00f5es centrais:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>(a) N\u00e3o se trata de ren\u00fancia fiscal \u2014 mas de crit\u00e9rio de c\u00e1lculo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O art. 150, \u00a76\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o, que disciplina benef\u00edcios, isen\u00e7\u00f5es e incentivos fiscais, n\u00e3o se aplica ao ISS fixo. O regime fixa um modo alternativo de apura\u00e7\u00e3o com base na pr\u00f3pria l\u00f3gica das atividades intelectuais, sobretudo porque na hip\u00f3tese de cobran\u00e7a do ISS sobre o valor do servi\u00e7o, a base de c\u00e1lculo seria praticamente a mesma que do imposto de renda<strong>.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>(b) A Constitui\u00e7\u00e3o autoriza bases de c\u00e1lculo diferenciadas<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Constitui\u00e7\u00e3o admite que a legisla\u00e7\u00e3o complementar estabele\u00e7a crit\u00e9rios distintos de determina\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ISS, desde que voltados a refletir as especificidades econ\u00f4micas das atividades tributadas. O regime fixo se insere exatamente nessa moldura: deriva de lei complementar nacional \u2014 o Decreto-Lei n\u00ba 406\/1968, recepcionado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, conforme consolidado pela S\u00famula 663 do STF \u2014 e institui uma forma pr\u00f3pria de quantifica\u00e7\u00e3o do tributo para atividades personal\u00edssimas. No caso do ISS fixo h\u00e1 uma clara previs\u00e3o de base de c\u00e1lculo espec\u00edfica, que n\u00e3o representa um benef\u00edcio, mas um regime legal obrigat\u00f3rio quando preenchidos os requisitos das SUPs.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>(c) Compatibilidade com a capacidade contributiva<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ISS fixo n\u00e3o configura vantagem fiscal, mas adequa\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o \u00e0 renda potencial e ao car\u00e1ter personal\u00edssimo da atividade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa compreens\u00e3o foi definitivamente consolidada pela jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal no RE n\u00ba 940.769.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong> O RE 940.769\/RS: S\u00edntese, Fundamentos e Impactos<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O RE 940.769\/RS, com repercuss\u00e3o geral reconhecida, constitui o precedente mais importante sobre o tema. Munic\u00edpios buscavam afastar o ISS fixo para tributar SUPs com base no faturamento, alegando que o regime fixo teria natureza de benef\u00edcio fiscal que poderia ser suprimido unilateralmente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O STF rejeitou esse entendimento e firmou tese robusta, assentando tr\u00eas pilares fundamentais:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>4.1. O regime fixo possui fundamento constitucional \u2014 n\u00e3o \u00e9 cria\u00e7\u00e3o municipal<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Tribunal reconheceu que o modelo decorre de regra expressa em lei complementar, recepcionada pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. N\u00e3o h\u00e1 margem para Munic\u00edpios invocarem autonomia para desconstitu\u00ed-lo, ao passo que constitui regra geral do ISS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>4.2. As sociedades uniprofissionais n\u00e3o se equiparam \u00e0s empresas comuns<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Supremo Tribunal Federal reconheceu que as sociedades uniprofissionais possuem natureza distinta das sociedades empres\u00e1rias, justamente porque sua atividade est\u00e1 intrinsecamente vinculada ao trabalho intelectual e pessoal dos profissionais habilitados. Essa caracter\u00edstica, segundo a Corte, impede que sejam tratadas como estruturas empresariais t\u00edpicas, cuja l\u00f3gica de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de receita \u00e9 diversa. Por isso, o regime tribut\u00e1rio diferenciado \u00e9 constitucionalmente admitido, desde que preservada a presta\u00e7\u00e3o pessoal do servi\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Parafraseando a fiel fundamenta\u00e7\u00e3o: a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nas atividades personal\u00edssimas n\u00e3o se expressa de modo equivalente ao modelo empresarial, raz\u00e3o pela qual a tributa\u00e7\u00e3o pode e deve respeitar essa peculiaridade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>4.3. O regime fixo n\u00e3o \u00e9 benef\u00edcio fiscal \u2014 e por isso n\u00e3o pode ser suprimido unilateralmente<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Embora o ac\u00f3rd\u00e3o n\u00e3o utilize literalmente a express\u00e3o \u201cbenef\u00edcio fiscal\u201d, o racioc\u00ednio do Tribunal \u00e9 inequ\u00edvoco, ao passo que afirma que o regime constitui crit\u00e9rio de tributa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ren\u00fancia fiscal. Logo, n\u00e3o pode ser extinto ou substitu\u00eddo por lei municipal sob o pretexto de \u201crevoga\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa conclus\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada por passagens do relat\u00f3rio e voto que afirmam:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><em>\u201cA lei municipal n\u00e3o pode afastar regime tribut\u00e1rio previsto em lei complementar.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><em>\u201cA substitui\u00e7\u00e3o, pelo Munic\u00edpio, do regime fixo para regime ad valorem, sem respaldo em lei complementar, \u00e9 inconstitucional.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>4.4. Consequ\u00eancia direta da tese fixada<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Como o ISS fixo n\u00e3o \u00e9 benef\u00edcio fiscal, ent\u00e3o:<\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">n\u00e3o se submete ao art. 14 da LRF, pois representa crit\u00e9rio de c\u00e1lculo, n\u00e3o uma ren\u00fancia fiscal;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">n\u00e3o pode ser unilateralmente extinto;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">n\u00e3o depende de demonstra\u00e7\u00e3o de impacto financeiro-or\u00e7ament\u00e1rio;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">n\u00e3o pode ser <strong>substitu\u00eddo por regra municipal baseada em faturamento.<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O precedente fortalece a seguran\u00e7a jur\u00eddica das SUPs durante toda a vig\u00eancia do ISS at\u00e9 2032. Isso porque, n\u00e3o deve ser aplicada a regra de transi\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais, exatamente por n\u00e3o se enquadrar como tal a cobran\u00e7a do ISS fixo.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong> ISS Fixo e Regimes de Tributa\u00e7\u00e3o das Profiss\u00f5es Regulamentadas<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Sociedades de advogados, m\u00e9dicos, contadores, engenheiros, arquitetos, fisioterapeutas e outras profiss\u00f5es regulamentadas tradicionalmente se enquadram nesse regime. O crit\u00e9rio de c\u00e1lculo baseado no n\u00famero de profissionais busca refletir a natureza personal\u00edssima dos servi\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A experi\u00eancia municipal revela impactos relevantes:<\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>maior previsibilidade de arrecada\u00e7\u00e3o para Munic\u00edpios;<\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>neutralidade concorrencial (SUPs vs. empresas);<\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>observ\u00e2ncia da capacidade contributiva.<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Do ponto de vista econ\u00f4mico, a aus\u00eancia de escala e a impossibilidade de dissociar receita e trabalho humano impedem equipara\u00e7\u00e3o integral com sociedades empres\u00e1rias, o que impede que o modelo de valor agregado capture a din\u00e2mica dessas profiss\u00f5es<strong>.<\/strong><\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong> A Reforma Tribut\u00e1ria e o Fim da Tributa\u00e7\u00e3o Fixa a partir de 2033<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A EC 132\/2023 e a LC 214\/2025 estabelecem a extin\u00e7\u00e3o do ISS e do ICMS em 2033, substitu\u00eddos pelo IBS e pela CBS. Por serem tributos sobre valor agregado, n\u00e3o haver\u00e1 regime fixo no novo modelo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ocorre que, nos termos do art. 508 da Lei Complementar n\u00ba 214\/25 deve ser aplicada a transi\u00e7\u00e3o no tocante \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do ISS proporcionalmente ao aumento da al\u00edquota do IBS. Vejamos:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Art. 8\u00ba-B. Em rela\u00e7\u00e3o aos fatos geradores ocorridos de 1\u00ba de janeiro de 2029 a 31 de dezembro de 2032, as al\u00edquotas do imposto ser\u00e3o reduzidas nas seguintes propor\u00e7\u00f5es das al\u00edquotas previstas nas legisla\u00e7\u00f5es dos Munic\u00edpios ou do Distrito Federal, vigentes em 31 de dezembro de 2028:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">I \u2013 10% (dez por cento), em 2029;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">II \u2013 20% (vinte por cento), em 2030;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">III \u2013 30% (trinta por cento), em 2031; e<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">IV \u2013 40% (quarenta por cento), em 2032.<\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">1\u00ba No per\u00edodo de que trata o caput, os benef\u00edcios ou os incentivos fiscais ou financeiros relativos ao imposto ser\u00e3o reduzidos na mesma propor\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas prevista nos incisos do caput.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">2\u00ba Para os fins da aplica\u00e7\u00e3o do disposto no \u00a7 1\u00ba, os percentuais e outros par\u00e2metros utilizados para calcular os benef\u00edcios ou incentivos fiscais ou financeiros relativos ao imposto ser\u00e3o reduzidos na mesma propor\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas, em decorr\u00eancia do disposto no caput deste artigo.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">3\u00ba O disposto no \u00a7 2\u00ba n\u00e3o se aplica, caso os benef\u00edcios ou os incentivos fiscais ou financeiros relativos ao imposto j\u00e1 tenham sido reduzidos proporcionalmente por for\u00e7a da redu\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas nos termos do caput deste artigo.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No caso em tela, a redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio fiscal segue a transi\u00e7\u00e3o, bem como a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota. Na hip\u00f3tese de incid\u00eancia do ISS fixo, por n\u00e3o ser um benef\u00edcio fiscal, n\u00e3o pode ser aplicada a regra de transi\u00e7\u00e3o e, como se n\u00e3o bastasse, n\u00e3o h\u00e1 como reduzir a al\u00edquota proporcionalmente, uma vez que a incid\u00eancia n\u00e3o \u00e9 ad valorem, n\u00e3o existindo par\u00e2metro para redu\u00e7\u00e3o proporcional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">As regras de transi\u00e7\u00e3o previstas na EC 132\/2023 e a LC 214\/2025 \u2014 especialmente aquelas relativas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o proporcional de al\u00edquotas em caso de regimes diferenciados \u2014 pressup\u00f5em tributa\u00e7\u00e3o <strong>ad valorem<\/strong>, calculada sobre pre\u00e7o ou receita. O ISS fixo, por sua vez, adota crit\u00e9rio aut\u00f4nomo de quantifica\u00e7\u00e3o: valor fixo por profissional, sem base econ\u00f4mica mensur\u00e1vel e sem al\u00edquota percentual aplic\u00e1vel. Nessa estrutura, \u00e9 tecnicamente imposs\u00edvel operar qualquer redu\u00e7\u00e3o \u201cproporcional\u201d, pois n\u00e3o existe al\u00edquota ad valorem que possa ser ajustada. A transi\u00e7\u00e3o do modelo atual para o IBS nada altera na l\u00f3gica jur\u00eddica do ISS fixo at\u00e9 2032. Assim, a estrutura normativa de transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra substrato aplic\u00e1vel ao modelo fixo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Tr\u00eas conclus\u00f5es decorrem do exposto acima:<\/strong><\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>O ISS fixo permanece vigente at\u00e9 2032<\/strong>.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Munic\u00edpios n\u00e3o podem extingui-lo antes disso<\/strong>, pois o modelo ainda est\u00e1 previsto em lei complementar e protegido pela jurisprud\u00eancia do STF.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>A extin\u00e7\u00e3o do regime \u00e9 estrutural<\/strong>, decorrente do fim do pr\u00f3prio ISS, e n\u00e3o de revoga\u00e7\u00e3o legislativa municipal. Ademais, na lei complementar n\u00ba 214\/2025 n\u00e3o h\u00e1 nenhuma previs\u00e3o expressa tratando do assunto, sendo uma hip\u00f3tese de omiss\u00e3o legislativa.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0 \u00a0 7. Avalia\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica: Compet\u00eancia Tribut\u00e1ria Municipal e Princ\u00edpios Constitucionais<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A an\u00e1lise revela impactos relevantes:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>(a) Capacidade Contributiva<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A tributa\u00e7\u00e3o pelo faturamento pode levar \u00e0 incid\u00eancia desproporcional para profissionais que exercem atividade personal\u00edssima, em compara\u00e7\u00e3o com sociedades empresariais cujo resultado econ\u00f4mico decorre de estrutura organizacional e capital. O regime fixo, ao calibrar a base de c\u00e1lculo pelo n\u00famero de profissionais, preserva proporcionalidade e reflete adequadamente a capacidade contributiva espec\u00edfica dessas atividades<strong>.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesse contexto, admitir interpreta\u00e7\u00e3o segundo a qual, durante a transi\u00e7\u00e3o as sociedades uniprofissionais estariam sujeitas ao IBS sobre o faturamento, pode produzir distor\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0quela que o STF buscou evitar no julgamento do RE 940.769\/RS. Embora o precedente n\u00e3o trate do IBS \u2014 que \u00e9 tributo novo, com matriz constitucional pr\u00f3pria \u2014 a l\u00f3gica jur\u00eddica nele afirmada permanece relevante: a tributa\u00e7\u00e3o baseada exclusivamente na receita nem sempre representa, medida adequada ou proporcional, para atividades cuja ess\u00eancia \u00e9 personal\u00edssima, e para as quais o modelo tradicional de valor agregado n\u00e3o captura corretamente a din\u00e2mica econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A tens\u00e3o entre a natureza das SUPs e a estrutura do IBS, portanto, merece aten\u00e7\u00e3o, sob pena de comprometer a coer\u00eancia do sistema e relativizar a prote\u00e7\u00e3o conferida pelo Supremo \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio de tributa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>(b) Seguran\u00e7a Jur\u00eddica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Uma altera\u00e7\u00e3o nessa propor\u00e7\u00e3o, retirando o regime de ISS fixo e aplicando o regime regular, representa uma majora\u00e7\u00e3o desproporcional e confiscat\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>(c) Livre Exerc\u00edcio Profissional<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A mudan\u00e7a abrupta poderia criar barreiras de entrada e de manuten\u00e7\u00e3o de profissionais liberais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>(d) Neutralidade Concorrencial<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">SUPs n\u00e3o concorrem com empresas \u2014 s\u00e3o categorias econ\u00f4micas distintas. A tributa\u00e7\u00e3o fixa n\u00e3o cria vantagem competitiva nem representa benef\u00edcio fiscal. Trata-se de mecanismo de neutralidade, pois aplica-se apenas \u00e0s atividades personal\u00edssimas, cujos resultados econ\u00f4micos n\u00e3o dependem de escala nem podem ser comparados \u00e0s estruturas empresariais. O regime evita distor\u00e7\u00f5es na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, preserva a isonomia horizontal entre profissionais e assegura que o tributo n\u00e3o interfira na natureza econ\u00f4mica do trabalho pessoal, raz\u00e3o pela qual o STF reconhece tratar-se de crit\u00e9rio leg\u00edtimo \u2014 e n\u00e3o um favor fiscal. Como se n\u00e3o bastasse, a neutralidade \u00e9 um dos princ\u00edpios norteadores da Reforma Tribut\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"8\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong> Conclus\u00e3o<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A tributa\u00e7\u00e3o fixa do ISS permanece como crit\u00e9rio constitucionalmente previsto de determina\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo, n\u00e3o se confundindo com benef\u00edcio fiscal, incentivo, ou tratamento privilegiado. O julgamento do RE 940.769\/RS consolidou que sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima, estrutural e, sobretudo, insuscet\u00edvel de supress\u00e3o unilateral pelos Munic\u00edpios, porque expressa uma forma diferenciada de aferi\u00e7\u00e3o da capacidade contributiva em atividades personal\u00edssimas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A LC 214\/2025, embora inaugure o per\u00edodo de conviv\u00eancia entre ISS e IBS a partir de 2029, n\u00e3o altera a disciplina jur\u00eddica do ISS fixo durante o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, nem antecipa a revoga\u00e7\u00e3o do art. 9\u00ba do Decreto-lei 406\/1968, cuja perda de vig\u00eancia ocorrer\u00e1 apenas em 2033, nos termos do dos Arts. 543; Inciso V do 544, da LC 214\/2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A introdu\u00e7\u00e3o gradual do IBS entre 2029 e 2032 \u2014 com al\u00edquotas progressivas e expressamente reduzidas \u2014 n\u00e3o modifica a base de c\u00e1lculo do ISS vigente, nem transforma a tributa\u00e7\u00e3o fixa em tributa\u00e7\u00e3o sobre o faturamento nesse per\u00edodo. Assim, qualquer leitura no sentido de que o ISS fixo teria sido \u201cabsorvido\u201d, \u201cneutralizado\u201d ou \u201cdesidratado\u201d antes do marco constitucional de 2033 carece de amparo jur\u00eddico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O regime somente deixar\u00e1 de existir em 1\u00ba de janeiro de 2033, quando o pr\u00f3prio ISS ser\u00e1 extinto. At\u00e9 l\u00e1, permanece plenamente v\u00e1lido, eficaz e protegido \u2014 tanto pela Constitui\u00e7\u00e3o quanto pela jurisprud\u00eancia consolidada do STF. A ideia de que a LC 214\/2025 teria antecipado sua extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra respaldo no texto da reforma, no modelo de transi\u00e7\u00e3o ou na racionalidade pr\u00f3pria dos tributos de valor agregado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Durante todo o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, a coexist\u00eancia entre ISS e IBS \u00e9 expl\u00edcita e juridicamente delimitada: o ISS mant\u00e9m integralmente sua disciplina at\u00e9 2032, enquanto o IBS ingressa de modo progressivo e com carga reduzida. Compreender com precis\u00e3o essa din\u00e2mica \u00e9 decisivo para evitar equ\u00edvocos interpretativos que distor\u00e7am o regime vigente ou projetem efeitos que somente se produzir\u00e3o ap\u00f3s 2033.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[1] Tema 918 \u2013 Inconstitucionalidade de lei municipal que estabelece impeditivos \u00e0 submiss\u00e3o de sociedades profissionais de advogados ao regime de tributa\u00e7\u00e3o fixa ou per capita em bases anuais na forma estabelecida pelo Decreto-Lei n. 406\/1968 (recepcionado pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988 com status de lei complementar nacional). Relator(a): MIN. EDSON FACHIN; Leading Case: RE 940769 Repercuss\u00e3o Geral<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[2] S\u00daMULA 663 \u2013 OS \u00a7\u00a7 1\u00ba E 3\u00ba DO ART. 9\u00ba DO DECRETO-LEI 406\/1968 FORAM RECEBIDOS PELA CONSTITUI\u00c7\u00c3O. Data de Aprova\u00e7\u00e3o \u2013 Sess\u00e3o Plen\u00e1ria de 24\/9\/2003. Motiva\u00e7\u00e3o: A decis\u00e3o do STF confirmou que essa forma de tributa\u00e7\u00e3o n\u00e3o viola a Constitui\u00e7\u00e3o, pois se ajusta \u00e0s peculiaridades do trabalho aut\u00f4nomo e das sociedades de profissionais liberais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[3] Art 9\u00ba A base de c\u00e1lculo do imposto \u00e9 o pre\u00e7o do servi\u00e7o.<\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">1\u00ba Quando se tratar de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os sob a forma de trabalho pessoal do pr\u00f3prio contribuinte, o imposto ser\u00e1 calculado, por meio de al\u00edquotas fixas ou vari\u00e1veis, em fun\u00e7\u00e3o da natureza do servi\u00e7o ou de outros fatores pertinentes, nestes n\u00e3o compreendida a import\u00e2ncia paga a t\u00edtulo de remunera\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio trabalho.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">3\u00b0 Quando os servi\u00e7os a que se referem os itens 1, 4, 8, 25, 52, 88, 89, 90, 91 e 92 da lista anexa forem prestados por sociedades, estas ficar\u00e3o sujeitas ao imposto na forma do \u00a7 1\u00b0, calculado em rela\u00e7\u00e3o a cada profissional habilitado, s\u00f3cio, empregado ou n\u00e3o, que preste servi\u00e7os em nome da sociedade, embora assumindo responsabilidade pessoal, nos termos da lei aplic\u00e1vel. (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/LCP\/Lcp56.htm#art2\">Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei Complementar n\u00ba 56, de 1987<\/a>)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>________________________________________________________________<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\"><em>Os artigos escritos pelos \u201ccolunistas\u201d n\u00e3o refletem necessariamente a opini\u00e3o do Portal da Reforma Tribut\u00e1ria. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o pa\u00eds.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: PORTAL DA REFORMA TRIBUT\u00c1RIA &#8211; POR GABRIEL QUINTANILHA E M\u00c1RCIO COSTA<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[9],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-eVW","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57408"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57408"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57408\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57410,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57408\/revisions\/57410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}