{"id":55873,"date":"2025-10-07T10:47:07","date_gmt":"2025-10-07T13:47:07","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=55873"},"modified":"2025-10-07T10:47:07","modified_gmt":"2025-10-07T13:47:07","slug":"bancos-nao-respondem-por-ipva-em-alienacao-fiduciaria-decide-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2025\/10\/07\/bancos-nao-respondem-por-ipva-em-alienacao-fiduciaria-decide-stf\/","title":{"rendered":"BANCOS N\u00c3O RESPONDEM POR IPVA EM ALIENA\u00c7\u00c3O FIDUCI\u00c1RIA, DECIDE STF"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O credor de uma aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria n\u00e3o pode ser considerado contribuinte ou respons\u00e1vel pelo Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculo Automotor (IPVA), exceto se houver a consolida\u00e7\u00e3o de sua propriedade plena sobre o ve\u00edculo. Foi o que decidiu o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal em sess\u00e3o virtual encerrada na \u00faltima sexta-feira (3\/10).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Esse entendimento s\u00f3 deve come\u00e7ar a valer a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento. O caso tem repercuss\u00e3o geral, ou seja, a tese estabelecida servir\u00e1 para casos semelhantes nas demais inst\u00e2ncias da Justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Contexto<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria \u00e9 uma modalidade de financiamento e uma das principais formas de aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos no Brasil. Nesse modelo, o comprador transfere a propriedade do bem para uma institui\u00e7\u00e3o financeira (credora) como forma de garantia do pagamento da d\u00edvida relativa ao financiamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O chamado devedor fiduciante n\u00e3o \u00e9 titular do bem enquanto n\u00e3o quitar o financiamento. Caso isso n\u00e3o aconte\u00e7a dentro do prazo estipulado, o credor fiduci\u00e1rio pode solicitar ao Judici\u00e1rio a busca e apreens\u00e3o do ve\u00edculo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O caso levado ao STF diz respeito a uma execu\u00e7\u00e3o fiscal por d\u00e9bitos de IPVA, movida pelo governo de Minas Gerais contra um banco (credor fiduci\u00e1rio) e um devedor fiduciante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em primeira inst\u00e2ncia, o processo foi extinto em rela\u00e7\u00e3o ao banco, com o entendimento de que o credor n\u00e3o \u00e9 correspons\u00e1vel pelo pagamento do IPVA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Mas o Tribunal de Justi\u00e7a mineiro considerou que a institui\u00e7\u00e3o financeira fiduci\u00e1ria \u00e9 respons\u00e1vel pelo pagamento do imposto. Isso porque, conforme uma lei estadual, o credor \u00e9 considerado propriet\u00e1rio do ve\u00edculo dado em garantia at\u00e9 a quita\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No recurso ao STF, o banco argumentou que a lei estadual viola o conceito de propriedade e alegou que s\u00f3 teria responsabilidade pelo pagamento de tributos em caso de transmiss\u00e3o da propriedade plena \u2014 o que ocorre se o devedor descumprir suas obriga\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Voto vencedor<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Prevaleceu o voto do ministro Cristiano Zanin. De acordo com ele, o contribuinte do IPVA \u00e9 o devedor fiduciante, que tem a posse direta do ve\u00edculo e pode usufruir dele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">J\u00e1 o credor fiduci\u00e1rio tem uma propriedade limitada sobre o bem, que \u201co interessa t\u00e3o somente para fins da garantia do financiamento\u201d. A institui\u00e7\u00e3o financeira \u201cn\u00e3o tem um direito real exclusivo, pleno e perp\u00e9tuo\u201d sobre o ve\u00edculo, e por isso n\u00e3o pode ser considerada contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional tamb\u00e9m prev\u00ea a figura do respons\u00e1vel tribut\u00e1rio \u2014 um terceiro vinculado \u00e0quela obriga\u00e7\u00e3o e que pode ter de pagar o imposto no lugar do contribuinte. Na vis\u00e3o de Zanin, o credor fiduci\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser enquadrado nessa categoria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Isso porque, nessa situa\u00e7\u00e3o, o respons\u00e1vel tribut\u00e1rio precisa ter a possibilidade de descontar o tributo da parcela devida por quem financiou o ve\u00edculo, \u201cpara que o eventual respons\u00e1vel n\u00e3o suporte o encargo do IPVA devido pelo contribuinte\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Mas a legisla\u00e7\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria n\u00e3o permite isso. O credor tem o direito de receber apenas os pagamentos referentes ao contrato de financiamento, \u201csem nenhum valor adicional destinado a cobrir o imposto devido pelo contribuinte\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Al\u00e9m disso, o C\u00f3digo Civil deixa claro que o credor s\u00f3 ser\u00e1 respons\u00e1vel por tributos se o devedor fiduciante deixar de pagar as parcelas e a propriedade se consolidar em nome da institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cAntes disso, qualquer pagamento do imposto pelo credor fiduci\u00e1rio representaria um custo irrecuper\u00e1vel\u201d, afirmou o magistrado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cDurante a vig\u00eancia regular da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria em garantia, o credor fiduci\u00e1rio n\u00e3o poder\u00e1 responder pelos d\u00e9bitos de IPVA eventualmente n\u00e3o quitados pelo devedor fiduciante\u201d, disse. \u201cA responsabilidade tribut\u00e1ria do credor fiduci\u00e1rio emerge exclusivamente na hip\u00f3tese da sucess\u00e3o do bem m\u00f3vel objeto da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ministro Luiz Fux, relator do caso, havia apresentado, de in\u00edcio, uma posi\u00e7\u00e3o um pouco diferente, mas mudou seu voto e passou a acompanhar Zanin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O voto original de Fux tamb\u00e9m considerava que o credor fiduci\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 contribuinte do IPVA, mas abria espa\u00e7o para que ele fosse considerado respons\u00e1vel pelo imposto de forma subsidi\u00e1ria. A partir de um complemento ao voto, o relator realinhou seu posicionamento \u00e0s mesmas conclus\u00f5es de Zanin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A ministra C\u00e1rmen L\u00facia havia acompanhado Fux em sess\u00f5es anteriores, quando ele ainda n\u00e3o havia mudado seu voto. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se ela se alinhou ou n\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de posicionamento do relator. J\u00e1 Lu\u00eds Roberto Barroso inicialmente constava como suspeito para analisar o caso, mas depois passou a acompanhar o voto de Fux.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Clique <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/voto-Zanin-IPVA-credor-fiduciario.pdf\">aqui<\/a> para ler o voto de Zanin<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Clique <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/voto-Fux-IPVA-credor-fiduciario.pdf\">aqui<\/a> para ler o voto de Fux<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Clique <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/complemento-voto-Fux-IPVA-alienacao-fiduciaria.pdf\">aqui<\/a> para ler o complemento do voto de Fux<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>RE 1.355.870<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Tema 1.153<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: CONSULTOR JUR\u00cdDICO &#8211; POR JOS\u00c9 HIG\u00cdDIO<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O credor de uma aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria n\u00e3o pode ser considerado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-exb","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55873"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55873"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55874,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55873\/revisions\/55874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}