{"id":55306,"date":"2025-09-16T11:08:40","date_gmt":"2025-09-16T14:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=55306"},"modified":"2025-09-16T11:08:40","modified_gmt":"2025-09-16T14:08:40","slug":"receita-federal-define-tributacao-de-honorarios-advocaticios-em-casos-de-parceria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2025\/09\/16\/receita-federal-define-tributacao-de-honorarios-advocaticios-em-casos-de-parceria\/","title":{"rendered":"RECEITA FEDERAL DEFINE TRIBUTA\u00c7\u00c3O DE HONOR\u00c1RIOS ADVOCAT\u00cdCIOS EM CASOS DE PARCERIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Decis\u00e3o est\u00e1 em solu\u00e7\u00e3o de consulta da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Tributa\u00e7\u00e3o (Cosit), que traz requisitos criticados por especialistas<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A Receita Federal entendeu que as sociedades de advogados, em casos de parcerias com outras bancas, podem reconhecer como receita bruta, na apura\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda (IRPJ), CSLL, PIS e Cofins, apenas a parcela dos honor\u00e1rios que lhe couber, conforme estipulado em contrato. O valor repassado ao parceiro poder\u00e1 ser desconsiderado, segundo o \u00f3rg\u00e3o, \u201cdesde que observadas as disposi\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria vigente e as normas estabelecidas pelo conselho profissional\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O entendimento, contido na Solu\u00e7\u00e3o de Consulta n\u00ba 161, editada recentemente pela Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Tributa\u00e7\u00e3o (Cosit), \u00e9 um avan\u00e7o, especialmente no ponto relativo ao IRPJ e CSLL no lucro presumido, segundo especialistas ouvidos pelo Valor. Por\u00e9m, acrescentam, traz requisitos n\u00e3o previstos em lei ou que podem acabar inviabilizando o cumprimento da norma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Na solu\u00e7\u00e3o de consulta, a Receita destaca que a Lei n\u00ba 8.906, de 1994, o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), valida, para fins tribut\u00e1rios, a segrega\u00e7\u00e3o de receitas por sociedades de advogados que atuem em regime de parceria. No entanto, de acordo com o \u00f3rg\u00e3o, a norma estabeleceria que essa atua\u00e7\u00e3o deve envolver o atendimento direto ao cliente por ambas as partes, \u201cn\u00e3o sendo aplic\u00e1vel a situa\u00e7\u00f5es em que uma das partes atua exclusivamente como contratada da outra, sem contato direto com o cliente\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para o advogado Breno de Paula, seria uma interpreta\u00e7\u00e3o restritiva da lei, que s\u00f3 exige que as bancas \u201catuem em forma de parceria para o atendimento do cliente\u201d. \u201cN\u00e3o \u00e9 correto que a interpreta\u00e7\u00e3o da lei restrinja o conte\u00fado e a natureza de como funciona uma parceria, que pode se dar de m\u00faltiplas formas, com m\u00faltiplas atribui\u00e7\u00f5es, que inclusive podem mudar de acordo com o tempo e com a necessidade do caso\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O especialista cita ainda outro ponto que considera pol\u00eamico, o que exige que o contrato de parceria, com v\u00e1rios detalhes, seja \u201caverbado \u00e0 margem do registro da sociedade em cada Conselho Seccional da OAB\u201d. A medida, com base em provimentos da OAB, diz ele, precisa ser revista pelo Conselho Federal \u201cpara adapt\u00e1-la \u00e0 realidade da atividade e \u00e0s m\u00faltiplas formas de parcerias\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u201cAs parcerias s\u00e3o estabelecidas entre as partes de m\u00faltiplas maneiras e n\u00e3o necessariamente com essas todas essas formalidades. A realidade que se imp\u00f5e \u00e9 que um simples texto ou \u00e1udio formaliza a parceria. Inclusive muitas vezes nem \u00e9 necess\u00e1rio tratar previamente, j\u00e1 que a parceria \u00e9 longeva. O ajuste pode se dar ao final, sendo formalizado, justamente, quando da entrega dos valores ao parceiro\u201d, diz ele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Outro ponto da solu\u00e7\u00e3o de consulta questionado por especialistas \u00e9 o que estabelece que \u201csomente a parcela do IRRF proporcional aos honor\u00e1rios reconhecidos como receita bruta pr\u00f3pria pela consulente poder\u00e1 ser aproveitada para fins de dedu\u00e7\u00e3o do IRPJ apurado com base no lucro presumido\u201d. \u201cEsse ponto \u00e9 evidentemente incorreto, j\u00e1 que subtrai indevidamente tributo pago. Basta assegurar o cr\u00e9dito integral, j\u00e1 que o tributo devido nesta opera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 integralmente adimplido por ambas as partes\u201d, afirma Breno de Paula.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Presidente da OAB, Beto Simonetti diz, em nota enviada ao Valor, que a decis\u00e3o da Receita \u00e9 um avan\u00e7o. Mas que, para que seja plenamente operacional, ainda \u00e9 preciso aprimorar pontos pr\u00e1ticos: a exig\u00eancia de atendimento conjunto ao cliente, a burocracia na averba\u00e7\u00e3o de contratos e a regulamenta\u00e7\u00e3o das notas fiscais para o fracionamento do IRRF.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u201cPara que a decis\u00e3o seja plenamente operacional, \u00e9 preciso aprimorar pontos pr\u00e1ticos\u201d \u2014 Beto Simonetti<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u201cOu seja, n\u00e3o h\u00e1 um empecilho que inviabilize a medida, mas ajustes necess\u00e1rios para que funcione de forma efetiva em todo o pa\u00eds. A entidade continuar\u00e1 trabalhando para que a regulamenta\u00e7\u00e3o avance e para que essa realidade legislativa seja plenamente operacional e vi\u00e1vel para os escrit\u00f3rios em todo o pa\u00eds\u201d, afirma Simonetti.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para ele, a solu\u00e7\u00e3o de consulta \u201creflete o avan\u00e7o legislativo promovido no Estatuto da Advocacia, que passou a reconhecer as parcerias entre escrit\u00f3rios como um instrumento leg\u00edtimo de organiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o\u201d. \u201cEm um mundo que exige cada vez mais especializa\u00e7\u00e3o, sem perder de vista a confian\u00e7a do cliente no advogado, a Receita Federal confirma que cada parceiro deve assumir a responsabilidade tribut\u00e1ria pela sua parte nos honor\u00e1rios. Isso traz seguran\u00e7a jur\u00eddica, adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade do mercado e representa uma vit\u00f3ria importante para a advocacia e para a sociedade\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O advogado tributarista Jo\u00e3o Pedro Strambi, tamb\u00e9m destaca que o entendimento manifestado pela Receita Federal \u201cestabelece uma diretriz mais clara para as sociedades de advogados, especialmente por reconhecer a validade do Estatuto da OAB para fins tribut\u00e1rios\u201d. Temas envolvendo modelos de reparti\u00e7\u00e3o de receita, diz, \u201csempre geram d\u00favidas ao contribuinte e interpreta\u00e7\u00f5es conflitantes\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Ele lembra que a Receita j\u00e1 havia sinalizado nesse sentido quando disciplinou a exclus\u00e3o dessas receitas da base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins (regime cumulativo), conforme Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 2264, publicada em abril de 2025. \u201cCom a solu\u00e7\u00e3o de consulta, fica esclarecido o tratamento que o Fisco considera correto tamb\u00e9m para o IRPJ e para CSLL, no caso das sociedades optantes pelo lucro presumido\u201d, afirma ele, acrescentando, contudo, que a formaliza\u00e7\u00e3o e averba\u00e7\u00e3o do contrato de parceria junto \u00e0 OAB \u00e9 um ponto de aten\u00e7\u00e3o e que a restri\u00e7\u00e3o pode gerar novos questionamentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u201cA Receita faz men\u00e7\u00e3o a provimentos do Conselho Federal da OAB que n\u00e3o se relacionam diretamente com a quest\u00e3o tratada. O Provimento n\u00ba 204\/2021, que efetivamente trata do assunto e tamb\u00e9m foi citado pelo Fisco, n\u00e3o faz nenhuma refer\u00eancia \u00e0 necessidade de averba\u00e7\u00e3o, indicando que a reparti\u00e7\u00e3o seria comprovada somente pela apresenta\u00e7\u00e3o do contrato\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Procurada pelo Valor, a Receita Federal n\u00e3o deu retorno at\u00e9 o fechamento da edi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>FONTE: VALOR ECON\u00d4MICO \u2013 POR ARTHUR ROSA \u2013 DE S\u00c3O PAULO<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decis\u00e3o est\u00e1 em solu\u00e7\u00e3o de consulta da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Tributa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-eo2","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55306"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55306"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55308,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55306\/revisions\/55308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}