{"id":494,"date":"2019-02-19T10:05:55","date_gmt":"2019-02-19T13:05:55","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=494"},"modified":"2019-02-19T10:05:55","modified_gmt":"2019-02-19T13:05:55","slug":"novidades-sobre-a-ilegalidade-da-incidencia-do-icms-na-tarifa-de-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/02\/19\/novidades-sobre-a-ilegalidade-da-incidencia-do-icms-na-tarifa-de-energia\/","title":{"rendered":"NOVIDADES SOBRE A ILEGALIDADE DA INCID\u00caNCIA DO ICMS NA TARIFA DE ENERGIA"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cIncid\u00eancia do ICMS na tarifa de energia \u00e9 ilegal\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em que pese o tema sobre a ilegalidade da incid\u00eancia do ICMS na tarifa de energia tenha sido objeto do artigo \u201cIncid\u00eancia do ICMS na tarifa de energia \u00e9 ilegal\u201d, o objetivo do presente texto \u00e9 apresentar as recentes novidades acerca do assunto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A conclus\u00e3o do artigo anterior foi pela \u201cilegalidade da incid\u00eancia do ICMS das parcelas estranhas \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica (por exemplo Tusd e Tust)\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Al\u00e9m do fato de que \u201ctodos os consumidores podem pleitear judicialmente: a incid\u00eancia do ICMS somente na parcela relativa \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica; e a restitui\u00e7\u00e3o dos valores cobrados indevidamente nos \u00faltimos 60 meses\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesse sentido, o presente artigo tratar\u00e1: (a) da publica\u00e7\u00e3o da Lei Estadual 16.886, de 21 de dezembro de 2018; e (b) do julgamento do Incidente de Resolu\u00e7\u00e3o de Demandas Repetitivas 2246948-26.2016.8.26.0000 do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">(a) Lei Estadual 16.886, de 21 de dezembro de 2018<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em 22\/12\/2018, o estado de S\u00e3o Paulo publicou a Lei 16.886, de 21 de dezembro de 2018. A referida lei determinou a inclus\u00e3o do par\u00e1grafo \u00fanico no artigo 4\u00ba da Lei 6.374, de 1 de mar\u00e7o de 1989. Vejamos:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Artigo 1\u00ba &#8211; Fica inclu\u00eddo no artigo 4\u00ba da Lei n\u00ba 6.374, de 1\u00ba de mar\u00e7o de 1989, que disp\u00f5e sobre o Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Relativas \u00e0 Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e sobre Presta\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7os de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunica\u00e7\u00e3o (ICMS), o seguinte par\u00e1grafo \u00fanico:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cArtigo 4 &#8211; &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Nas opera\u00e7\u00f5es de fornecimento de energia el\u00e9trica a unidades consumidoras sujeitas \u00e0 tarifa bin\u00f4mia, decorrentes da celebra\u00e7\u00e3o de contratos com a concession\u00e1ria de energia el\u00e9trica, n\u00e3o ser\u00e1 exigido o recolhimento do imposto relativamente ao valor que corresponde \u00e0 parcela referente \u00e0 demanda de pot\u00eancia n\u00e3o utilizada pelo consumidor\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em uma leitura desatenta do referido dispositivo, pode-se concluir que a grande discuss\u00e3o acerca da incid\u00eancia do ICMS na tarifa de energia tenha sido resolvida, o que, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 verdade. Vejamos:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Primeiramente, o dispositivo somente beneficia as \u201cunidades consumidoras sujeitas \u00e0 tarifa bin\u00f4mia\u201d. Portanto, a primeira d\u00favida que surge \u00e9 quem s\u00e3o os consumidores beneficiados?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Simples, s\u00e3o as \u201cunidades consumidoras com fornecimento em tensa\u0303o igual ou superior a 2,3 kV, ou atendidas a partir de sistema subterra\u0302neo de distribuic\u0327a\u0303o em tensa\u0303o secunda\u0301ria\u201d, definidos como \u201cGrupo A\u201d, nos termos do artigo 2\u00ba, inciso XXXVII, da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa Aneel 414\/2010.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ou seja, a maioria dos consumidores n\u00e3o ser\u00e1 beneficiada com o referido dispositivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Outra d\u00favida que surge \u00e9 com a publica\u00e7\u00e3o da Lei 16.886, de 21 de dezembro de 2018. O ICMS somente incidir\u00e1 na parcela relativa \u00e0 energia el\u00e9trica?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">N\u00e3o, o par\u00e1grafo \u00fanico, artigo 4\u00ba, da Lei 6.374\/1989 somente afasta a incid\u00eancia da demanda de pot\u00eancia n\u00e3o utilizada pelo consumidor, sendo, em regra, o referido montante insignificativo quando comparado com as demais rubricas da fatura de energia el\u00e9trica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Do ponto de vista f\u00edsico, a demanda de pot\u00eancia representa a garantia do consumidor de que a concession\u00e1ria de distribui\u00e7\u00e3o ir\u00e1 fornecer a quantidade de energia el\u00e9trica contratada, por meio dos sistemas el\u00e9tricos da distribuidora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Deste modo, conclui-se que:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">(i) em que pese a publica\u00e7\u00e3o da lei represente uma vit\u00f3ria aos consumidores, a redu\u00e7\u00e3o obtida pela lei \u00e9 irris\u00f3ria;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">(ii) embora o estado de S\u00e3o Paulo busque desvirtuar a aplica\u00e7\u00e3o da S\u00famula 391\/STJ[1], j\u00e1 que a referida s\u00famula foi confeccionada com base em decis\u00f5es judiciais que afastaram a incid\u00eancia do ICMS de parcelas estranhas \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, incluindo, mas n\u00e3o se limitando \u00e0 Tarifa do Uso do Sistema de Distribui\u00e7\u00e3o (Tusd), \u00e0 Tarifa do Uso do Sistema de Transmiss\u00e3o (Tust), \u00e0 demanda contratada e aos encargos setoriais, a Lei 16.886, de 21 de dezembro de 2018, fortalece a ilegalidade da incid\u00eancia do ICMS nas tarifas de energia; e<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">(iii) a inser\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo \u00fanico, o artigo 4\u00ba da Lei 6.374\/1989 beneficia os consumidores nas discuss\u00f5es judiciais, j\u00e1 que a natureza jur\u00eddica da demanda contratada n\u00e3o utilizada, assim como toda demanda contratada, Tusd e encargos setoriais n\u00e3o visam remunerar a energia el\u00e9trica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">(b) Do julgamento do IRDR do TJ-SP<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Como j\u00e1 abordado no artigo anterior, a instaura\u00e7\u00e3o de IRDR pelo TJ-SP e STJ foi equivocada, j\u00e1 que carece de requisitos legais, pois, segundo a disposi\u00e7\u00e3o prevista no par\u00e1grafo 4\u00ba, artigo 976, do CPC, ser\u00e1 incab\u00edvel a instaura\u00e7\u00e3o de IRDR nos casos em que j\u00e1 houver recurso afetado sobre a mat\u00e9ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No caso em tela a mat\u00e9ria j\u00e1 foi submetida e materializada pelas s\u00famulas 166 e 391 do STJ.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Portanto, al\u00e9m de n\u00e3o observar os requisitos essenciais para instaura\u00e7\u00e3o do IRDR, a decis\u00e3o que instaurou o incidente n\u00e3o observou o sistema de precedentes implementado pelo C\u00f3digo de Processo Civil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesse sentido, em continuidade ao IRDR estabelecido pelo TJ-SP, a Turma Especial de Direito P\u00fablico do TJ-SP, no dia 8 de fevereiro, por maioria de votos, determinou a suspens\u00e3o do IRDR e demais processos sobre o tema at\u00e9 a decis\u00e3o da mat\u00e9ria pelo STJ (Tema 986).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Registra-se que, de acordo com o C\u00f3digo de Processo Civil, a referida decis\u00e3o do TJ-SP e\/ou o IRDR do STJ n\u00e3o impede a concess\u00e3o de decis\u00f5es favor\u00e1veis em 1\u00aa e 2\u00aa inst\u00e2ncia aos consumidores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por fim, em conson\u00e2ncia com o exposto, destaca-se, ainda, que, na pr\u00e1tica, o Poder Judici\u00e1rio vem concedendo diversas decis\u00f5es judiciais favor\u00e1veis aos consumidores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">____________________________________________________________<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[1] S\u00famula 391 \u2013 O ICMS INCIDE SOBRE O VALOR DA TARIFA DE ENERGIA EL\u00c9TRICA CORRESPONDENTE \u00c0 DEMANDA DE POT\u00caNCIA EFETIVAMENTE UTILIZADA.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Conjur &#8211; Por Urias Martiniano G. Neto<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cIncid\u00eancia do ICMS na tarifa de energia \u00e9 ilegal\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-7Y","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=494"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":495,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494\/revisions\/495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}