{"id":4654,"date":"2019-09-26T11:17:42","date_gmt":"2019-09-26T14:17:42","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=4654"},"modified":"2019-09-26T11:17:42","modified_gmt":"2019-09-26T14:17:42","slug":"o-irpf-incidente-sobre-os-deficits-da-previdencia-complementar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/09\/26\/o-irpf-incidente-sobre-os-deficits-da-previdencia-complementar\/","title":{"rendered":"O IRPF INCIDENTE SOBRE OS D\u00c9FICITS DA PREVID\u00caNCIA COMPLEMENTAR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Conforme o art. 33 da Lei 9.250\/95, os benef\u00edcios, bem como os resgates, recebidos de entidade de previd\u00eancia privada estar\u00e3o sujeitos \u00e0 incid\u00eancia do imposto de renda, na fonte e no ajuste anual.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O art. 8\u00ba, II, \u201ce\u201d, da referida lei, prev\u00ea a possibilidade de deduzir as contribui\u00e7\u00f5es destinadas a custear benef\u00edcios complementares nas entidades de previd\u00eancia complementar, desde que domiciliadas no pa\u00eds e que o \u00f4nus tenha sido do contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Lei 9.532\/97, por sua vez, limita tal dedu\u00e7\u00e3o a 12% do total dos rendimentos tribut\u00e1veis computados na base de c\u00e1lculo do imposto devido na declara\u00e7\u00e3o de rendimentos, vide art. 11.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Inicialmente cabe nossa cr\u00edtica \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o equivocada do instituto da dedu\u00e7\u00e3o. Isso porque dedu\u00e7\u00e3o, para fins tribut\u00e1rios, pressup\u00f5e uma diminui\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do imposto ou de parcela do imposto a recolher. Havendo dedu\u00e7\u00e3o deve ser poss\u00edvel auferir benef\u00edcio fiscal, uma desonera\u00e7\u00e3o, ainda que parcial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ocorre que aqui a dedu\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizada como forma de diferimento tribut\u00e1rio, j\u00e1 que o que \u00e9 deduzido da base de c\u00e1lculo no momento da forma\u00e7\u00e3o da reserva ser\u00e1 objeto de tributa\u00e7\u00e3o pelo IR quando da percep\u00e7\u00e3o deste numer\u00e1rio na forma de benef\u00edcio (art. 33, da Lei 9.250\/97).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Conforme apontado pelo ent\u00e3o Ministro do STJ Luiz Fux, no REsp. 1086492\/PR, h\u00e1 dois momentos poss\u00edveis para a tributa\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia complementar, quais sejam:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u00a0\u00a0\u00a0 No momento da constitui\u00e7\u00e3o da reserva que servir\u00e1 para custear o benef\u00edcio futuro ou;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Por ocasi\u00e3o do recebimento do benef\u00edcio na forma de aposentadoria, pens\u00e3o ou resgate.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Os aportes realizados para a constitui\u00e7\u00e3o da reserva matem\u00e1tica ser\u00e3o aplicados no mercado financeiro por um longo prazo at\u00e9 que o participante preencha os requisitos do regulamento do plano e possa entrar em gozo de benef\u00edcio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Cobrar o imposto de renda no momento do aporte das contribui\u00e7\u00f5es seria de uma perda financeira imensur\u00e1vel ao Fisco, j\u00e1 que n\u00e3o mais poderia proceder a cobran\u00e7a quando do resgate dos valores, sob pena de infra\u00e7\u00e3o \u00e0 regra constitucional que pro\u00edbe o bis in idem tribut\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Logo, o Fisco optou por tributar o resgate por lhe ser financeiramente muito mais interessante, j\u00e1 que o imposto de renda incidir\u00e1 sobre o montante das reservas aportadas somadas ao resultado das aplica\u00e7\u00f5es financeiras desse numer\u00e1rio por 30 a 35 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Como se v\u00ea, n\u00e3o h\u00e1 qualquer benef\u00edcio fiscal (dedu\u00e7\u00e3o) nesse caso, j\u00e1 que o valor objeto da \u201cdedu\u00e7\u00e3o\u201d ser\u00e1 base de c\u00e1lculo do imposto quando do resgate dos valores em forma de benef\u00edcio ou pens\u00e3o. Caso tal \u201cdedu\u00e7\u00e3o\u201d fosse extinta, a l\u00f3gica do sistema vigente seria invertida e o IR passaria a ser cobrado no aporte. O que se tem, inegavelmente, \u00e9 um diferimento tribut\u00e1rio, que atende, exclusivamente, \u00e0 \u00e2nsia arrecadat\u00f3ria da Uni\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Dito isso, devemos nos ater para os casos de planos previd\u00eancia complementar, institu\u00eddos na modalidade de benef\u00edcio definido e que estejam em estado deficit\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">T\u00e3o logo falamos em d\u00e9ficit atuarial em plano de benef\u00edcio fica clara a insufici\u00eancia de recursos para cobrir os compromissos atuariais assumidos pelo plano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">As causas dos d\u00e9ficits atuariais podem ter in\u00fameras origens e n\u00e3o raro s\u00e3o multifatoriais. No que tange \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com o ente tributante cabe apenas esclarecer que o resultado esperado n\u00e3o se realizou, ou seja, o fundo n\u00e3o alcan\u00e7ou o patamar de reservas necess\u00e1rias para cobertura dos compromissos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Desse modo, reportando \u00e0 pac\u00edfica jurisprud\u00eancia do STJ que aponta a necessidade de efetivo acr\u00e9scimo patrimonial, assim compreendida a diferen\u00e7a l\u00edquida entre o patrim\u00f4nio pr\u00e9-existente e o novo, para que haja a incid\u00eancia do IR (REsp 1474242\/PR), resta claro, ao nosso ver, que qualquer equacionamento institu\u00eddo para custeio de d\u00e9ficit (art. 21 da LC 109\/01) deva ser exclu\u00eddo da base de c\u00e1lculo do imposto de renda, pelo simples fato de n\u00e3o ser hip\u00f3tese de incid\u00eancia, por n\u00e3o ser signo presuntivo de renda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Na situa\u00e7\u00e3o atual dos maiores fundos de pens\u00e3o do Brasil, o valor das contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias suportadas pelos participantes, somadas as contribui\u00e7\u00f5es normais (nos planos BD em que n\u00e3o houve saldamento), superam em muito o limite de 12% do total de rendimentos tribut\u00e1veis do contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Sem a possibilidade de \u201cdeduzir\u201d da base de c\u00e1lculo, o valor que supera o limite de 12%, ser\u00e1 objeto de incid\u00eancia do imposto de renda, retornar\u00e1 ao fundo por se tratar de uma contribui\u00e7\u00e3o (ainda que extraordin\u00e1ria) e ser\u00e1 objeto de nova tributa\u00e7\u00e3o quando for resgatado na forma de benef\u00edcio ou pens\u00e3o, em um movimento circular constante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Tem-se uma situa\u00e7\u00e3o de bis in idem que se renova e perpetua toda vez que as contribui\u00e7\u00f5es (normais e extraordin\u00e1rias) superam 12% dos rendimentos auferidos pelo contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Receita Federal adota postura de n\u00e3o admitir a dedu\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias, ainda que estejam dentro do limite legal de 12%, conforme solu\u00e7\u00e3o de consulta n\u00ba 354 \u2013 COSIT.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Podemos concluir, portanto, que o d\u00e9ficit atuarial apurado nos planos de benef\u00edcios definidos da previd\u00eancia complementar e equacionados na forma do art. 21 da LC 109\/01, n\u00e3o pode ser admitido como acr\u00e9scimo patrimonial para fins de incid\u00eancia do imposto de renda, devendo ser tratado como hip\u00f3tese de n\u00e3o incid\u00eancia e lan\u00e7ado como \u201crendimentos\u201d n\u00e3o tribut\u00e1veis pelos fundos de pens\u00e3o, por representarem a exata medida da falta de recursos do plano de benef\u00edcios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">E por fim, cumpre alertar que caso tais valores sejam considerados renda e, havendo a exa\u00e7\u00e3o, for superado o valor equivalente a 12% do total de rendimentos auferidos pelo contribuinte, haver\u00e1 a ocorr\u00eancia de bis in idem. Afinal, tais valores retornar\u00e3o ao fundo j\u00e1 tendo sido expostos a tributa\u00e7\u00e3o, e compor\u00e3o, novamente, a base de c\u00e1lculo do imposto quando do resgate na forma de benef\u00edcio ou pens\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Fonte: CONSULTOR JUR\u00cdDICO \u2013 Rodrigo Ribeiro Leit\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conforme o art. 33 da Lei 9.250\/95, os benef\u00edcios, bem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-1d4","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4654"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4654"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4655,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4654\/revisions\/4655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}