{"id":3553,"date":"2019-07-22T12:57:38","date_gmt":"2019-07-22T15:57:38","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=3553"},"modified":"2019-07-22T12:57:38","modified_gmt":"2019-07-22T15:57:38","slug":"solucao-de-consulta-198-da-receita-afronta-jurisprudencia-do-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/07\/22\/solucao-de-consulta-198-da-receita-afronta-jurisprudencia-do-stj\/","title":{"rendered":"SOLU\u00c7\u00c3O DE CONSULTA 198 DA RECEITA AFRONTA JURISPRUD\u00caNCIA DO STJ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com o passar do tempo, vem ficando cada vez mais claro o distanciamento do Estado em suas decis\u00f5es quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o dos preceitos que norteiam o ordenamento brasileiro. Isso porque in\u00fameras decis\u00f5es tomadas nos \u00faltimos tempos desconsideram os princ\u00edpios e a natureza dos objetos sob an\u00e1lise.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Receita Federal firmou entendimento na Solu\u00e7\u00e3o de Consulta 128, datada de 5 de novembro de 2018[1], que n\u00e3o haver\u00e1 a incid\u00eancia de Imposto Territorial Rural (ITR) sobre im\u00f3veis rurais que se situem dentro da zona urbana, devendo, desta forma, haver a incid\u00eancia de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), mesmo quando comprovada a finalidade rural do im\u00f3vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Tal entendimento afronta diretamente as diretrizes estabelecidas pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, quando da an\u00e1lise dessa mat\u00e9ria em sede de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 1.112.646-SP, de relatoria do ministro Herman Benjamin, da 1\u00aa Turma (Tema 174), que fixou a tese de que \u201cn\u00e3o incide IPTU, mas ITR, sobre im\u00f3vel localizado na \u00e1rea urbana do Munic\u00edpio, desde que comprovadamente utilizado em explora\u00e7\u00e3o extrativa, vegetal, agr\u00edcola, pecu\u00e1ria ou agroindustrial\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesse ponto, verifica-se que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a trouxe entendimento extensivo ao que disp\u00f5e o texto constitucional sobre o ITR, ex vi artigo 153, inciso VI, da Carta Magna, de modo que haver\u00e1 a incid\u00eancia desse inclusive quando localizados os im\u00f3veis dentro da zona urbana do munic\u00edpio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Sob essa \u00f3tica da Receita Federal, a natureza do ITR e o princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade est\u00e3o sendo desconsideradas, contrariando disposi\u00e7\u00e3o expressa, consoante entendimento firmado pelo STJ no recurso repetitivo retromencionado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ora, quando se trata de tributa\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis, tanto no IPTU quanto no ITR verifica-se que o princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social do im\u00f3vel predomina em ambas as realidades. Seja na progressividade da al\u00edquota do IPTU, utilizada para desestimular a pr\u00e1tica de manuten\u00e7\u00e3o de propriedades improdutivas por seus propriet\u00e1rios, quanto na tese firmada no REsp 1.112.646-SP, cuja controv\u00e9rsia foi dirimida a partir da an\u00e1lise do exposto pelo Decreto-Lei 57\/1966.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A fun\u00e7\u00e3o social da propriedade \u00e9 um princ\u00edpio privilegiado pelo texto constitucional, visto que o decreto-lei citado (recepcionado com car\u00e1ter de lei complementar) o utilizou como crit\u00e9rio de delimita\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia entre os conflitos existentes entre a Uni\u00e3o (ITR) e munic\u00edpios (IPTU), pois o referido ato entende que n\u00e3o se aplica o disposto no artigo 32 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional aos im\u00f3veis que, comprovadamente, sejam utilizados em atividade rural, devendo incidir, desse modo, o ITR.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Cumpre salientar que o DL 57\/1966 n\u00e3o suprimiu o artigo 32 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, que traz o crit\u00e9rio territorial como premissa de incid\u00eancia de tributos sobre im\u00f3veis, onde a localiza\u00e7\u00e3o em \u00e1rea classificada como urbana, por lei municipal, seria o \u00fanico par\u00e2metro utilizado para a atribui\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia de tributar esses bens aos munic\u00edpios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao dirimir a controv\u00e9rsia acerca do conflito de compet\u00eancia territorial, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a entendeu que a destina\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel prevista pelo DL 57\/1966 deve ser utilizada como crit\u00e9rio delimitador da incid\u00eancia tribut\u00e1ria sobre estes bens, ao passo que a sua aplica\u00e7\u00e3o deve ser realizada de forma conjunta ao crit\u00e9rio espacial previsto no artigo 32 do CTN.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Assim, tendo em vista que a jurisprud\u00eancia se encontra pacificada, ao reconhecerem a finalidade do bem para a clara delimita\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia tribut\u00e1ria sobre im\u00f3veis, a Solu\u00e7\u00e3o de Consulta 198 se demonstra incompleta, qui\u00e7\u00e1 ilegal, visto que deixou de observar a incid\u00eancia do decreto-lei na mat\u00e9ria sob an\u00e1lise.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Portanto, verifica-se que a incompletude da referida solu\u00e7\u00e3o resultou na usurpa\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais do particular pela foice estatal das decis\u00f5es notoriamente opressoras sob o manto protetor emanado pelo princ\u00edpio da supremacia do interesse p\u00fablico sobre o privado, constantemente utilizado para justificar as arbitrariedades cometidas pelo Estado, restando aos contribuintes apenas aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre esta controv\u00e9rsia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[1] Decis\u00e3o publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o em 26 de novembro de 2018, Se\u00e7\u00e3o 01, p\u00e1gina 25.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Conjur \u2013 Por Pedro Becker Calheiros Correia de Melo<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o passar do tempo, vem ficando cada vez mais 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