{"id":3007,"date":"2019-06-17T12:30:03","date_gmt":"2019-06-17T15:30:03","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=3007"},"modified":"2019-06-17T12:30:03","modified_gmt":"2019-06-17T15:30:03","slug":"responsabilidade-solidaria-dos-socios-gerentes-em-execucoes-fiscais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/06\/17\/responsabilidade-solidaria-dos-socios-gerentes-em-execucoes-fiscais\/","title":{"rendered":"RESPONSABILIDADE SOLID\u00c1RIA DOS S\u00d3CIOS-GERENTES EM EXECU\u00c7\u00d5ES FISCAIS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A mera declara\u00e7\u00e3o de solidariedade n\u00e3o possui o cond\u00e3o de criar responsabilidade tribut\u00e1ria que decorre da lei.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao analisar o REsp n\u00ba 1.201.993, afetado como repetitivo, entendeu que o in\u00edcio da contagem do prazo prescricional para redirecionamento de d\u00e9bitos aos s\u00f3cios, em caso de dissolu\u00e7\u00e3o irregular de empresas, inicia-se a partir do momento em que ocorrer o ato irregular praticado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Como pode ser observado, o mencionado julgamento tratou de importantes discuss\u00f5es da \u00e1rea tribut\u00e1ria, isto \u00e9, referente a prazo prescricional e da possibilidade de realizar a cobran\u00e7a de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios em desfavor dos s\u00f3cios-gerentes por meio do redirecionamento da cobran\u00e7a ou por responsabilidade solid\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Especificamente sobre a discuss\u00e3o que envolve o redirecionamento da d\u00edvida tribut\u00e1ria aos s\u00f3cios-gerentes das pessoas jur\u00eddicas executadas ou de torn\u00e1-los respons\u00e1veis solid\u00e1rios pela d\u00edvida, cabe destacar que tal assunto h\u00e1 muito tempo desperta grandes debates quando se trata de cobran\u00e7a de d\u00e9bitos tribut\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Isso acontece por que n\u00e3o \u00e9 autorizado ao fisco criar, a t\u00edtulo de solidariedade passiva nas execu\u00e7\u00f5es fiscais, novos casos de responsabilidade tribut\u00e1ria sem a observ\u00e2ncia dos requisitos legais do artigo 128 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional. Ocorre que, n\u00e3o obstante a exig\u00eancia legislativa antes mencionada, destaca-se que o fisco vem criando, de forma ilegal, uma nova modalidade de tornar os s\u00f3cios-gerentes respons\u00e1veis solid\u00e1rios pela d\u00edvida tribut\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Essa responsabilidade solid\u00e1ria acontece por que o fisco vem exigindo que os s\u00f3cios assinem confiss\u00e3o de d\u00edvida ou declara\u00e7\u00e3o que s\u00e3o solidariamente respons\u00e1veis pela totalidade da d\u00edvida tribut\u00e1ria como requisito para concess\u00e3o de algum parcelamento a pessoa jur\u00eddica. Logo, pode-se pensar que o referido caso se trataria de uma simples fian\u00e7a dada pelo s\u00f3cio ao fisco, mas n\u00e3o se pode ignorar que esta declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa clara se realmente se trata de uma fian\u00e7a ou de mera declara\u00e7\u00e3o de solidariedade ou, ainda, de simples confiss\u00e3o de d\u00edvida ao fisco. Al\u00e9m disso, mesmo que fosse uma fian\u00e7a exigida pelo fisco, que \u00e9 permitida sua cobran\u00e7a do fiador no artigo 4\u00aa, inciso II, da Lei 6830\/1980, n\u00e3o h\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o para o fisco exigir tal instituto como requisito para concess\u00e3o de algum parcelamento tribut\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ocorre que havendo correspons\u00e1veis da d\u00edvida tribut\u00e1ria \u00e9 necess\u00e1rio que a CDA esclare\u00e7a qual o fundamento de tal solidariedade passiva e que haja previs\u00e3o legal para atribuir ao sujeito passivo tal responsabilidade solid\u00e1ria. Isso acontece por que o artigo 779, incisos I e VI, do C\u00f3digo de Processo Civil, deixa claro que a indica\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o fiscal de respons\u00e1vel ou de correspons\u00e1vel pelo d\u00e9bito tribut\u00e1rio depende de previs\u00e3o legal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com efeito, a assinatura de uma mera declara\u00e7\u00e3o de solidariedade ou qualquer termo de confiss\u00e3o de d\u00edvida pelo s\u00f3cio n\u00e3o teria o cond\u00e3o de criar responsabilidade tribut\u00e1ria que decorre apenas da lei, conforme o disposto no artigo 123 e 128, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, n\u00e3o podendo, assim, o s\u00f3cio ser responsabilizado em raz\u00e3o desta condi\u00e7\u00e3o, sem que haja a indica\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica dos atos previstos nos artigos 134 e 135, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional. Al\u00e9m disso, mesmo que se admita que o s\u00f3cio seja inclu\u00eddo no polo passivo da execu\u00e7\u00e3o fiscal por causa da declara\u00e7\u00e3o de solidariedade ou de confiss\u00e3o de d\u00edvida, tal situa\u00e7\u00e3o somente seria permitida ap\u00f3s o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o em face do s\u00f3cio, n\u00e3o podendo se falar em responsabilidade tribut\u00e1ria solid\u00e1ria decorrente da lei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Dessa forma, a confiss\u00e3o de d\u00edvida ou declara\u00e7\u00e3o de solidariedade n\u00e3o possui o cond\u00e3o de criar a obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por responsabilidade solid\u00e1ria que deriva diretamente da lei. Isso acontece por que a obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por responsabilidade solid\u00e1ria independe da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do sujeito passivo, isto \u00e9, a obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria \u00e9 ex lege e, mesmo que terceiro venha a se declarar sujeito passivo do tributo, ele somente ser\u00e1 responsabilizado solidariamente se houver tal previs\u00e3o em lei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Portanto, n\u00e3o se pode negar que o fisco precisa procurar meios efetivos de recuperar os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios em inadimpl\u00eancia, porquanto o financiamento de pol\u00edticas p\u00fablicas depende do sucesso em recolher tributos, mas isso n\u00e3o significa que o fisco possa realizar tais cobran\u00e7as em desrespeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Assim, essa forma de inclus\u00e3o do s\u00f3cio no polo passivo das execu\u00e7\u00f5es fiscais, por for\u00e7a de uma mera declara\u00e7\u00e3o de solidariedade ou confiss\u00e3o de d\u00edvida, precisa ser analisada do ponto de vista da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria para que sejam evitados preju\u00edzos aos contribuintes e a convalida\u00e7\u00e3o de ilegalidades pelo Poder Judici\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Jota &#8211; Maceno Lisboa Da Silva<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mera declara\u00e7\u00e3o de solidariedade n\u00e3o possui o cond\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-Mv","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3007"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3007"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3007\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3008,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3007\/revisions\/3008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}