{"id":2897,"date":"2019-06-11T12:07:37","date_gmt":"2019-06-11T15:07:37","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=2897"},"modified":"2019-06-11T12:07:37","modified_gmt":"2019-06-11T15:07:37","slug":"poucos-estados-adotam-modelo-do-carf-para-desempate-de-julgamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/06\/11\/poucos-estados-adotam-modelo-do-carf-para-desempate-de-julgamentos\/","title":{"rendered":"POUCOS ESTADOS ADOTAM MODELO DO CARF PARA DESEMPATE DE JULGAMENTOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Leandro Cabral: &#8220;Eu critico o voto de qualidade praticado pelo Carf, mas n\u00e3o acho que deva ser extinto&#8221;.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">S\u00f3 cinco Estados adotam, nos seus tribunais administrativos, o mesmo modelo do voto de desempate utilizado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) &#8211; a \u00faltima inst\u00e2ncia para discutir as cobran\u00e7as na esfera federal. Os outros 21 Estados e tamb\u00e9m o Distrito Federal t\u00eam sistem\u00e1ticas pr\u00f3prias. Na maioria deles, o presidente de turma ou c\u00e2mara julgadora s\u00f3 pode votar uma vez, se houver empate, e em alguns a presid\u00eancia n\u00e3o fica apenas nas m\u00e3os da Fazenda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O modelo adotado pelo Carf \u00e9 mais &#8220;fechado&#8221;. A presid\u00eancia \u00e9 sempre ocupada por um auditor fiscal e o presidente pode votar at\u00e9 duas vezes o mesmo caso: uma de forma ordin\u00e1ria, junto com os demais conselheiros, e a outra no desempate. Ou seja, ele pode empatar o julgamento e depois desempatar &#8211; o que n\u00e3o \u00e9 bem visto pelos contribuintes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Al\u00e9m de motivar uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es judiciais, o voto de qualidade do Carf \u00e9 alvo do Projeto de Lei n\u00ba 6.064, que tramita na C\u00e2mara dos Deputados. O texto prev\u00ea extingui-lo. No formato pretendido, havendo empate de votos, a Fazenda sairia derrotada. A medida tem base no artigo 112 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN), que prev\u00ea interpreta\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel ao contribuinte em caso de d\u00favida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Esse projeto de lei ganhou regime de urg\u00eancia h\u00e1 duas semanas como consequ\u00eancia de um acordo para excluir, em vota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, emenda que limitava a atua\u00e7\u00e3o dos auditores fiscais a casos de crimes tribut\u00e1rios e foi inclu\u00edda na medida provis\u00f3ria (MP) da reestrutura\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios. Com a urg\u00eancia, o texto poder\u00e1 ser votado diretamente no Plen\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O l\u00edder do PP na C\u00e2mara, deputado Arthur Lira (AL), est\u00e1 elaborando o texto e negocia com os outros partidos a inclus\u00e3o, nesse projeto, de regras para a atua\u00e7\u00e3o dos auditores e proibir extrapola\u00e7\u00f5es. Ele usa como exemplo a portaria da Receita Federal do fim do ano passado que determina a divulga\u00e7\u00e3o em seu site das representa\u00e7\u00f5es fiscais compartilhadas com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para fins penais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Qual lei autorizou? Isso \u00e9 extrapolar as fun\u00e7\u00f5es da Receita, \u00e9 quebrar o sigilo fiscal&#8221;, acusa o l\u00edder do PP. O projeto n\u00e3o vai retroagir para investiga\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O trecho da proposta que trata sobre o voto de qualidade deve permanecer no seu formato original. Os deputados j\u00e1 haviam aprovado, h\u00e1 dois anos, o fim dessa pr\u00e1tica. Na \u00e9poca, eles utilizaram uma emenda em medida provis\u00f3ria sobre parcelamento especial (Refis), mas os senadores rejeitaram a altera\u00e7\u00e3o alegando que se tratava de um &#8220;jabuti&#8221; &#8211; texto que n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado original.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A possibilidade de, agora, esse tema avan\u00e7ar no Congresso vem causando alvoro\u00e7o entre advogados que atuam para os contribuintes e que defendem o fim do voto de qualidade. A presidente do Carf, Adriana Gomes R\u00eago, acredita, no entanto, que o inc\u00f4modo gerado pela pr\u00e1tica se deva ao uso em casos de valor elevado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Isso porque, segundo dados divulgados pelo Carf, uma pequena fatia das discuss\u00f5es \u00e9 resolvida dessa forma. Apenas 7% das 45.479 decis\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o proferidas entre 2017 e 2019 tiveram o voto de minerva do presidente. Foram 5% a favor da Fazenda e 2% do contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Carf n\u00e3o entrou em contato com os deputados para tentar barrar o projeto, segundo a presidente. Isso teria que ser feito por meio da assessoria parlamentar do Minist\u00e9rio da Economia. Ela chama a aten\u00e7\u00e3o, no entanto, que se aprovada e sancionada a lei, as consequ\u00eancias seriam custosas tanto para a Uni\u00e3o como para os contribuintes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica oferece um contencioso totalmente gratuito por meio do Carf, frisa Adriana, e hoje a Fazenda n\u00e3o pode recorrer ao Judici\u00e1rio quando perde. Isso mudaria com a aprova\u00e7\u00e3o da lei. Ela acredita que tanto os casos resolvidos pelo voto de qualidade, como os definidos por maioria ou mesmo unanimidade contra a Fazenda poderiam ser levados \u00e0 Justi\u00e7a. Geraria mais gastos a ambas as partes e levaria mais tempo para o fim das discuss\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Os pontos de vista do interesse p\u00fablico e da sociedade eu acho que n\u00e3o est\u00e3o sendo observados&#8221;, afirma Adriana sobre o projeto de lei. Ela defende que seja mantido o modelo atual. &#8220;Estamos em um tribunal administrativo. \u00c9 uma decis\u00e3o que representa a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. No caso de empate, o voto do que representa a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria deve desempatar.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Especialista na \u00e1rea tribut\u00e1ria, Leandro Cabral, s\u00f3cio do Velloza Advogados e autor da pesquisa sobre o voto de qualidade nos tribunais dos Estados, acredita que possa haver uma terceira via para essa discuss\u00e3o. &#8220;Eu critico o voto de qualidade praticado pelo Carf, principalmente por ser voto duplo, mas n\u00e3o acho que deva ser extinto&#8221;, pondera. &#8220;Se trata de uma defini\u00e7\u00e3o que precisa ser alterada em prol da paridade. Em vez de duplo, mudar para voto \u00fanico, como ocorre na maioria dos Estados.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Somente Par\u00e1, Paran\u00e1, Piau\u00ed, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte seguem modelo semelhante ao que \u00e9 utilizado no Carf. Amazonas, Bahia, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo t\u00eam tamb\u00e9m voto duplo, mas nesses Estados ou a presid\u00eancia \u00e9 alternada com representante dos contribuintes ou o substituto do presidente fazend\u00e1rio \u00e9 representante dos contribuintes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A maioria dos Estados, por\u00e9m &#8211; 17 ao todo e o Distrito Federal &#8211; adota o voto \u00fanico. Desse total, Acre, Distrito Federal e Goi\u00e1s t\u00eam a presid\u00eancia alternada. Em algumas turmas, o presidente \u00e9 da Fazenda, por exemplo, e em outras dos contribuintes. J\u00e1 no Amap\u00e1, Esp\u00edrito Santos e Mato Grosso do Sul, apesar de a presid\u00eancia ser ocupada por um auditor fiscal, o substituto ou o vice \u00e9 representante dos contribuintes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais do Rio Grande do Sul (Tarf) \u00e9 o \u00fanico que tem voto \u00fanico e a presid\u00eancia fica nas m\u00e3os de um profissional &#8220;isento&#8221;. Ele \u00e9 escolhido pelo Secret\u00e1rio da Fazenda e n\u00e3o deve representar nem o Fisco nem o contribuinte. Os demais 11 Estados &#8211; Alagoas, Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Mato Grosso, Para\u00edba, Pernambuco, Rond\u00f4nia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins &#8211; se utilizam do voto \u00fanico, mas com a presid\u00eancia da Fazenda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O levantamento feito pelo advogado mostra que apesar de haver diferentes modelos, a sistem\u00e1tica do voto de qualidade existe em todos os Estados. Para Leandro Cabral, extingui-lo seria um risco ao processo administrativo. &#8220;Eu prezo mais pela manuten\u00e7\u00e3o do Carf do que por uma altera\u00e7\u00e3o legislativa que fragilize esse sistema. O processo administrativo tribut\u00e1rio deve ser preservado&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para o advogado Tiago Conde, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Sacha Calmon Misabel Derzi Advogados, a possibilidade de acabar com o voto de qualidade equivaleria a pedir para acabar com o pr\u00f3prio Carf. &#8220;O voto de qualidade \u00e9 importante para a Fazenda e n\u00f3s temos um outro benef\u00edcio, que \u00e9 a possibilidade de, ao vencer, o processo n\u00e3o chegar ao Judici\u00e1rio. Isso \u00e9 mais importante que o voto de qualidade&#8221;, observa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ele tamb\u00e9m acredita que possa haver alternativa ao modelo que se tem hoje. Por exemplo, manter da forma como est\u00e1, mas com a possibilidade de o contribuinte que perde pelo voto do presidente discutir seu caso no Judici\u00e1rio sem a necessidade de apresentar garantia \u00e0 d\u00edvida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico &#8211; Por Joice Bacelo, Beatriz Olivon e Raphael Di Cunto<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leandro Cabral: &#8220;Eu critico o voto de qualidade praticado pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-KJ","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2897"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2898,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions\/2898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}