{"id":25195,"date":"2022-10-03T10:23:55","date_gmt":"2022-10-03T13:23:55","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=25195"},"modified":"2022-10-03T10:23:55","modified_gmt":"2022-10-03T13:23:55","slug":"penhora-anterior-nao-compromete-alienacao-de-imovel-prevista-no-plano-de-recuperacao-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2022\/10\/03\/penhora-anterior-nao-compromete-alienacao-de-imovel-prevista-no-plano-de-recuperacao-judicial\/","title":{"rendered":"PENHORA ANTERIOR N\u00c3O COMPROMETE ALIENA\u00c7\u00c3O DE IM\u00d3VEL PREVISTA NO PLANO DE RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, decidiu que a penhora registrada em data anterior n\u00e3o impede a aliena\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel prevista em plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, quando a constri\u00e7\u00e3o tiver sido autorizada por ju\u00edzo comum.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O colegiado manteve ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) que considerou inv\u00e1lida a penhora determinada por ju\u00edzo comum, uma vez que ela deveria ter sido autorizada, \u00fanica e exclusivamente, pelo ju\u00edzo recuperacional, conforme interpreta\u00e7\u00e3o em sentido contr\u00e1rio da S\u00famula 480.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo o processo, uma empresa de planejamento de neg\u00f3cios ajuizou a\u00e7\u00e3o de despejo por falta de pagamento cumulada com cobran\u00e7a contra outra sociedade empresarial. Instaurado o respectivo cumprimento de senten\u00e7a, o ju\u00edzo da 35\u00aa Vara C\u00edvel Central de S\u00e3o Paulo determinou a penhora de um im\u00f3vel de propriedade da devedora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Paralelamente a essa a\u00e7\u00e3o, em assembleia geral de credores, foi aprovado o plano de recupera\u00e7\u00e3o da devedora, prevendo a aliena\u00e7\u00e3o daquele im\u00f3vel, a qual foi autorizada pela 5\u00aa Vara C\u00edvel de Barueri \u2013 onde corre o processo recuperacional. Nesse contexto, o im\u00f3vel foi vendido a uma empresa imobili\u00e1ria por R$ 7 milh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Manuten\u00e7\u00e3o da penhora \u00e9 incompat\u00edvel com princ\u00edpios que norteiam a recupera\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A imobili\u00e1ria op\u00f4s embargos de terceiro nos autos do cumprimento de senten\u00e7a em que havia sido determinada a penhora, a fim de levant\u00e1-la, mas n\u00e3o teve \u00eaxito. O TJSP deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o e invalidou a penhora, sob o entendimento de que a sua manuten\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria compat\u00edvel com o objetivo da recupera\u00e7\u00e3o judicial, que \u00e9 viabilizar a supera\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mico-financeira do devedor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao STJ, a empresa de planejamento, autora da a\u00e7\u00e3o de despejo e cobran\u00e7a, alegou que a penhora deveria ser mantida, por ter sido averbada no registro imobili\u00e1rio antes da aliena\u00e7\u00e3o realizada na recupera\u00e7\u00e3o judicial. Ela sustentou, ainda, que, por n\u00e3o haver veda\u00e7\u00e3o legal de penhora e aliena\u00e7\u00e3o de bens pertencentes a empresa em recupera\u00e7\u00e3o, a venda autorizada pelo ju\u00edzo recuperacional n\u00e3o afastaria a garantia de outra a\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Atos judiciais que reduzirem o patrim\u00f4nio da empresa recuperanda podem ser afastados<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O relator do recurso, ministro Moura Ribeiro, ressaltou que, segundo o artigo 47 da Lei 11.101\/2005, a recupera\u00e7\u00e3o se destina a viabilizar a supera\u00e7\u00e3o da crise da empresa devedora, preservando suas atividades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O magistrado destacou que o STJ j\u00e1 se posicionou no sentido de impedir atos judiciais pass\u00edveis de reduzir o patrim\u00f4nio da empresa recuperanda, inclusive em execu\u00e7\u00f5es fiscais, com o intuito de evitar preju\u00edzos ao cumprimento do plano de recupera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Mesmo ciente da situa\u00e7\u00e3o enfrentada pela devedora e da destina\u00e7\u00e3o do produto da venda do aludido im\u00f3vel \u00e0 sua recupera\u00e7\u00e3o, a empresa de planejamento pleiteou a penhora do mesmo bem, no seu processo de execu\u00e7\u00e3o individual, em ol\u00edmpica inobserv\u00e2ncia aos princ\u00edpios da boa-f\u00e9, da transpar\u00eancia e da fun\u00e7\u00e3o social, que d\u00e3o esteio \u00e0s finalidades do procedimento recuperacional, como bem observou o TJSP&#8221;, declarou o relator.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ju\u00edzo recuperacional exerce controle sobre os atos de constri\u00e7\u00e3o patrimonial<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Moura Ribeiro observou que, como constatado no ac\u00f3rd\u00e3o do TJSP, o ju\u00edzo da 35\u00aa Vara C\u00edvel Central n\u00e3o dispunha de compet\u00eancia para autorizar a penhora, considerando que os atos de disponibilidade dos bens de propriedade da empresa em recupera\u00e7\u00e3o s\u00e3o de compet\u00eancia \u00fanica e exclusiva do ju\u00edzo recuperacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Dessa forma, o magistrado confirmou o entendimento do tribunal local no sentido de que a penhora, embora registrada em data anterior, \u00e9 inv\u00e1lida e, por isso, n\u00e3o comprometeu a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel prevista no plano de recupera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ministro afirmou que a recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o efeito de atrair, para o ju\u00edzo que a processa, todas as execu\u00e7\u00f5es existentes em nome da devedora, como ocorre na fal\u00eancia, entretanto, o ju\u00edzo recuperacional &#8220;exercer\u00e1 o controle sobre os atos de constri\u00e7\u00e3o ou expropria\u00e7\u00e3o patrimonial&#8221;, avaliando se os bens s\u00e3o essenciais \u00e0 atividade empresarial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Mesmo que haja penhora anterior realizada em outro processo, permanece essa an\u00e1lise perante o ju\u00edzo recuperacional, determinando-se o desfazimento do ato&#8221;, concluiu o relator ao negar provimento ao recuso especial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.854.493.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: STJ <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por 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