{"id":1875,"date":"2019-04-29T12:51:51","date_gmt":"2019-04-29T15:51:51","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=1875"},"modified":"2019-04-29T12:51:51","modified_gmt":"2019-04-29T15:51:51","slug":"tst-nao-inclui-terceirizacao-em-lista-de-sumulas-contrarias-a-reforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/04\/29\/tst-nao-inclui-terceirizacao-em-lista-de-sumulas-contrarias-a-reforma\/","title":{"rendered":"TST N\u00c3O INCLUI TERCEIRIZA\u00c7\u00c3O EM LISTA DE S\u00daMULAS CONTR\u00c1RIAS \u00c0 REFORMA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Tribunal Superior do Trabalho (TST) elaborou uma lista com 20 s\u00famulas e orienta\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em desacordo com a reforma trabalhista (Lei n\u00ba 13.467, de 2017). A rela\u00e7\u00e3o dos textos que poder\u00e3o ser cancelados ou adaptados \u00e0 nova legisla\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 completa, segundo especialistas. Ficaram de fora quest\u00f5es importantes, como a terceiriza\u00e7\u00e3o e a ultratividade.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A lista s\u00f3 n\u00e3o foi julgada ainda por uma quest\u00e3o processual. A an\u00e1lise est\u00e1 atrelada a um outro julgamento, em que o Pleno do TST se posicionar\u00e1 sobre o artigo 702, inclu\u00eddo pela reforma na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), e que estabeleceu um rito pr\u00f3prio para a edi\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00e3o de s\u00famulas e enunciados do tribunal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No rol consta, por exemplo, a s\u00famula que pro\u00edbe a retirada de gratifica\u00e7\u00e3o paga por mais de dez anos ao funcion\u00e1rio. Esse item, por si s\u00f3, j\u00e1 tem peso consider\u00e1vel &#8211; tanto na vis\u00e3o das empresas como na de trabalhadores. H\u00e1 ainda a s\u00famula que inclui o tempo de deslocamento do empregado como parte da jornada e a que desobriga o trabalhador de pagar honor\u00e1rios advocat\u00edcios quando perde a a\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Se levar em conta a reforma propriamente dita, no entanto, a lista est\u00e1 incompleta. Tanto a ultratividade, prevista pela S\u00famula 277, como a terceiriza\u00e7\u00e3o, que consta na 331, s\u00e3o consideradas de &#8220;extrema import\u00e2ncia&#8221; para o mercado. Para advogados, como agora h\u00e1 previs\u00e3o expressa em lei contrariando os dois textos, ambas deveriam ser canceladas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A chamada ultratividade envolve benef\u00edcios que s\u00e3o acordados em conven\u00e7\u00f5es coletivas. Pela S\u00famula 277 s\u00f3 poderia haver a revoga\u00e7\u00e3o pela empresa se assim ficasse decidido em outra conven\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o artigo 614 da CLT, inclu\u00eddo pela reforma, fixa prazo m\u00e1ximo de dois anos para a dura\u00e7\u00e3o dos acordos, com expressa veda\u00e7\u00e3o \u00e0 ultratividade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Mas a &#8220;cereja do bolo&#8221;, segundo advogados, \u00e9 a terceiriza\u00e7\u00e3o. &#8220;A grande reforma trabalhista que n\u00f3s tivemos foi acabar com o veto \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade-fim&#8221;, diz Nelson Mannrich, do Mannrich e Vasconcelos Advogados. &#8220;Essa deveria ser a primeira s\u00famula da pauta a ser enfrentada e n\u00e3o est\u00e1 na lista.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">H\u00e1, de acordo com Mannrich, centenas de processos sobre terceiriza\u00e7\u00e3o e a maioria das decis\u00f5es do TST ainda \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0s empresas. S\u00e3o, principalmente, a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas ajuizadas antes da reforma. &#8220;Isso pode quebrar uma empresa. Porque a companhia que terceirizou antes da reforma n\u00e3o pode contratar, mas o seu concorrente que terceirizou depois pode&#8221;, explica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A lista a qual o Valor teve acesso possui 20 itens: 14 s\u00famulas, quatro orienta\u00e7\u00f5es jurisprudenciais e um parecer normativo. &#8220;S\u00e3o praticamente todas relacionadas ao direito dos trabalhadores&#8221;, diz Thereza Cristina Carneiro, s\u00f3cia do CSMV Advogados. Quest\u00f5es, acrescenta, &#8220;efetivamente alteradas pela reforma&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ela cita como exemplo as s\u00famulas 219 e 239, sobre honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia &#8211; pagos por quem perde a a\u00e7\u00e3o aos advogados da parte vencedora. &#8220;N\u00e3o existia a condena\u00e7\u00e3o dos empregados ao pagamento. Hoje o artigo 701 A prev\u00ea pagamento de 5% a 15%&#8221;, enfatiza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Outras s\u00famulas, a 90 e a 320, incluem como jornada de trabalho ou tempo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do empregador as horas que o empregado gasta para se deslocar at\u00e9 a empresa (em locais de dif\u00edcil acesso ou sem transporte p\u00fablico) &#8211; as chamadas horas &#8220;in itinere&#8221;. O artigo 58 da CLT, inserido pela reforma, destaca a advogada, \u00e9 expresso em sentido contr\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Tamb\u00e9m fazem parte da lista a S\u00famula 114, que pro\u00edbe a extin\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es trabalhistas, na fase de pagamento, por falta de movimenta\u00e7\u00e3o (prescri\u00e7\u00e3o intercorrente). O texto \u00e9 diferente do que consta na CLT, a partir da inclus\u00e3o do artigo 11-A. Outra que est\u00e1 no foco \u00e9 a 377, segundo a qual o preposto (representante da empresa) em audi\u00eancias deve ser um empregado. O artigo 843, ap\u00f3s a reforma, passou a permitir a indica\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa, sem a necessidade de v\u00ednculo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Ser\u00e1 uma discuss\u00e3o muito grande em rela\u00e7\u00e3o a qualquer dessas s\u00famulas&#8221;, afirma Crist\u00f3v\u00e3o Tavares de Macedo, s\u00f3cio do Bosisio Advogados. Tr\u00eas pontos, acrescenta, ter\u00e3o que ser definidos: se a s\u00famula de alguma forma se justifica ainda, mesmo para situa\u00e7\u00f5es passadas; se ainda \u00e9 aplic\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a determinadas situa\u00e7\u00f5es de processos que j\u00e1 vigoravam; e se s\u00e3o s\u00famulas que s\u00f3 v\u00e3o poder ser exclu\u00eddas em rela\u00e7\u00e3o a contratos de trabalhos novos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Eduardo Henrique Marques Soares, s\u00f3cio do LBS Advogados, que atua para trabalhadores, entende, por\u00e9m, que os ministros deveriam ir al\u00e9m. &#8220;H\u00e1 quest\u00e3o constitucional envolvida&#8221;, enfatiza. &#8220;O cancelamento de qualquer uma das s\u00famulas depende de discuss\u00e3o pr\u00e9via e observ\u00e2ncia a direito adquirido e ato jur\u00eddico perfeito.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A an\u00e1lise das s\u00famulas est\u00e1 atrelada ao julgamento sobre a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 702 da CLT, que dificulta a edi\u00e7\u00e3o e a altera\u00e7\u00e3o desses textos. A al\u00ednea f do inciso I, por exemplo, estabelece qu\u00f3rum m\u00ednimo. J\u00e1 o par\u00e1grafo 3\u00ba prev\u00ea que os julgamentos sejam p\u00fablicos, divulgados com 30 dias de anteced\u00eancia e que permitam defesa oral \u00e0 OAB, procurador-geral do trabalho, advogado-geral da Uni\u00e3o e a confedera\u00e7\u00f5es sindicais e entidades de classe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A constitucionalidade desse artigo seria analisada em mar\u00e7o e, em seguida, os ministros fariam o exame das s\u00famulas. \u00c0s v\u00e9speras do julgamento, por\u00e9m, entidades empresariais ingressaram com uma a\u00e7\u00e3o direta de constitucionalidade (ADC) no Supremo Tribunal Federal para que o 702 seja declarado v\u00e1lido. Como havia pedido do relator, ministro Ricardo Lewandowski, para que o TST se manifestasse, os ministros trabalhistas adiaram a discuss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A inser\u00e7\u00e3o do artigo 702 na CLT, afirmam advogados, teria sido uma rea\u00e7\u00e3o das empresas ao exagero de s\u00famulas criadas pelo TST. &#8220;Estava atuando como legislador&#8221;, diz Crist\u00f3v\u00e3o Tavares de Macedo. H\u00e1 entendimento quase pac\u00edfico no TST, por\u00e9m, pondera, de que esse artigo, da maneira como proposto, invade a atribui\u00e7\u00e3o do tribunal de estabelecer a sua forma de atua\u00e7\u00e3o. &#8220;Seria uma invas\u00e3o na autonomia de um poder espec\u00edfico.&#8221; Ainda n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o, segundo o TST, para a retomada do julgamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico \u2013 Por Joice Bacelo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Tribunal Superior do Trabalho (TST) elaborou uma lista com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-uf","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1875"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1876,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875\/revisions\/1876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}