{"id":1259,"date":"2019-04-02T15:31:12","date_gmt":"2019-04-02T18:31:12","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=1259"},"modified":"2019-04-02T15:31:12","modified_gmt":"2019-04-02T18:31:12","slug":"decisoes-judiciais-impedem-receita-de-reter-mercadorias-importadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/04\/02\/decisoes-judiciais-impedem-receita-de-reter-mercadorias-importadas\/","title":{"rendered":"DECIS\u00d5ES JUDICIAIS IMPEDEM RECEITA DE RETER MERCADORIAS IMPORTADAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Receita Federal n\u00e3o pode reter mercadorias importadas para exigir a corre\u00e7\u00e3o de erro na classifica\u00e7\u00e3o fiscal e o pagamento de diferen\u00e7as de tributos. Este \u00e9 o entendimento que predomina na segunda inst\u00e2ncia da Justi\u00e7a Federal e nos tribunais superiores, de acordo com levantamento realizado pelo escrit\u00f3rio Fauvel e Moraes Sociedade de Advogados.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A maioria das decis\u00f5es, afirma o advogado Augusto Fauvel de Moraes, considera a reten\u00e7\u00e3o indevida. Os julgadores, acrescenta, aplicam, por analogia, a S\u00famula 323 do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo texto, &#8220;\u00e9 inadmiss\u00edvel a apreens\u00e3o de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O entendimento predominante, segundo Fauvel, \u00e9 o de que a libera\u00e7\u00e3o de mercadorias n\u00e3o impede a Receita Federal de continuar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e no futuro exigir eventuais diferen\u00e7as de tributos e multas. &#8220;Caracteriza-se [a reten\u00e7\u00e3o] como meio coercitivo&#8221;, diz o advogado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No pr\u00f3prio Supremo, os ministros t\u00eam aplicado, por analogia, a s\u00famula. Em julgado recente (RE 1175581), a ministra C\u00e1rmen L\u00facia afirma que &#8221; \u00e9 inexig\u00edvel a presta\u00e7\u00e3o de garantia para libera\u00e7\u00e3o de mercadoria importada retida em face de diverg\u00eancias quanto \u00e0 sua classifica\u00e7\u00e3o fiscal na NCM [Nomenclatura Comum do Mercosul], devendo a fiscaliza\u00e7\u00e3o lavrar auto de infra\u00e7\u00e3o para cobran\u00e7a das diferen\u00e7as tribut\u00e1rias e multas eventualmente aplicadas&#8221;. Nesse mesmo sentido tamb\u00e9m h\u00e1 outro julgado recente de relatoria do ministro Luiz Fux (RE 1176136).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em fevereiro, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) tamb\u00e9m seguiu o mesmo caminho. No ac\u00f3rd\u00e3o (REsp 1794308), a relatora, ministra Assusete Magalh\u00e3es, elenca julgados das turmas de direito p\u00fablico (1\u00aa e 2\u00aa) que aplicaram a s\u00famula. Neles, o entendimento \u00e9 o de que o Fisco n\u00e3o pode reter mercadoria importada paraimpor o recebimento de diferen\u00e7as de tributos ou exigir cau\u00e7\u00e3o para liber\u00e1-la.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nos tribunais regionais federais (TRFs), por\u00e9m, ainda existem decis\u00f5es divergentes, principalmente na 2\u00aa Regi\u00e3o, que abrange os Estados do Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo, e na 5\u00aa Regi\u00e3o, que engloba Alagoas, Cear\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O relator de um caso na 3\u00aa Turma do TRF da 2\u00aa Regi\u00e3o (processo n\u00ba 0009457-96.2014.4.02.5101), desembargador Firly Nascimento Filho, entendeu que a reten\u00e7\u00e3o da mercadoria na alf\u00e2ndega, no seu desembara\u00e7o, &#8220;constitui medida legalmente apropriada quando ocorrer a aus\u00eancia de pagamento dos impostosdevidos; isso porque o recolhimento das exa\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 entrada da mercadoria no territ\u00f3rio nacional consiste numa fase do pr\u00f3prio procedimento de importa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para o desembargador, a S\u00famula 323, aprovada em 1963, n\u00e3o pode ser aplicada, j\u00e1 que no caso se analisava a apreens\u00e3o de mercadoria pelo munic\u00edpio de Major Isidoro (AL) como meio de cobran\u00e7a de d\u00edvida fiscal. &#8220;Revela-se claro, portanto, que o princ\u00edpio utilizado no julgamento do precedente que inspirou a edi\u00e7\u00e3o da S\u00famulaSTF 323 \u00e9 inadequado para resolver a quest\u00e3o jur\u00eddica relativa \u00e0 reten\u00e7\u00e3o de mercadoria importada, pela autoridade alfandeg\u00e1ria, diante da aus\u00eancia de recolhimento dos tributos devidos em raz\u00e3o da pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz na decis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Na 4\u00aa Turma do TRF da 2\u00aa Regi\u00e3o, no entanto, h\u00e1 julgado de novembro favor\u00e1vel aos contribuintes. No processo analisado (n\u00ba 0010691-85.2017.4.02.00 00), o relator, desembargador Luiz Antonio Soares, decidiu pela aplica\u00e7\u00e3o da s\u00famula do STF.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em julgamento recente na 1\u00aa Turma do TRF da 4\u00aa Regi\u00e3o (sul do pa\u00eds), o relator Francisco Donizete Gomes ressaltou que &#8220;a jurisprud\u00eancia do TRF, por sua vez, apresentou oscila\u00e7\u00e3o entre a exig\u00eancia ou n\u00e3o de garantia para libera\u00e7\u00e3o das mercadorias nestes casos. Contudo, os mais recentes ac\u00f3rd\u00e3os t\u00eam adotado posi\u00e7\u00e3o id\u00eantica a do STJ&#8221; (AG 5007208-34.2019.4.04.0000).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">J\u00e1 no TRF da 3\u00aa Regi\u00e3o (que abrange S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul), tanto a 3\u00aa Turma quanto a 4\u00aa t\u00eam decis\u00f5es favor\u00e1veis aos contribuintes. (processos n\u00ba 5000640-84.2018.4.03.6104 e n\u00ba 5024059-49.2017.4.03.0000).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em nota, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informa que &#8220;a raz\u00e3o desse quadro jur\u00eddico confuso e inseguro decorre, em grande medida, da aplica\u00e7\u00e3o inadequada da S\u00famula n\u00ba 323 do STF \u00e0s hip\u00f3teses reclassifica\u00e7\u00e3o fiscal no desembara\u00e7o aduaneiro&#8221;. Isso porque, segundo o texto, &#8220;a s\u00famula em quest\u00e3o n\u00e3o se aplica aos tributos aduaneiros, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 acoplamento f\u00e1tico capaz de legitimar a incid\u00eancia do enunciado sumular&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nas hip\u00f3teses de reclassifica\u00e7\u00e3o fiscal por erro ou equ\u00edvoco do contribuinte, a PGFN defende, na nota, a aplica\u00e7\u00e3o por analogia da S\u00famula 661 do STF, editada em 2003, segundo a qual: &#8220;na entrada de mercadoria importada do exterior, \u00e9 leg\u00edtima a cobran\u00e7a do ICMS por ocasi\u00e3o do desembara\u00e7o aduaneiro&#8221;. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, &#8220;esse entendimento foi confirmado pelo Plen\u00e1rio do STF em 2015, momento em que tal s\u00famula foi convertida na S\u00famula Vinculante de n\u00famero 48&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A procuradoria ainda destaca no texto que existem diversos precedentes do STF entendendo que &#8220;a libera\u00e7\u00e3o da mercadoria importada est\u00e1 condicionada \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o, pelo importador, do preenchimento de todos os requisitos necess\u00e1rios \u00e0 interna\u00e7\u00e3o desses bens, entre eles o leg\u00edtimo pagamento do tributo ou a presta\u00e7\u00e3oda garantia id\u00f4nea, cujo fato gerador surge no desembara\u00e7o aduaneiro&#8221; (ARE 876019 AgR, RE 810035, RE 193817 e RE 585028 AgR).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico \u2013 Por Adriana Aguiar<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Receita Federal n\u00e3o pode reter mercadorias importadas para exigir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-kj","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1259"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1259"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1260,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1259\/revisions\/1260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}