{"id":1120,"date":"2019-03-27T12:02:23","date_gmt":"2019-03-27T15:02:23","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=1120"},"modified":"2019-03-27T12:02:23","modified_gmt":"2019-03-27T15:02:23","slug":"carf-diverge-sobre-despesas-de-capatazia-no-calculo-de-pis-e-cofins-importacaocarf-diverge-sobre-despesas-de-capatazia-no-calculo-de-pis-e-cofins-importacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/03\/27\/carf-diverge-sobre-despesas-de-capatazia-no-calculo-de-pis-e-cofins-importacaocarf-diverge-sobre-despesas-de-capatazia-no-calculo-de-pis-e-cofins-importacao\/","title":{"rendered":"CARF DIVERGE SOBRE DESPESAS DE CAPATAZIA NO C\u00c1LCULO DE PIS E COFINS IMPORTA\u00c7\u00c3OCARF DIVERGE SOBRE DESPESAS DE CAPATAZIA NO C\u00c1LCULO DE PIS E COFINS IMPORTA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesta semana retomamos a coluna &#8220;Direto do Carf&#8221; para tratar de mais um tema afeto \u00e0 3\u00aa Se\u00e7\u00e3o de julgamento daquele tribunal: a inclus\u00e3o ou n\u00e3o das despesas de capatazia na base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins incidentes nas opera\u00e7\u00f5es de importa\u00e7\u00e3o.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Antes de uma an\u00e1lise mais acurada a respeito do posicionamento do Carf, necess\u00e1rio destacar que a capatazia se trata da despesa incorrida na movimenta\u00e7\u00e3o de cargas\/mercadorias nas instala\u00e7\u00f5es do porto de destino. A discuss\u00e3o, portanto, gravita em torno de saber se o valor despendido com isso comp\u00f5e ou n\u00e3o o valor aduaneiro, base de c\u00e1lculo de PIS\/Cofins Importa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nesse sentido, conv\u00e9m destacar recente decis\u00e3o do Carf retratada pelo Ac\u00f3rd\u00e3o 3402-006.218[1], que, por maioria, negou provimento a recurso de of\u00edcio, entendendo que a capatazia n\u00e3o poderia compor a base de c\u00e1lculo das exa\u00e7\u00f5es aqui tratadas uma vez que, nos termos do artigo 8\u00ba do acordo sobre a implementa\u00e7\u00e3o do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Com\u00e9rcio, considera-se valor aduaneiro de mercadorias o pre\u00e7o da mercadoria at\u00e9 a chegada no porto (pre\u00e7o CIF), n\u00e3o abrangendo aqueles disp\u00eandios incorridos ap\u00f3s a chegada no porto de destino, como \u00e9 o caso das despesas com capatazia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Observe-se que o sobredito ac\u00f3rd\u00e3o tomou por fundamento o conceito firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento no Recurso Extraordin\u00e1rio 559.937, que, em sede de repercuss\u00e3o geral, identificou &#8220;valor aduaneiro&#8221; como o pre\u00e7o CIF da mercadoria (custo, seguro e frete) para fins de incid\u00eancia de PIS\/Cofins Importa\u00e7\u00e3o. Nas palavras da ministra Ellen Gracie, remete-se &#8220;ao valor do produto posto no pa\u00eds importador, ou seja, ao pre\u00e7o CIF (&#8216;cost, insurance and freight&#8217;) e n\u00e3o ao simples pre\u00e7o FOB (&#8216;freeon board&#8217;)&#8221;, o que tamb\u00e9m encontrou eco nas raz\u00f5es de decidir do voto do ministro Luiz Fux: (&#8230;) a base de c\u00e1lculo \u00e9 o pre\u00e7o CIF (Cost, Insurance and Freigt), ou seja, refer\u00eancia ao pre\u00e7o para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no Pa\u00eds, considerando o seu custo, o seguro e o frete, nada mais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Diversa, no entanto, tem sido a interpreta\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Turma da 4\u00aa C\u00e2mara da 3\u00aa Se\u00e7\u00e3o, que, ao partir de uma premissa alternativa de an\u00e1lise do tema, (por exemplo, ac\u00f3rd\u00e3os 3401-003.216 e 3401-003.137), tem decidido que a Lei 10.865\/2004, ao versar sobre a base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre a importa\u00e7\u00e3o, remeteu o int\u00e9rprete ao &#8220;valor aduaneiro&#8221;, enquanto que as normas infralegais que serviram para regulamentar a mat\u00e9ria utilizaram a express\u00e3o &#8220;despesas incorridas at\u00e9 o porto&#8221; ou &#8220;at\u00e9 a chegada aos locais&#8221; para demonstrar a extens\u00e3o dos fatos econ\u00f4micos que estariam compreendidos no permissivo legal, o que, por sua vez, remeteu \u00e0 seguinte perplexidade: deve o aplicador interpretar a preposi\u00e7\u00e3o &#8220;at\u00e9&#8221; como uma part\u00edcula gramatical inclusiva ou exclusiva? Em outras palavras, afirmar que est\u00e3o inclu\u00eddas as despesas incorridas &#8220;at\u00e9 o porto&#8221; incluem ou excluem o porto?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No ac\u00f3rd\u00e3o em refer\u00eancia, a 1\u00aa Turma chamou a aten\u00e7\u00e3o para a ambiguidade do termo &#8220;at\u00e9&#8221;, que n\u00e3o se esclarece em nenhum dos idiomas em que se apresenta o texto aut\u00eantico do AVA: ingl\u00eas (to the port), franc\u00eas (jusqu&#8217;au port) e espanhol (hasta el puerto). Como se extrai de trecho do voto do relator do caso, (&#8230;) em todas as vers\u00f5es parece surgir uma ambiguidade, derivada usualmente do termo &#8220;at\u00e9&#8221; (&#8230;), sempre que o complemento seja uma coordenada de tempo (que n\u00e3o se consubstancie imediatamente) ou espa\u00e7o (que se revele uma \u00e1rea, e n\u00e3o um ponto), o que levou o colegiado a partir do racioc\u00ednio de que n\u00e3o haveria, na verdade, qualquer comando em tratado internacional que apontasse para a inclus\u00e3o ou para a exclus\u00e3o das despesas, afastando-se, portanto, da pr\u00f3pria premissa de an\u00e1lise do Superior Tribunal de Justi\u00e7a[2] ou do recente Ac\u00f3rd\u00e3o 3402-006.218.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A partir de tal conclus\u00e3o, duas posi\u00e7\u00f5es se formaram: a maioria do colegiado se formou em torno da concep\u00e7\u00e3o de que a express\u00e3o &#8220;at\u00e9&#8221; como inclusiva, nos moldes do Ato Declarat\u00f3rio Coana 3\/2000, ou do par\u00e1grafo 3\u00ba do artigo 4\u00ba da Instru\u00e7\u00e3o Normativa SRF 327\/2003, n\u00e3o seria incompat\u00edvel com o voc\u00e1bulo &#8220;valor aduaneiro&#8221;, tratando-se, antes, da contextualiza\u00e7\u00e3o nacional do AVA como faculdade da administra\u00e7\u00e3o, conforme trecho do voto vencedor: &#8220;pode-se at\u00e9 discordar da decis\u00e3o do pa\u00eds em optar por incluir as despesas com descarga no valor aduaneiro, ou afirmar que a maioria dos pa\u00edses do mundo segue linha diversa, mas n\u00e3o h\u00e1 fundamento (&#8230;) para dizer que isso afronte o AVA (&#8230;) ou mesmo o Regulamento Aduaneiro&#8221;. Neste sentido, de inclus\u00e3o das despesas de capatazia, independentemente da responsabilidade pelo \u00f4nus financeiro e da denomina\u00e7\u00e3o adotada, tamb\u00e9m \u00e9 o entendimento da 2\u00aa Turma da 3\u00aa C\u00e2mara da 3\u00aa Se\u00e7\u00e3o, retratada nos ac\u00f3rd\u00e3os 3302-003.177 e 3302-003.198.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A minoria do colegiado, vencida no Ac\u00f3rd\u00e3o 3401-003.216, por outro lado, partindo de id\u00eantica premissa de inexist\u00eancia de incompatibilidade com o AVA-GATT, entendeu que, como a IN 16\/1998 nada previa quanto \u00e0 inclus\u00e3o das despesas de capatazia e, sem altera\u00e7\u00e3o legislativa, a IN 327\/2003 passou a inclu\u00ed-las, ato meramente regulamentar teria passado a acrescer \u00e0 base de c\u00e1lculo fen\u00f4meno econ\u00f4mico que antes ali inexistia, extrapolando, assim, a reserva legal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O que se observa, portanto, na seara administrativa, \u00e9 a discord\u00e2ncia acerca da interpreta\u00e7\u00e3o sobre a inclus\u00e3o ou n\u00e3o das despesas de capatazia entre as turmas ordin\u00e1rias do Carf, sendo poss\u00edvel se apontar para a exist\u00eancia de tr\u00eas interpreta\u00e7\u00f5es: (i) para a primeira, h\u00e1 contrariedade da inclus\u00e3o com o texto do AVA-GATT (Ac\u00f3rd\u00e3o 3402-006.218), devendo ser aplicada a decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal no sentido de que o valor aduaneiro corresponde exclusivamente ao pre\u00e7o CIF (cost, insurance and freight); (ii) para a segunda, inexiste contrariedade com o AVA (ac\u00f3rd\u00e3os 3401-003.216 e 3302-003.177), uma vez que o acordo n\u00e3o determina a inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o das despesas, cabendo \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica a defini\u00e7\u00e3o do alcance da base. \u00c9 poss\u00edvel, ainda, o registro de um terceiro vetor argumentativo minorit\u00e1rio (voto vencido do Ac\u00f3rd\u00e3o 3401-003.216 ), no sentido de que, (iii) ainda que inexista contrariedade com rela\u00e7\u00e3o ao tratado, a majora\u00e7\u00e3o da base extrapolou a reserva legal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A discuss\u00e3o n\u00e3o apresenta ainda desfecho, j\u00e1 que n\u00e3o enfrentada pela CSRF do Carf, embora possa a vir ser pacificada de outra forma, j\u00e1 que o STJ discute a possibilidade de enunciar uma s\u00famula para retratar seu posicionamento pela exclus\u00e3o da capatazia da base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins incidentes na importa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[1] 2\u00aa Turma da 4\u00aa C\u00e2mara da 3\u00aa Se\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[2] REsp 1.528.204\/SC.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Conjur \u2013 Por Diego Diniz Ribeiro e Leonardo Ogassawara de Ara\u00fajo Branco<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana retomamos a coluna &#8220;Direto do Carf&#8221; para tratar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-i4","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1120"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1120"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1120\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1121,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1120\/revisions\/1121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}