{"id":8029,"date":"2020-04-06T10:49:53","date_gmt":"2020-04-06T13:49:53","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=8029"},"modified":"2020-04-06T10:49:53","modified_gmt":"2020-04-06T13:49:53","slug":"para-quarta-turma-falta-de-informacao-sobre-preco-por-si-so-nao-caracteriza-propaganda-enganosa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2020\/04\/06\/para-quarta-turma-falta-de-informacao-sobre-preco-por-si-so-nao-caracteriza-propaganda-enganosa\/","title":{"rendered":"PARA QUARTA TURMA, FALTA DE INFORMA\u00c7\u00c3O SOBRE PRE\u00c7O, POR SI S\u00d3, N\u00c3O CARACTERIZA PROPAGANDA ENGANOSA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A condena\u00e7\u00e3o de uma empresa pela pr\u00e1tica de propaganda enganosa por omiss\u00e3o exige a comprova\u00e7\u00e3o de que foi sonegada informa\u00e7\u00e3o essencial sobre a qualidade do produto ou servi\u00e7o, ou sobre suas reais condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o \u2013 an\u00e1lise que deve levar em conta o p\u00fablico-alvo do an\u00fancio publicit\u00e1rio.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Com esse entendimento, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento a um recurso da Vivo S.A. e determinou que o Tribunal de Justi\u00e7a do Maranh\u00e3o (TJMA) analise novamente os pressupostos objetivos e subjetivos da substancialidade da informa\u00e7\u00e3o omitida em uma campanha da empresa, para s\u00f3 ent\u00e3o concluir pela caracteriza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de publicidade enganosa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A a\u00e7\u00e3o foi proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o (MPMA) ap\u00f3s a den\u00fancia de consumidores sobre panfletos de propaganda de aparelhos celulares distribu\u00eddos em uma loja. Segundo o MP, houve propaganda enganosa por omiss\u00e3o, pois a pe\u00e7a publicit\u00e1ria n\u00e3o informava os pre\u00e7os dos aparelhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Em primeira inst\u00e2ncia, a Vivo e a loja onde houve a distribui\u00e7\u00e3o do material foram condenadas a pagar indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 10 mil por dano coletivo aos consumidores. O TJMA manteve a senten\u00e7a, reconhecendo viola\u00e7\u00e3o dos artigos 31 e 37 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No recurso especial, a Vivo alegou que n\u00e3o se exige no an\u00fancio publicit\u00e1rio o esgotamento de todas as informa\u00e7\u00f5es sobre o produto, como origem e prazo de validade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Escolha consciente<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O ministro Antonio Carlos Ferreira, relator do recurso, lembrou que o conceito de publicidade enganosa est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 falta de veracidade da pe\u00e7a publicit\u00e1ria, que pode decorrer tanto da informa\u00e7\u00e3o falsa quanto da omiss\u00e3o de dado essencial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Ele destacou que a informa\u00e7\u00e3o tem por finalidade garantir o exerc\u00edcio da escolha consciente pelo consumidor, diminuindo riscos e permitindo que ele alcance suas leg\u00edtimas expectativas. A preocupa\u00e7\u00e3o do CDC \u00e9 com o dever de informa\u00e7\u00e3o e o princ\u00edpio da veracidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">&#8220;Isso porque a publicidade comercial, ao promover o consumo, ir\u00e1 vincular o fornecedor e integrar um futuro contrato com o consumidor, raz\u00e3o da import\u00e2ncia de que a oferta e a apresenta\u00e7\u00e3o de produtos ou servi\u00e7os propiciem &#8216;informa\u00e7\u00f5es corretas, claras, precisas, ostensivas&#8221; \u2013 afirmou Antonio Carlos Ferreira, reportando-se \u00e0s exig\u00eancias do artigo 31 do c\u00f3digo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Citando o jurista S\u00e9rgio Cavalieri Filho, o ministro disse que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dever do contrato, calcada na adequa\u00e7\u00e3o, sufici\u00eancia e veracidade das informa\u00e7\u00f5es para formar o consentimento informado do consumidor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">&#8220;No entanto, o artigo 31 do CDC n\u00e3o traz uma rela\u00e7\u00e3o exaustiva nem determinante a todos os tipos de publicidade, mas meramente exemplificativa; portanto, pode ser necess\u00e1rio, no caso concreto, inserir outra informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o constante do dispositivo legal, assim como n\u00e3o h\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o de que, no an\u00fancio publicit\u00e1rio, estejam inclusos todos os dados informativos descritos no rol do citado artigo&#8221;, declarou o relator.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Limita\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Segundo o ministro Antonio Carlos, o CDC n\u00e3o exige a veicula\u00e7\u00e3o de todas as informa\u00e7\u00f5es de um produto, at\u00e9 porque isso seria imposs\u00edvel, devido \u00e0 limita\u00e7\u00e3o de tempo e espa\u00e7o das pe\u00e7as publicit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 qualquer omiss\u00e3o informativa que configura o il\u00edcito. Para a caracteriza\u00e7\u00e3o da ilegalidade, a oculta\u00e7\u00e3o necessita ser de uma qualidade essencial do produto, do servi\u00e7o ou de suas reais condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o, de forma a impedir o consentimento esclarecido do consumidor&#8221;, concluiu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Apenas a an\u00e1lise do caso concreto, segundo o ministro, permite determinar os dados essenciais que deveriam constar da publicidade e foram levianamente omitidos. Ele ressaltou que o pre\u00e7o pode ou n\u00e3o ser uma informa\u00e7\u00e3o essencial, &#8220;a depender de diversos elementos para exame do potencial enganoso, especificamente o uso ou a finalidade a que se destina o produto ou servi\u00e7o e qual \u00e9 seu p\u00fablico-alvo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para o relator, o provimento do recurso se justifica porque o TJMA, no julgamento da apela\u00e7\u00e3o, restringiu-se a afirmar, de forma gen\u00e9rica e abstrata, que o pre\u00e7o \u00e9 um dado imprescind\u00edvel na publicidade, sem aprofundar o exame das circunst\u00e2ncias do caso concreto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">REsp1705278<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>FONTE: STJ<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A condena\u00e7\u00e3o de uma empresa pela pr\u00e1tica de propaganda enganosa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-25v","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8029"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8029"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8030,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8029\/revisions\/8030"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}