{"id":66549,"date":"2026-08-17T09:36:06","date_gmt":"2026-08-17T12:36:06","guid":{"rendered":"https:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=66549"},"modified":"2026-08-17T09:36:06","modified_gmt":"2026-08-17T12:36:06","slug":"o-custo-oculto-da-reforma-tributaria-para-as-entidades-imunes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2026\/08\/17\/o-custo-oculto-da-reforma-tributaria-para-as-entidades-imunes\/","title":{"rendered":"O CUSTO OCULTO DA REFORMA TRIBUT\u00c1RIA PARA AS ENTIDADES IMUNES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A nova tributa\u00e7\u00e3o pode gerar res\u00edduo tribut\u00e1rio \u00e0s entidades imunes, contrariando a neutralidade e exigindo corre\u00e7\u00e3o para preservar a imunidade constitucional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal assegura imunidade tribut\u00e1ria \u00e0s institui\u00e7\u00f5es beneficentes de assist\u00eancia social, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Ou seja, a Constitui\u00e7\u00e3o protegeu tais entidades, impedindo a institui\u00e7\u00e3o de impostos e reconhecendo que h\u00e1 atividades socialmente relevantes merecedoras de tutela especial, por desempenharem fun\u00e7\u00f5es essenciais \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e por serem capazes de complementar a atua\u00e7\u00e3o estatal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A reforma tribut\u00e1ria, por sua vez, manteve imunes aos novos tributos os servi\u00e7os prestados por tais entidades. Assim, quando uma entidade imune presta seus servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, este servi\u00e7o n\u00e3o sofre tributa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Ocorre que, paralelamente, uma das promessas centrais da reforma tribut\u00e1ria foi a neutralidade fiscal. Em linguagem simples, o novo sistema foi formatado de forma a impedir que o tributo se acumule ao longo da cadeia econ\u00f4mica, inflacionando custos e pre\u00e7os. O tributo deve ser n\u00e3o cumulativo, permitindo compensa\u00e7\u00f5es que impe\u00e7am que o mesmo \u00f4nus seja carregado de etapa em etapa at\u00e9 chegar ao custo final.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O problema \u00e9 que a LC 214\/25, em seu art. 51, determinou a anula\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos de IBS e CBS relativos \u00e0s opera\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0s sa\u00eddas imunes. E, ao assim determinar, criou o chamado &#8220;res\u00edduo tribut\u00e1rio&#8221;. Na pr\u00e1tica, o tributo pago na etapa anterior \u00e0 presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o pelas imunes acaba sendo incorporado, como custo, ao pre\u00e7o do servi\u00e7o que deveria ser desonerado. Assim, a entidade que a Constitui\u00e7\u00e3o pretendeu proteger acaba suportando o tributo de forma indireta, embutido no pre\u00e7o, sem mecanismo de recupera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">A imunidade continua formalmente em p\u00e9, prevista na Constitui\u00e7\u00e3o, mas o custo tribut\u00e1rio impacta sua atividade, em descompasso com a l\u00f3gica de um IVA de base ampla. Ao interromper o fluxo de cr\u00e9ditos, o legislador cria cumulatividade justamente nas opera\u00e7\u00f5es relacionadas a institui\u00e7\u00f5es que desempenham fun\u00e7\u00f5es relevantes na educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social e outras \u00e1reas de interesse p\u00fablico. O problema se agrava porque essas entidades muitas vezes j\u00e1 operam no limite, situa\u00e7\u00e3o que tende a se intensificar diante da aus\u00eancia de neutralidade fiscal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">No Brasil, parcela relevante da rede de apoio social, da presta\u00e7\u00e3o complementar de sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o e da assist\u00eancia depende de entidades que n\u00e3o operam sob a l\u00f3gica empresarial cl\u00e1ssica. N\u00e3o se trata de romantizar o terceiro setor nem de fingir que toda institui\u00e7\u00e3o dessa natureza \u00e9 eficiente ou bem gerida. O ponto \u00e9 mais simples: se o ordenamento decidiu proteg\u00ea-las em raz\u00e3o de sua relev\u00e2ncia p\u00fablica e social, o sistema tribut\u00e1rio n\u00e3o pode sabotar essa escolha de forma obl\u00edqua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">\u00c9 justamente o car\u00e1ter obl\u00edquo do problema que o torna perigoso. Tributo direto gera rea\u00e7\u00e3o imediata. Custo invis\u00edvel, n\u00e3o. O fornecedor recalcula o pre\u00e7o, a entidade absorve o impacto, o or\u00e7amento aperta, investimentos s\u00e3o adiados, contrata\u00e7\u00f5es deixam de acontecer e o atendimento perde f\u00f4lego. Ningu\u00e9m v\u00ea uma nova cobran\u00e7a estampada no documento fiscal da entidade imune, mas o efeito econ\u00f4mico est\u00e1 l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">O discurso da neutralidade n\u00e3o pode ser apenas um slogan para a apresenta\u00e7\u00e3o institucional da reforma. Deve ser levado a s\u00e9rio, o que exige coer\u00eancia tamb\u00e9m nos casos mais sens\u00edveis. N\u00e3o basta desenhar um IVA dual elegante para a generalidade das opera\u00e7\u00f5es e aceitar exce\u00e7\u00f5es que corroem seus fundamentos. Quando elas atingem entidades imunes, o problema \u00e9 ainda mais delicado, porque envolve n\u00e3o apenas efici\u00eancia econ\u00f4mica, mas fidelidade constitucional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para corrigir tal ponto, o PLP 45\/26, de autoria do senador Izalci Lucas, prop\u00f5e alterar o art. 51 da LC 214\/25 para excepcionar as entidades imunes da regra de anula\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, corrigindo a distor\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Alterar o art. 51 da LC 214\/25 para preservar os cr\u00e9ditos nas opera\u00e7\u00f5es destinadas a entidades imunes \u00e9 manter a coer\u00eancia com o discurso que apresentou a reforma tribut\u00e1ria como moderniza\u00e7\u00e3o. Preservar esses cr\u00e9ditos \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que a reforma permane\u00e7a alinhada aos princ\u00edpios de neutralidade e racionalidade que justificaram sua aprova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Corrigir esse ponto n\u00e3o \u00e9 criar privil\u00e9gio nem enfraquecer a Reforma. \u00c9 submet\u00ea-la ao teste m\u00ednimo de coer\u00eancia, seriedade e fidelidade constitucional. E, se ela falhar justamente aqui, ter\u00e1 falhado onde menos poderia falhar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>FONTE: MIGALHAS \u2013 POR ANE STRECK SILVEIRA E JENIFER DOS SANTOS<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova tributa\u00e7\u00e3o pode gerar res\u00edduo tribut\u00e1rio \u00e0s entidades imunes, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-hjn","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66549"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66549"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66549\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66551,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66549\/revisions\/66551"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}