{"id":6008,"date":"2019-12-12T11:27:08","date_gmt":"2019-12-12T14:27:08","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=6008"},"modified":"2019-12-12T11:27:08","modified_gmt":"2019-12-12T14:27:08","slug":"stf-discute-se-cabe-prisao-por-divida-de-icms-declarado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/12\/12\/stf-discute-se-cabe-prisao-por-divida-de-icms-declarado\/","title":{"rendered":"STF DISCUTE SE CABE PRIS\u00c3O POR D\u00cdVIDA DE ICMS DECLARADO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Supremo Tribunal Federal come\u00e7ou a discutir, nesta quarta-feira (11\/12), se \u00e9 crime n\u00e3o recolher ICMS declarado. O plen\u00e1rio discute se o Direito Penal pode alcan\u00e7ar a inadimpl\u00eancia e considerar crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita a d\u00edvida fiscal de um empres\u00e1rio que reconhece ter um d\u00e9bito, mas n\u00e3o o quitou.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O julgamento foi suspenso em raz\u00e3o do intervalo regimental. Inaugurando as sustenta\u00e7\u00f5es orais, o tributarista que atua na representa\u00e7\u00e3o dos comerciantes, Igor Mauler Santiago, do escrit\u00f3rio Mauler Advogados, afirmou que j\u00e1 existe uma puni\u00e7\u00e3o rigorosa fora do direito penal para quem declara tributo e n\u00e3o paga: as multas elevadas, juros de mora e protesto em cart\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;A simples inadimpl\u00eancia n\u00e3o pode ser considerada crime. A lei n\u00e3o prev\u00ea essa conduta como crime. De fato, o artigo 2\u00ba, inciso II, da Lei 8.137\/90 fala em &#8216;deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo descontado ou cobrado&#8217;. Tais termos, dada a seguran\u00e7a jur\u00eddica m\u00e1xima que orienta o Direito Penal, devem ser tomados na acep\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que t\u00eam no ramo de origem, o Direito Tribut\u00e1rio&#8221;, disse.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O n\u00famero de pessoas que podem ser atingidas pela criminaliza\u00e7\u00e3o dessa conduta em Santa Catarina e S\u00e3o Paulo pode superar 200 mil, segundo afirmou o defensor p\u00fablico Thiago Campos, de Santa Catarina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo o defensor, se houver a tipifica\u00e7\u00e3o de crime, o n\u00famero de pessoas enquadradas no entendimento vai superar 200 mil s\u00f3 nos estados de S\u00e3o Paulo e Santa Catarina. &#8220;A criminaliza\u00e7\u00e3o da conduta viola o artigo 186 do CTN porque deturpa a ordem de prefer\u00eancia de cr\u00e9ditos. A partir da criminaliza\u00e7\u00e3o, o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio de ICMS preferir\u00e1 a todos, inclusive ao cr\u00e9dito trabalhista.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Pol\u00edtica Fiscal<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O MP-SC defendeu que \u00e9 crime o n\u00e3o recolhimento do ICMS, ainda que declarado. O MP entende que o dinheiro relativo ao imposto pertence ao estado e, ao deixar de pagar a d\u00edvida, os empres\u00e1rios estariam se apropriando de recursos alheios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O advogado criminalista Pierpaolo Bottini, em nome da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), afirmou que mais do que uma quest\u00e3o t\u00e9cnica, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a legitimidade de usar o direito penal como instrumento de pol\u00edtica fiscal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;A Constitui\u00e7\u00e3o prev\u00ea que n\u00e3o haver\u00e1 pris\u00e3o por d\u00edvida, exceto em caso de alimentos. Aquele que reconhece a inadimpl\u00eancia fiscal n\u00e3o sonega, n\u00e3o frauda, n\u00e3o esconde. Apenas deixa de pagar, \u00e9 devedor do estado. N\u00e3o se trata de conduta louv\u00e1vel. \u00c9 um ato reprov\u00e1vel, com consequ\u00eancias sociais e econ\u00f4micas e tal comerciante deve ser objeto de execu\u00e7\u00e3o fiscal. Mas n\u00e3o h\u00e1 crime, segundo a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, defendeu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Crime Reconhecido<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No caso, a corte vai analisar um pedido de Habeas Corpus impetrado pelos comerciantes Robson Shumacher e Vanderl\u00e9ia Shumacher, propriet\u00e1rios de uma loja de produtos infantis em Santa Catarina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em agosto de 2018, por seis votos a tr\u00eas, os ministros da 3\u00aa Se\u00e7\u00e3o do STJ negaram Habeas Corpus de empres\u00e1rios que n\u00e3o pagaram valores declarados do tributo, depois de repass\u00e1-los aos clientes. Ao seguir o voto do relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, a pr\u00e1tica foi considerada apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita tribut\u00e1ria, com pena de 6 meses a 2 anos, al\u00e9m de multa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">At\u00e9 aquele momento, havia diverg\u00eancia entre as turmas da corte. Se, por um lado, os ministros da 5\u00aa Turma consideravam o ato crime, por outro, os da 6\u00aa decidiam em sentido oposto. Agora no STF, o caso est\u00e1 sob relatoria de Barroso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O HC foi proposto ao STJ pela Defensoria P\u00fablica de Santa Catarina depois de o Tribunal de Justi\u00e7a do estado afastar senten\u00e7a com absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria. No caso, o Fisco constatou que os denunciados apresentaram as declara\u00e7\u00f5es fiscais devidas, mas, em alguns meses de 2008, 2009 e 2010, n\u00e3o recolheram os valores apurados aos cofres p\u00fablicos. O montante foi inscrito em d\u00edvida ativa e n\u00e3o foi pago nem parcelado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ICMS \u00e9 um tributo de compet\u00eancia estadual. Na pr\u00e1tica, esse imposto \u00e9 cobrado de forma indireta, ou seja, o encargo econ\u00f4mico \u00e9 suportado por pessoa diversa daquela que pratica a conduta t\u00edpica. No caso do ICMS calculado sobre as opera\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da empresa, o valor do imposto \u00e9 adicionado ao pre\u00e7o do produto comercializado ou do servi\u00e7o prestado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De acordo com o C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, quando o contribuinte deixa de repassar aos cofres p\u00fablicos os valores de ICMS, comete um mero inadimplemento de sua obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. O pr\u00f3prio STJ j\u00e1 decidiu, em sede de recurso repetitivo, que o mero inadimplemento de tributo n\u00e3o \u00e9 infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei. O entendimento foi fixado no REsp 1.101.728.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">RHC 163.334<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Conjur \u2013 Por Gabriela Coelho<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal come\u00e7ou a discutir, nesta quarta-feira (11\/12), [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-1yU","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6008"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6008"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6008\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6009,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6008\/revisions\/6009"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}