{"id":5571,"date":"2019-11-22T09:56:28","date_gmt":"2019-11-22T12:56:28","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=5571"},"modified":"2019-11-22T09:56:28","modified_gmt":"2019-11-22T12:56:28","slug":"mandado-de-seguranca-queda-de-liminar-autoriza-fisco-a-cobrar-juros-nao-multa-de-tributos-em-atraso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2019\/11\/22\/mandado-de-seguranca-queda-de-liminar-autoriza-fisco-a-cobrar-juros-nao-multa-de-tributos-em-atraso\/","title":{"rendered":"MANDADO DE SEGURAN\u00c7A &#8211; QUEDA DE LIMINAR AUTORIZA FISCO A COBRAR JUROS, N\u00c3O MULTA, DE TRIBUTOS EM ATRASO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Incidem juros de mora sobre o tributo devido no per\u00edodo compreendido entre a decis\u00e3o que concedeu a liminar, em Mandado de Seguran\u00e7a, e a sua respectiva revoga\u00e7\u00e3o.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Incidem juros de mora sobre o tributo devido no per\u00edodo compreendido entre a decis\u00e3o que concedeu a liminar, em Mandado de Seguran\u00e7a, e a sua respectiva revoga\u00e7\u00e3o. O devedor, entretanto, n\u00e3o tem de arcar com a multa, pois n\u00e3o se pode penalizar o descumprimento de uma obriga\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o inexig\u00edvel por for\u00e7a de liminar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O fundamento levou a 22\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul a reformar parte da decis\u00e3o que reconheceu a ilegalidade da cobran\u00e7a de juros numa execu\u00e7\u00e3o movida pelo fisco ga\u00facho contra empresa devedora de ICMS. E tamb\u00e9m confirmar a parte do decisum que excluiu a aplica\u00e7\u00e3o da multa de of\u00edcio, ambos pedidos postos na exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A relatora do agravo de instrumento, desembargadora Marilene Bonzanini, afirmou que a 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u2013 que re\u00fane a 1\u00aa e 2\u00aa turmas, que julgam mat\u00e9rias de Direito P\u00fablico \u2013 definiu que o artigo 63, caput e par\u00e1grafo segundo, da Lei 9.430\/96, afasta exclusivamente a multa, de car\u00e1ter eminente punitivo, e n\u00e3o os juros de mora, conforme o EREsp 839.962\/MG. O ministro Arnaldo Esteves Lima complementa: &#8220;(&#8230;) Ocorre que os juros de mora consubstanciam, no \u00e2mbito da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica-tribut\u00e1ria, uma contrapresta\u00e7\u00e3o pelo n\u00e3o pagamento do tributo na data do seu vencimento, independentemente do motivo, conforme disp\u00f5e o C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Conforme a relatora, por imposi\u00e7\u00e3o legal, os juros de mora incidem sobre o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio n\u00e3o satisfeito tempestivamente, com a finalidade de compensar t\u00e3o somente a aus\u00eancia desses valores nos cofres p\u00fablicos no momento adequado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por fim, a julgadora transcreveu no voto a &#8220;l\u00facida li\u00e7\u00e3o&#8221; do doutrinador Leandro Paulsen, autor de Direito tribut\u00e1rio: Constitui\u00e7\u00e3o e C\u00f3digo Tribut\u00e1rio \u00e0 luz da doutrina e da jurisprud\u00eancia: &#8220;A multa morat\u00f3ria pune o descumprimento da norma tribut\u00e1ria que determina o pagamento do tributo no vencimento. Constitui, pois, penalidade cominada para desestimular o atraso nos recolhimentos. J\u00e1 os juros morat\u00f3rios, diferentemente, compensam a falta da disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo per\u00edodo correspondente ao atraso.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No bojo de um incidente de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, oposto em face do Estado do Rio Grande do Sul, a empresa autora pediu que a Justi\u00e7a declarasse a ilegalidade da cobran\u00e7a de multa e juros morat\u00f3rios aplicados no per\u00edodo em que esteve suspensa a exigibilidade do recolhimento antecipado do ICMS, determinado pelo Decreto Estadual 46.137\/2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A suspens\u00e3o de recolhimento foi conseguida pelo Sindicato do Com\u00e9rcio Varejista de Santo \u00c2ngelo, que impetrou mandado de seguran\u00e7a questionando a legalidade do recolhimento antecipado do tributo. O per\u00edodo em que a liminar vigeu, antes de cair no Superior Tribunal de Justi\u00e7a: de 22 de abril de 2009 at\u00e9 6 de junho de 2016.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para o fisco estadual, n\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na aplica\u00e7\u00e3o da multa morat\u00f3ria e juros em caso de posterior revoga\u00e7\u00e3o de medida liminar. Afinal, segundo a literalidade da S\u00famula 405 do Supremo Tribunal Federal, \u2018\u2018Denegado o mandado de seguran\u00e7a pela senten\u00e7a, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decis\u00e3o contr\u00e1ria\u2019\u2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Entretanto, a parte autora argumentou que, por ter estado suspensa a exigibilidade do ICMS neste interregno de tempo, n\u00e3o se poderia cogitar da cobran\u00e7a de juros nem de multa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Total proced\u00eancia<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao julgar o incidente, a 2\u00aa Vara C\u00edvel daquela comarca acolheu parte dos argumentos da empresa. Por isso, neste aspecto, determinou que o fisco estadual se abstenha de cobrar multa e juros de mora sobre o ICMS devido no per\u00edodo em que esteve em vigor a decis\u00e3o liminar proferida no processo 029\/1.09.0003284-2 at\u00e9 o trint\u00eddio da cassa\u00e7\u00e3o da medida liminar, em raz\u00e3o da inexist\u00eancia de mora relacionada a tal cr\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Com efeito, na hip\u00f3tese dos autos, entendo que, suspensa a exigibilidade de imposto por for\u00e7a de determina\u00e7\u00e3o judicial, invi\u00e1vel considerar que o contribuinte, no per\u00edodo abarcado pela decis\u00e3o, esteve em mora, j\u00e1 que, por certo, nesse caso, o contribuinte n\u00e3o concorreu para o atraso no pagamento do imposto no prazo fixado pela legisla\u00e7\u00e3o regente&#8221;, escreveu na decis\u00e3o a ju\u00edza Ta\u00edse Velasquez Lopes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Desta decis\u00e3o, o fisco interp\u00f4s Agravo de Instrumento no TJ-RS, visando reform\u00e1-la.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Processo 029\/1.18.0007225-5 (Comarca de Santo \u00c2ngelo)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico &#8211; Por Jomar Martins<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Incidem juros de mora sobre o tributo devido no per\u00edodo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-1rR","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5571"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5571"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5571\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5572,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5571\/revisions\/5572"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}