{"id":20819,"date":"2021-12-17T10:06:57","date_gmt":"2021-12-17T13:06:57","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=20819"},"modified":"2021-12-17T10:06:57","modified_gmt":"2021-12-17T13:06:57","slug":"alivio-para-os-estados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2021\/12\/17\/alivio-para-os-estados\/","title":{"rendered":"AL\u00cdVIO PARA OS ESTADOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">STF decide que ICMS para energia e telecomunica\u00e7\u00f5es s\u00f3 vale a partir de 2024<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional a cobran\u00e7a de al\u00edquotas maiores de ICMS sobre servi\u00e7os de energia e telecomunica\u00e7\u00f5es s\u00f3 valer\u00e1 a partir de 2024. Foi formada maioria no Plen\u00e1rio Virtual da Corte nesta quinta-feira (16\/12) para aceitar a sugest\u00e3o feita pelos governadores dos estados que poderiam ter que arcar com um rombo nas contas de cerca de R$ 27\u00a0bilh\u00f5es caso a nova al\u00edquota entrasse em vigor em 2022, como foi inicialmente sugerido pelo relator, ministro Dias Toffoli.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O pr\u00f3prio Toffoli, no entanto, quando o julgamento foi iniciado no \u00faltimo dia 10, modificou seu entendimento e sugeriu a modula\u00e7\u00e3o somente a partir de 2024. O julgamento no Plen\u00e1rio Virtual vai ser encerrado \u00e0s 23h59 desta sexta-feira e at\u00e9 o momento apenas o ministro Luiz Fux n\u00e3o depositou seu voto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Julgamento vem de longe<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A discuss\u00e3o sobre o tema j\u00e1 est\u00e1 na pauta do STF h\u00e1 tempos. Em 22 de novembro \u00faltimo, o STF, por 7 votos a 3, formou maioria para declarar a inconstitucionalidade do artigo 19, inciso II, al\u00edneas &#8220;a&#8221; e &#8220;c&#8221;, da Lei estadual 10.297\/1996 de Santa Catarina. A norma estabeleceu al\u00edquota de ICMS de 25% para os servi\u00e7os de energia el\u00e9trica e telecomunica\u00e7\u00e3o, superior aos 17% aplic\u00e1veis \u00e0 maioria das atividades econ\u00f4micas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com isso, a Corte aprovou o Tema 745 de repercuss\u00e3o geral, com a seguinte tese: &#8220;Adotada, pelo legislador estadual, a t\u00e9cnica da seletividade em rela\u00e7\u00e3o ao ICMS, discrepam do figurino constitucional al\u00edquotas sobre as opera\u00e7\u00f5es de energia el\u00e9trica e servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o em patamar superior ao das opera\u00e7\u00f5es em geral, considerada a essencialidade dos bens e servi\u00e7os&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Prevaleceu o entendimento do relator, ministro aposentado Marco Aur\u00e9lio. Em seu voto, ele destacou a indispensabilidade dos setores de energia e telecomunica\u00e7\u00f5es. &#8220;O acr\u00e9scimo na tributa\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera realoca\u00e7\u00e3o dos recursos, porquanto insubstitu\u00edveis os itens. Da\u00ed a necess\u00e1ria harmonia com o desenho constitucional, presente a fragilidade do contribuinte frente \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria. Conforme fiz ver no julgamento do recurso extraordin\u00e1rio 1.043.313, Pleno, relator ministro Dias Toffoli, &#8216;a corda n\u00e3o pode arrebentar do lado mais fraco'&#8221;, disse.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo o ministro, o desvirtuamento da t\u00e9cnica da seletividade, considerada a maior onerosidade sobre bens de primeira necessidade, n\u00e3o se compatibiliza com os fundamentos e objetivos contidos no texto constitucional, nos artigos 1\u00ba e 3\u00ba, seja sob o \u00e2ngulo da dignidade da pessoa humana, seja sob a perspectiva do desenvolvimento nacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Levando em conta a calibragem das al\u00edquotas institu\u00eddas pela norma local, imp\u00f5e-se o reenquadramento jurisdicional da imposi\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria sobre a energia el\u00e9trica e os servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o, fazendo incidir a al\u00edquota geral, de 17%. N\u00e3o se trata de an\u00f4mala atua\u00e7\u00e3o legislativa do Judici\u00e1rio. Ao contr\u00e1rio, o que se tem \u00e9 glosa do excesso e, consequentemente, a recondu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria ao padr\u00e3o geral, observadas as balizas fixadas pelo legislador comum&#8221;, completou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para ele, a decis\u00e3o assegura os direitos e garantias do contribuinte e preserva a moldura desenhada pelo constituinte de 1988. &#8220;\u00c9 hora de perceber que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a sanha arrecadat\u00f3ria dos entes federados no que se sobreponha aos limites previstos no ditame maior&#8221;. O objetivo da decis\u00e3o, afirmou o ministro, \u00e9 buscar justi\u00e7a fiscal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Assim, Marco Aur\u00e9lio deu parcial provimento ao recurso para reformar o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, deferir a ordem e reconhecer o direito da impetrante ao recolhimento do ICMS incidente sobre a energia el\u00e9trica e servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o, considerada a al\u00edquota geral de 17%, conforme previsto na Lei estadual 10.297\/1996.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O voto do relator foi seguido pelos ministros Dias Toffoli, C\u00e1rmen L\u00facia, Ricardo Lewandowski, Edson Fachin, Rosa Weber e Luiz Fux.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O julgamento foi iniciado e suspenso em fevereiro devido a pedido de vista de Toffoli. Em voto apresentado em junho \u00faltimo, o ministro acompanhou Marco Aur\u00e9lio e prop\u00f4s a modula\u00e7\u00e3o dos efeitos da decis\u00e3o, &#8220;estipulando que ela produza efeitos a partir do in\u00edcio do pr\u00f3ximo exerc\u00edcio financeiro, ressalvando as a\u00e7\u00f5es ajuizadas at\u00e9 a v\u00e9spera da publica\u00e7\u00e3o da ata do julgamento do m\u00e9rito&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ap\u00f3s o voto de Toffoli, o julgamento foi novamente interrompido, dessa vez por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Ao apresentar voto-vista na sess\u00e3o virtual de 12 a 22 de novembro, Gilmar seguiu a diverg\u00eancia aberta pelo ministro Alexandre de Moraes \u2014 mesmo posicionamento do ministro Lu\u00eds Roberto Barroso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Alexandre de Moraes abriu diverg\u00eancia, dando parcial provimento ao recurso extraordin\u00e1rio, mas afastando al\u00edquota de 25% incidente sobre os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o, &#8220;aplicando-se a mesma al\u00edquota do ICMS adotada pelo Estado de Santa Catarina para as mercadorias e servi\u00e7os em geral (artigo 19, I, da Lei 10.297\/1996).&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ele prop\u00f4s a fixa\u00e7\u00e3o de uma tese em tr\u00eas partes: &#8220;I. N\u00e3o ofende o princ\u00edpio da seletividade\/essencialidade previsto no artigo 155, par\u00e1grafo 2\u00ba, III, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal a ado\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas diferenciadas do ICMS incidente sobre energia el\u00e9trica, considerando, al\u00e9m da essencialidade do bem em si, o princ\u00edpio da capacidade contributiva. II. O ente tributante pode aplicar al\u00edquotas diferenciadas em raz\u00e3o da capacidade contributiva do consumidor, do volume de energia consumido e\/ou da destina\u00e7\u00e3o do bem. III. A estipula\u00e7\u00e3o de al\u00edquota majorada para os servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o, sem adequada justificativa, ofende o princ\u00edpio da seletividade do ICMS&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Votos divergentes<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao apresentar voto-vista na sess\u00e3o virtual de 12 a 22 de novembro, Gilmar seguiu a diverg\u00eancia aberta pelo ministro Alexandre de Moraes \u2014 mesmo posicionamento do ministro Lu\u00eds Roberto Barroso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Alexandre de Moraes abriu diverg\u00eancia, dando parcial provimento ao recurso extraordin\u00e1rio, mas afastando al\u00edquota de 25% incidente sobre os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o, &#8220;aplicando-se a mesma al\u00edquota do ICMS adotada pelo Estado de Santa Catarina para as mercadorias e servi\u00e7os em geral (artigo 19, I, da Lei 10.297\/1996).&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ele prop\u00f4s a fixa\u00e7\u00e3o de uma tese em tr\u00eas partes: &#8220;I. N\u00e3o ofende o princ\u00edpio da seletividade\/essencialidade previsto no artigo 155, par\u00e1grafo 2\u00ba, III, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal a ado\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas diferenciadas do ICMS incidente sobre energia el\u00e9trica, considerando, al\u00e9m da essencialidade do bem em si, o princ\u00edpio da capacidade contributiva. II. O ente tributante pode aplicar al\u00edquotas diferenciadas em raz\u00e3o da capacidade contributiva do consumidor, do volume de energia consumido e\/ou da destina\u00e7\u00e3o do bem. III. A estipula\u00e7\u00e3o de al\u00edquota majorada para os servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o, sem adequada justificativa, ofende o princ\u00edpio da seletividade do ICMS&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A\u00e7\u00e3o contra SC<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O caso come\u00e7ou quando as Lojas Americanas contestaram a al\u00edquota de 25% no ICMS de servi\u00e7os de energia el\u00e9trica e telecomunica\u00e7\u00f5es de consumidores de grande porte. De acordo com a empresa, esse percentual n\u00e3o respeita os princ\u00edpios constitucionais da seletividade e da essencialidade. Para a varejista, \u00e9 desproporcional que a tributa\u00e7\u00e3o de energia e telefonia seja percentualmente superior \u00e0 de mercadorias como cosm\u00e9ticos, armas, bebidas alco\u00f3licas e fumo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por isso, a empresa pediu, em mandado de seguran\u00e7a, o reconhecimento do seu direito l\u00edquido e certo de pagar o ICMS sobre energia e telecomunica\u00e7\u00f5es com base na al\u00edquota geral do estado de Santa Catarina, que \u00e9 de 17%. Al\u00e9m disso, a varejista requereu a restitui\u00e7\u00e3o dos dez anos cobrados em excesso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em sua defesa, o estado de SC argumentou que incid\u00eancia de al\u00edquota mais elevada sobre a energia el\u00e9trica n\u00e3o viola o princ\u00edpio da seletividade, uma vez que tem o objetivo de desestimular o consumo abusivo e o desperd\u00edcio. Os procuradores estaduais tamb\u00e9m sustentaram que a Lei 10.297\/1996 n\u00e3o fere a isonomia por ter levado em considera\u00e7\u00e3o a capacidade econ\u00f4mica de cada contribuinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O mandado de seguran\u00e7a foi negado em primeira e segunda inst\u00e2ncias, o que for\u00e7ou a empresa a recorrer ao STF, que reconheceu a repercuss\u00e3o geral do caso a autorizou o ingresso, como amici curiae, de todos os estados da federa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">FONTE: Revista Consultor Jur\u00eddico. Por Severino Goes.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>STF decide que ICMS para energia e telecomunica\u00e7\u00f5es s\u00f3 vale [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-5pN","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20819"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20819"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20819\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20820,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20819\/revisions\/20820"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}