{"id":20350,"date":"2021-11-25T10:17:02","date_gmt":"2021-11-25T13:17:02","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=20350"},"modified":"2021-11-25T10:17:02","modified_gmt":"2021-11-25T13:17:02","slug":"na-recuperacao-judicial-credito-trabalhista-sub-rogado-mantem-classificacao-original","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2021\/11\/25\/na-recuperacao-judicial-credito-trabalhista-sub-rogado-mantem-classificacao-original\/","title":{"rendered":"NA RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL, CR\u00c9DITO TRABALHISTA SUB-ROGADO MANT\u00c9M CLASSIFICA\u00c7\u00c3O ORIGINAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), a sub-roga\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito em recupera\u00e7\u00e3o judicial transfere ao novo credor todos os direitos e privil\u00e9gios do credor primitivo contra o devedor principal \u2013 inclusive a classifica\u00e7\u00e3o original do cr\u00e9dito, como preceitua o artigo 349 do C\u00f3digo Civil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com base nesse entendimento, o colegiado deu provimento a recurso especial e classificou como trabalhista \u2013 mesma classe a que pertencia em rela\u00e7\u00e3o ao devedor origin\u00e1rio \u2013 um cr\u00e9dito objeto de sub-roga\u00e7\u00e3o no processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial de uma empresa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O processo teve origem em a\u00e7\u00e3o reclamat\u00f3ria trabalhista julgada procedente. Ap\u00f3s tentativas frustradas de satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito junto \u00e0 devedora principal, a execu\u00e7\u00e3o foi redirecionada \u00e0 empresa condenada subsidiariamente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A d\u00edvida foi paga \u00e0 reclamante e, como consequ\u00eancia, a empresa buscou a habilita\u00e7\u00e3o retardat\u00e1ria de seu cr\u00e9dito nos autos da recupera\u00e7\u00e3o judicial da devedora principal, pedindo que o valor fosse inclu\u00eddo na classe dos cr\u00e9ditos trabalhistas (classe I).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O pedido foi acolhido em primeiro grau, mas o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo reclassificou o cr\u00e9dito para a classe III (quirograf\u00e1rio), sob o argumento de que, por se tratar de privil\u00e9gio pessoal e intransfer\u00edvel, o cr\u00e9dito trabalhista sub-rogado deveria seguir o mesmo destino previsto pela Lei 11.101\/2005 para os cr\u00e9ditos dessa natureza que tenham sido objeto de cess\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Habilita\u00e7\u00e3o retardat\u00e1ria de cr\u00e9dito em recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A relatora, ministra Nancy Andrighi, explicou que a norma do artigo 83, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Lei 11.101\/2005 (alterada pela Lei 14.112\/2020, mas ainda v\u00e1lida na \u00e9poca dos fatos) estabelece que os cr\u00e9ditos trabalhistas cedidos a terceiros devem ser classificados como quirograf\u00e1rios na hip\u00f3tese de fal\u00eancia do devedor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No entanto, segundo a magistrada, tal dispositivo n\u00e3o pode ser aplicado quando se trata de habilita\u00e7\u00e3o retardat\u00e1ria, em recupera\u00e7\u00e3o judicial, decorrente de sub-roga\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito (hip\u00f3tese do artigo 346, III, do C\u00f3digo Civil), ainda que os cr\u00e9ditos ostentem natureza trabalhista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Isso porque, al\u00e9m de a cess\u00e3o de cr\u00e9dito e a sub-roga\u00e7\u00e3o constitu\u00edrem institutos jur\u00eddicos distintos e serem regulados de forma aut\u00f4noma pelo C\u00f3digo Civil, segundo a ministra, os fundamentos que autorizam a prote\u00e7\u00e3o especial do artigo 83, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Lei de Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o Judicial n\u00e3o est\u00e3o presentes na hip\u00f3tese de sub-roga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em seu voto, Nancy Andrighi afirmou que a sub-roga\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e o pagamento, &#8220;somente se perfectibilizando com a satisfa\u00e7\u00e3o do credor&#8221;. Por outro lado, ela destacou que a cess\u00e3o de cr\u00e9dito ocorre antes que o pagamento seja efetuado, dando margem a eventual especula\u00e7\u00e3o em preju\u00edzo do credor trabalhista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;O artigo 349 do C\u00f3digo Civil prev\u00ea expressamente que a sub-roga\u00e7\u00e3o opera a transfer\u00eancia de todos os direitos, a\u00e7\u00f5es, privil\u00e9gios e garantias detidos pelo credor origin\u00e1rio contra o devedor principal&#8221;, observou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel ao credor trabalhista<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nancy Andrighi lembrou que os ministros da Terceira Turma, em situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica distinta da hip\u00f3tese em julgamento, j\u00e1 tiveram a oportunidade de sinalizar que, diferentemente do que ocorre quando se trata de cess\u00e3o de cr\u00e9dito, a transmiss\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es pessoais, na sub-roga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com sua natureza (REsp 1.526.092).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Os interesses que a norma do artigo 83, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Lei 11.101 de 2005 objetiva proteger n\u00e3o s\u00e3o vilipendiados pela ocorr\u00eancia da sub-roga\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, tal circunst\u00e2ncia, como verificada na esp\u00e9cie, vem a ser favor\u00e1vel ao credor trabalhista, pois acaba por impedir que ele se submeta aos des\u00e1gios pr\u00f3prios da negocia\u00e7\u00e3o de um plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial&#8221;, acrescentou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No caso analisado, a magistrada observou que o plano de soerguimento da empresa foi aprovado e homologado em momento anterior ao pedido de habilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito sub-rogado, de modo que a nova credora n\u00e3o seria capaz de manifestar oposi\u00e7\u00e3o aos interesses gerais da classe trabalhista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;N\u00e3o se pode evidenciar, portanto, qualquer preju\u00edzo pass\u00edvel de ser causado \u2013 n\u00e3o somente ao credor primitivo, mas a toda a categoria \u2013 que possa justificar o afastamento da regra geral prevista no artigo 349 do C\u00f3digo Civil, segundo a qual, como visto, todos os privil\u00e9gios do credor primitivo s\u00e3o transferidos ao novo credor&#8221;, finalizou a relatora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ac\u00f3rd\u00e3o do REsp 1.924.529.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: STJ<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-5ie","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20350"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20350"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20350\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20352,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20350\/revisions\/20352"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}