{"id":19979,"date":"2021-11-08T10:27:46","date_gmt":"2021-11-08T13:27:46","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=19979"},"modified":"2021-11-08T10:27:46","modified_gmt":"2021-11-08T13:27:46","slug":"regime-de-bens-imposto-pelo-cc-1916-pode-ser-alterado-apos-o-fim-da-incapacidade-civil-de-um-dos-conjuges","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2021\/11\/08\/regime-de-bens-imposto-pelo-cc-1916-pode-ser-alterado-apos-o-fim-da-incapacidade-civil-de-um-dos-conjuges\/","title":{"rendered":"REGIME DE BENS IMPOSTO PELO CC\/1916 PODE SER ALTERADO AP\u00d3S O FIM DA INCAPACIDADE CIVIL DE UM DOS C\u00d4NJUGES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com base nesse entendimento, o colegiado deu provimento ao recurso especial interposto por um casal que buscou modificar o atual regime do casamento para o de comunh\u00e3o universal de bens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em raz\u00e3o do princ\u00edpio da autonomia privada, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que \u00e9 poss\u00edvel, na vig\u00eancia do C\u00f3digo Civil de 2002, a modifica\u00e7\u00e3o do regime patrimonial do casamento ap\u00f3s a cessa\u00e7\u00e3o da incapacidade civil de um dos c\u00f4njuges, mesmo que a uni\u00e3o tenha se submetido \u00e0 separa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de bens imposta pelo c\u00f3digo de 1916.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Com base nesse entendimento, o colegiado deu provimento ao recurso especial interposto por um casal que buscou modificar o atual regime do casamento para o de comunh\u00e3o universal de bens. Eles se casaram em 1990, quando a esposa tinha 15 anos de idade, o que imp\u00f4s o regime da separa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, por expressa determina\u00e7\u00e3o legal vigente na \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O casal recorreu ao STJ ap\u00f3s o ju\u00edzo de primeiro grau e o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo negarem o pedido, sob o fundamento de que n\u00e3o haveria previs\u00e3o legal para a altera\u00e7\u00e3o do regime.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Modifica\u00e7\u00e3o posterior do regime de bens do casamento<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A relatora, ministra Nancy Andrighi, afirmou que o C\u00f3digo Civil de 2002 trouxe importante altera\u00e7\u00e3o nesse tema ao permitir a modifica\u00e7\u00e3o posterior do regime de bens do casamento (artigo 1.639, par\u00e1grafo 2\u00ba). Para isso, explicou, os c\u00f4njuges devem apresentar um pedido motivado, e n\u00e3o deve haver preju\u00edzo aos direitos de terceiros, ficando preservados &#8220;os efeitos do ato jur\u00eddico perfeito do regime origin\u00e1rio, expressamente ressalvados pelos artigos 2.035 e 2.039 do c\u00f3digo atual&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao citar precedente da Quarta Turma, a magistrada ressaltou que a melhor interpreta\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo 2\u00ba do artigo 1.639 \u00e9 aquela segundo a qual n\u00e3o se deve &#8220;exigir dos c\u00f4njuges justificativas exageradas ou provas concretas do preju\u00edzo na manuten\u00e7\u00e3o do regime de bens origin\u00e1rio, sob pena de se esquadrinhar indevidamente a pr\u00f3pria intimidade e a vida privada dos consortes&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De acordo com a relatora, h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias no sentido de que, por quest\u00f5es de razoabilidade e justi\u00e7a, o desaparecimento da causa que imp\u00f4s a separa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria e a aus\u00eancia de preju\u00edzo ao c\u00f4njuge ou a terceiro permitem a altera\u00e7\u00e3o do regime de bens para a modalidade escolhida pelo casal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Preserva\u00e7\u00e3o da vontade das partes<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para a ministra, muito embora o casamento tenha sido celebrado na vig\u00eancia do CC\/1916 \u2013 que impunha a imutabilidade do regime de bens e a ado\u00e7\u00e3o do regime da separa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013, deve ser aplicado o novo C\u00f3digo Civil no que diz respeito \u00e0 possibilidade de modifica\u00e7\u00e3o posterior do regime adotado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;No que tange ao exame da motiva\u00e7\u00e3o do pedido de altera\u00e7\u00e3o do regime de bens, importa consignar que a cessa\u00e7\u00e3o da incapacidade, com a consequente maturidade adquirida pela idade, faz desaparecer, definitivamente, o motivo justificador da prote\u00e7\u00e3o visada pela lei&#8221;, disse a magistrada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Nancy Andrighi verificou que o exame do processo em primeiro e segundo graus n\u00e3o identificou risco de danos a nenhum dos membros do casal nem a terceiros, raz\u00e3o pela qual &#8220;h\u00e1 de ser preservada a vontade dos c\u00f4njuges, sob pena de viola\u00e7\u00e3o de sua intimidade e vida privada&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A ministra observou, por fim, que a modifica\u00e7\u00e3o do regime de bens s\u00f3 gera efeitos a partir da sua homologa\u00e7\u00e3o, ficando regidas pelo regime anterior as situa\u00e7\u00f5es passadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: STJ<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com base nesse entendimento, o colegiado deu provimento ao recurso 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