{"id":17326,"date":"2021-06-25T10:40:04","date_gmt":"2021-06-25T13:40:04","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=17326"},"modified":"2021-06-25T10:40:04","modified_gmt":"2021-06-25T13:40:04","slug":"governo-federal-perde-preferencia-na-cobranca-de-tributos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2021\/06\/25\/governo-federal-perde-preferencia-na-cobranca-de-tributos\/","title":{"rendered":"GOVERNO FEDERAL PERDE PREFER\u00caNCIA NA COBRAN\u00c7A DE TRIBUTOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ministros do STF julgaram inconstitucional previs\u00e3o do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Uni\u00e3o perdeu uma vantagem que tinha em rela\u00e7\u00e3o a Estados, munic\u00edpios e o Distrito Federal e agora poder\u00e1 ter ainda mais dificuldades para reduzir a d\u00edvida ativa, estimada hoje em R$ 2,4 trilh\u00f5es. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que s\u00e3o inconstitucionais previs\u00f5es do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN) e da Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais (n\u00ba 6.830, de 1980) que estabelecem a prefer\u00eancia do governo federal na cobran\u00e7a judicial de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A prioridade era importante para a Uni\u00e3o porque \u00e9 relativamente comum um mesmo devedor estar inscrito na d\u00edvida ativa federal e tamb\u00e9m em alguma estadual ou municipal. Essa vantagem de receber na frente dos demais entes, segundo especialistas, trazia para Estados e munic\u00edpios um certo desest\u00edmulo \u00e0s cobran\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cNa pr\u00e1tica, grandes devedores t\u00eam d\u00edvidas com todo mundo e t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar, mas quando ped\u00edamos o bloqueio de bens a Uni\u00e3o atravessava\u201d, afirmou ao Valor o procurador Marcelo Proen\u00e7a, do Distrito Federal, ente que levou a quest\u00e3o ao STF (ADPF 357).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De acordo com Ricardo Almeida, assessor jur\u00eddico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Secretarias de Finan\u00e7as das Capitais (Abrasf), levando em conta a grande quantidade de empresas em processo falimentar, recupera\u00e7\u00e3o judicial e em outras execu\u00e7\u00f5es coletivas, os valores em discuss\u00e3o entre Uni\u00e3o, Estados e munic\u00edpios nas penhoras s\u00e3o expressivos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No Estado de S\u00e3o Paulo, o estoque de cr\u00e9ditos inscritos em d\u00edvida ativa \u00e9 de aproximadamente R$ 340 bilh\u00f5es, dos quais R$ 190 bilh\u00f5es s\u00e3o de devedores inativos ou baixados &#8211; inclusive falidos. Do restante, R$ 60 bilh\u00f5es est\u00e3o garantidos. Restam R$ 90 bilh\u00f5es sendo cobrados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) afirma que, \u201cem princ\u00edpio, esse entendimento, em casos espec\u00edficos, facilita a recupera\u00e7\u00e3o de valores para Estados e munic\u00edpios, mas \u00e9 muito cedo para saber o real impacto da decis\u00e3o na arrecada\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A prioridade para a Uni\u00e3o veio com o C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional. A norma estabelece que a cobran\u00e7a judicial do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 sujeita a concurso de credores ou habilita\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia, recupera\u00e7\u00e3o judicial ou similar. Mas fixa uma ordem de prefer\u00eancia, colocando Uni\u00e3o na frente de Estados e munic\u00edpios. A Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais tem a mesma previs\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A Fazenda Nacional alegou na a\u00e7\u00e3o que o tratamento priorit\u00e1rio \u00e0 Uni\u00e3o beneficiaria todos os entes por causa dos mecanismos de reparti\u00e7\u00e3o de receitas. Agora, por\u00e9m, pela decis\u00e3o do Supremo, ter\u00e1 prefer\u00eancia quem solicitar primeiro a penhora ou outras formas de cobran\u00e7a dos cr\u00e9ditos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O STF j\u00e1 havia julgado esse assunto e at\u00e9 editado uma s\u00famula refor\u00e7ando o direito da Uni\u00e3o, a de n\u00ba 563. O texto, por\u00e9m, tinha como base a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1967. Em seu voto, a relatora do caso, ministra C\u00e1rmen L\u00facia, afirmou que o contexto constitucional e o modelo de federa\u00e7\u00e3o mudaram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1967, que previa uma federa\u00e7\u00e3o \u201cformal\u201d, j\u00e1 que tudo se concentrava na esfera federal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De acordo com a relatora, no artigo 18, a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 iguala no plano interno Uni\u00e3o, Estados, Distrito Federal e munic\u00edpios. Para ela, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em menor ou maior relev\u00e2ncia entre as compet\u00eancias de cada um dos entes da federa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No entendimento de C\u00e1rmen L\u00facia, pode haver crit\u00e9rio distintivo para ordem de pagamento de cr\u00e9ditos, como no caso dos trabalhistas, por exemplo, desde que seja v\u00e1lido. \u201cNo caso, nem a diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pela norma constitucional nem se comprova, a meu ver, finalidade constitucional leg\u00edtima buscada para a distin\u00e7\u00e3o estabelecida nas normas questionadas\u201d, disse no voto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O entendimento da relatora foi acompanhado pelos ministros Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Lu\u00eds Roberto Barroso, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aur\u00e9lio Mello e Luiz Fux. Os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes divergiram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo o ministro Kassio Nunes Marques, a Constitui\u00e7\u00e3o traz um federalismo cooperativo e as leis editadas pela Uni\u00e3o, ao atribu\u00edrem ordem de prioridade, romperam com a igualdade entre as esferas federadas e acabam por tolher a capacidade de Estados e munic\u00edpios satisfazerem cr\u00e9ditos quando concorrem com a Uni\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para o ministro Ricardo Lewandowski, qualquer privil\u00e9gio de um ente sobre outro \u00e9 incompat\u00edvel com o federalismo cooperativo adotado desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. \u201cH\u00e1 um entrela\u00e7amento de compet\u00eancias e rendas e essa coopera\u00e7\u00e3o se destina \u00e0 obten\u00e7\u00e3o do bem comum do povo\u201d, afirmou<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico- Por Beatriz Olivon <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministros do STF julgaram inconstitucional previs\u00e3o do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-4vs","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17326"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17326"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17326\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17328,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17326\/revisions\/17328"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}