{"id":16924,"date":"2021-06-08T11:03:22","date_gmt":"2021-06-08T14:03:22","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=16924"},"modified":"2021-06-08T11:03:22","modified_gmt":"2021-06-08T14:03:22","slug":"stj-vai-julgar-divergencia-sobre-alegacao-de-compensacao-em-embargos-a-execucao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2021\/06\/08\/stj-vai-julgar-divergencia-sobre-alegacao-de-compensacao-em-embargos-a-execucao\/","title":{"rendered":"STJ VAI JULGAR DIVERG\u00caNCIA SOBRE ALEGA\u00c7\u00c3O DE COMPENSA\u00c7\u00c3O EM EMBARGOS \u00c0 EXECU\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Na \u00faltima d\u00e9cada, no entanto, a tese pr\u00f3-contribuinte ganhou nuances pr\u00f3-fisco.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a vai definir se \u00e9 poss\u00edvel alegar, em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria indeferida na via administrativa, conforme interpreta\u00e7\u00e3o do disposto no artigo 16, par\u00e1grafo 3\u00ba da Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais (Lei 6.830\/1980).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O tema, al\u00e9m de n\u00e3o ser novo no \u00e2mbito da corte, j\u00e1 foi alvo de tese fixada em recursos repetitivos (Tema 294) ainda em 2009, relatado pelo ent\u00e3o ministro do STJ, Luiz Fux, no Recurso Especial 1.008.343.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Na \u00faltima d\u00e9cada, no entanto, a tese pr\u00f3-contribuinte ganhou nuances pr\u00f3-fisco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Inicialmente, a 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o definiu que a compensa\u00e7\u00e3o efetuada pelo contribuinte, antes do ajuizamento do feito executivo, pode figurar como fundamento de defesa dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, a fim de ilidir a presun\u00e7\u00e3o de liquidez e certeza da Certid\u00e3o da D\u00edvida Ativa (CDA).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Mas imp\u00f4s alguns pontos a serem observados para sua aplica\u00e7\u00e3o: que, \u00e0 \u00e9poca da compensa\u00e7\u00e3o, restaram atendidos os requisitos da exist\u00eancia de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio compens\u00e1vel, da configura\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito tribut\u00e1rio, e da exist\u00eancia de lei espec\u00edfica autorizativa da citada modalidade extintiva do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A diverg\u00eancia foi aberta para saber se a compensa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o foi homologada administrativamente \u2014 ou seja, a qual o Fisco n\u00e3o reconheceu cab\u00edvel, por indeferimento na via administrativa \u2014 pode ser utilizada como mat\u00e9ria de defesa em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">H\u00e1 precedentes nos dois sentidos entre os ministros que julgam mat\u00e9ria de Direito P\u00fablico no STJ, sempre baseados no repetitivo de 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O recurso levado \u00e0 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o em embargos de diverg\u00eancia vem da 2\u00aa Turma, que confirmou monocr\u00e1tica do ministro Og Fernandes segundo a qual a alega\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito dos embargos restringe-se \u00e0quela j\u00e1 reconhecida administrativa ou judicialmente antes do ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ac\u00f3rd\u00e3o paradigma apontado para embasar a diverg\u00eancia \u00e9 da 1\u00aa Turma, de 2010, relatado pelo ministro Benedito Gon\u00e7alves e segundo o qual basta que compensa\u00e7\u00e3o j\u00e1 tenha sido pleiteada na via administrativa antes de iniciada a execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Relator dos embargos de diverg\u00eancia, o ministro Gurgel de Faria chegou a decidir monocraticamente pelo n\u00e3o conhecimento do recurso, com base em precedente de integrantes da 1\u00aa Turma que tamb\u00e9m entendem que a compensa\u00e7\u00e3o indeferida administrativamente n\u00e3o pode ser usada como mat\u00e9ria de defesa em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em embargos de declara\u00e7\u00e3o, no entanto, reconheceu \u201cexist\u00eancia de outros julgados em sentido diverso, ainda que mais remotos\u201d, dando motivo suficiente para reconhecer a diverg\u00eancia jurisprudencial existente no \u00e2mbito do STJ.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O relator ainda considerou parecer apresentado, feito pela ministra aposentada do STJ, Eliana Calmon, que aponta a exist\u00eancia de linhas interpretativas diversas a respeito do alcance da tese repetitiva do Tema 294, que apenas tangenciou sobre o tema e que \u201ctem servido de fundamento para tutelas jurisdicionais distintas\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Linha interpretativa Segundo a advogada Andrea Zuchini Ramos, do MFT Advogados, o precedente gera preocupa\u00e7\u00e3o quando considerado o volume de contencioso tribut\u00e1rio decorrente de declara\u00e7\u00f5es de compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o homologadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Se prevalecer a interpreta\u00e7\u00e3o mais restritiva, o uso de compensa\u00e7\u00e3o como mat\u00e9ria de defesa em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 remota: apenas quando houver a indevida inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida de d\u00e9bito cuja compensa\u00e7\u00e3o tenha sido regularmente homologada pela Receita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para Zuchini, o artigo 16, par\u00e1grafo 3\u00b0 da LEF deve ser interpretado de acordo com o contexto de sua edi\u00e7\u00e3o, mais de uma d\u00e9cada antes de promulgada a Lei 8.383\/1991, que inaugura compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria em \u00e2mbito federal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cNesse sentido, o que tal dispositivo pretendeu combater foi a alega\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o futura, ratio adotada no recurso repetitivo mencionado, que analisou justamente tal altera\u00e7\u00e3o no quadro normativo sobre o tema compensa\u00e7\u00e3o\u201d, disse, em artigo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ponto tamb\u00e9m foi ressaltado pelas advogadas Bianca Delgado Pinheiro e Simone Bento Martins Cirilo, do Rolim, Viotti, Goulart e Cardoso Advogados, em artigo publicado pela ConJur. Elas explicaram que, quando a LEF foi editada, a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria era autorizada pelo C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, mas n\u00e3o tinha regulamenta\u00e7\u00e3o e era hip\u00f3tese sem uso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 como cogitar que a inten\u00e7\u00e3o do legislador, ao editar a Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais, tenha sido a de proibir alega\u00e7\u00e3o que era imposs\u00edvel na \u00e9poca, pois fundamentada em algo que inaplic\u00e1vel diante da inexist\u00eancia de lei\u201d, disseram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Assim, a \u00fanica interpreta\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel seria a que veda ao contribuinte invocar a exist\u00eancia de cr\u00e9dito fiscal de sua titularidade para compensar o d\u00e9bito j\u00e1 executado. \u201cOu seja, o que deve ser rejeitada \u00e9 a busca, por meio de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, de decis\u00e3o autorizando a compensa\u00e7\u00e3o judicial como meio de extin\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito\u201d, explicaram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em suma, a LEF prev\u00ea que o contribuinte deve promover a compensa\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito pr\u00f3prio (administrativo), e n\u00e3o em sede de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal. Mas isso n\u00e3o significa que, se houver indeferimento pelo Fisco, n\u00e3o possa ser arguida posteriormente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">EREsp 1.795.347<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE:\u00a0 Conjur &#8211; Por Danilo Vital<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, no entanto, a tese pr\u00f3-contribuinte ganhou nuances [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-4oY","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16924"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16924"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16924\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16925,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16924\/revisions\/16925"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}