{"id":16906,"date":"2021-06-07T11:01:26","date_gmt":"2021-06-07T14:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=16906"},"modified":"2021-06-07T11:01:26","modified_gmt":"2021-06-07T14:01:26","slug":"calculo-de-impacto-de-decisao-do-stf-sobre-pis-e-cofins-e-enganoso-dizem-advogados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2021\/06\/07\/calculo-de-impacto-de-decisao-do-stf-sobre-pis-e-cofins-e-enganoso-dizem-advogados\/","title":{"rendered":"C\u00c1LCULO DE IMPACTO DE DECIS\u00c3O DO STF SOBRE PIS E COFINS \u00c9 ENGANOSO, DIZEM ADVOGADOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Modula\u00e7\u00e3o da &#8220;tese do s\u00e9culo&#8221; atendeu parcialmente \u00e0s demandas da Receita\u00b4.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao calcular o poss\u00edvel impacto da modula\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal sobre o c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, os economistas da Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente, que apresenta estudos para o Senado Federal, partiram de uma premissa pr\u00f3-Receita e levantaram uma possibilidade que n\u00e3o foi apreciada pelos ministros, o que pode levar a erro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em maio, o STF decidiu que o ICMS n\u00e3o deve fazer parte da base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins desde 15 de mar\u00e7o de 2017, e que, portanto, os valores pagos entre essa data e 13 de maio de 2021 devem ser restitu\u00eddos ao contribuinte. O valor considerado para o c\u00e1lculo da devolu\u00e7\u00e3o (por meio de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio) ser\u00e1 o ICMS destacado nas notas fiscais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Os analistas da IFI, sob a dire\u00e7\u00e3o executiva de Felipe Salto, estimaram dois cen\u00e1rios macroecon\u00f4micos poss\u00edveis a partir da decis\u00e3o, calculando impactos sobre a arrecada\u00e7\u00e3o federal que variam de 0,6% (no cen\u00e1rio 1) a 0,9% (no cen\u00e1rio 2) do Produto Interno Bruto (PIB). Pelo cen\u00e1rio 1, que considera o que se deixou de arrecadar com a mudan\u00e7a mais a devolu\u00e7\u00e3o do imposto cobrado a mais, o impacto poderia chegar a R$ 120,1 bilh\u00f5es, afirmaram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Tributaristas consultados pela ConJur, no entanto, fizeram algumas ressalvas. A primeira delas, de ordem mais geral, atenta para o vi\u00e9s de &#8220;perda de arrecada\u00e7\u00e3o&#8221; adotado pelo estudo. Para o c\u00e1lculo dos cen\u00e1rios, eles consideram que o governo deixaria de arrecadar a fatia do PIS e da Cofins que era calculada sobre o ICMS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Segundo Maria Ang\u00e9lica Feij\u00f3, s\u00f3cia da \u00e1rea tribut\u00e1ria de Silveiro Advogados, n\u00e3o h\u00e1 perda de arrecada\u00e7\u00e3o, mas sim devolu\u00e7\u00e3o de valores arrecadados pela Uni\u00e3o de forma inconstitucional. &#8220;Temos que encarar que o valor de R$ 120,1 bilh\u00f5es n\u00e3o \u00e9 um impacto negativo na arrecada\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, mas um impacto \u2014 e positivo \u2014 na economia, visto que estamos devolvendo aos contribuintes o que lhes \u00e9 de direito&#8221;, sustenta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Alessandro Mendes Cardoso, do Rolim, Viotti, Goulart, Cardoso Advogados, faz coro a esse ponto de vista, ressaltando que a devolu\u00e7\u00e3o das cobran\u00e7as \u00e9 especialmente importante diante da crise econ\u00f4mica causada pela epidemia de Covid-19.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Existe grande movimenta\u00e7\u00e3o dessas empresas na apura\u00e7\u00e3o dos valores de ind\u00e9bito tribut\u00e1rio e a defini\u00e7\u00e3o da forma de implementa\u00e7\u00e3o desse ganho financeiro, por meio de compensa\u00e7\u00e3o administrativa ou execu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a. No atual momento de pandemia e dificuldades econ\u00f4micas em v\u00e1rios setores, esses cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios configuram um f\u00f4lego econ\u00f4mico de grande import\u00e2ncia.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Partindo desse mesmo racioc\u00ednio, n\u00e3o faz sentido projetar os c\u00e1lculos desse impacto para o futuro, como fez o estudo, de 2021 a 2030. Conforme destacado por Luciana Aguiar, do Bocater Advogados, &#8220;n\u00e3o se perde o que n\u00e3o se tem&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;A arrecada\u00e7\u00e3o sobre o ICMS foi considerada indevida pelo STF e, independentemente da opini\u00e3o pessoal de qualquer especialista, a conclus\u00e3o jur\u00eddica s\u00f3 pode ser no sentido de que tudo o que foi arrecadado a t\u00edtulo de PIS e Cofins calculado sobre ICMS foi arrecada\u00e7\u00e3o indevida. Agora, o er\u00e1rio ir\u00e1 devolver apenas os valores que foram reclamados dentro do prazo decadencial&#8221;, desenvolve.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A IFI ainda destacou que o resultado do julgamento do STF pode levar o governo a aumentar as al\u00edquotas do PIS e da Cofins para compensar a queda de arrecada\u00e7\u00e3o. &#8220;Ressalte-se, ainda, que a decis\u00e3o em tela segue a tese segundo a qual n\u00e3o se pode cobrar tributo sobre tributo. Do ponto de vista da gest\u00e3o fiscal e, particularmente, da arrecada\u00e7\u00e3o federal, a rea\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do governo federal seria a eventual proposta de eleva\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas do PIS\/Cofins. Esse aumento das al\u00edquotas poderia compensar a queda esperada das receitas p\u00fablicas decorrente da retirada do ICMS da base dos dois tributos&#8221;, diz o estudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Thalles Silva, advogado da \u00e1rea tribut\u00e1ria do Kincaid Mendes Vianna Advogados, critica essa possibilidade. &#8220;Muitos contribuintes discutiram essa tese nos tribunais por anos, sendo certo que uma majora\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas nesse momento seria frustrante e desleal. Afinal, o contribuinte tamb\u00e9m est\u00e1 pressionado pela crise&#8221;, afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Al\u00e9m disso, ainda que a redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegue ao consumidor final, tal fato n\u00e3o legitimaria que a base de c\u00e1lculo do PIS\/Cofins permanecesse majorada pelo ICMS&#8221;, completou o advogado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Simula\u00e7\u00e3o perigosa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">J\u00e1 o cen\u00e1rio 2 montado pelos economistas foi mais atacado pelos advogados. A proje\u00e7\u00e3o foi criada considerando que a Receita v\u00e1 levar em conta n\u00e3o apenas o valor destacado na nota fiscal para devolu\u00e7\u00e3o dos valores recolhidos a mais, mas somar a eles os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios j\u00e1 obtidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O estudo diz que \u00e9 &#8220;razo\u00e1vel supor que a RFB considerar\u00e1 o valor destacado nas notas fiscais, mas tamb\u00e9m os valores dos cr\u00e9ditos, j\u00e1 que a decis\u00e3o do STF n\u00e3o abrange essa quest\u00e3o&#8221;. Nesse cen\u00e1rio, o impacto da arrecada\u00e7\u00e3o menor chegaria a 0,9% do PIB entre 2021 e 2030.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Matheus Bueno, do Bueno e Castro Tax Lawyer Advogados, afirma que a simula\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;perigosa&#8221; ao tra\u00e7ar esse tipo de cen\u00e1rio, j\u00e1 que a decis\u00e3o do Supremo n\u00e3o deixou margem para essa interpreta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Ainda que o ac\u00f3rd\u00e3o n\u00e3o tenha sido publicado, est\u00e1 mais que claro nos julgamentos que a discuss\u00e3o sobre ICMS destacado ou recolhido continha em si a quest\u00e3o quanto \u00e0 possibilidade de se considerarem os cr\u00e9ditos da n\u00e3o cumulatividade no valor do imposto a ser exclu\u00eddo da base das contribui\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Luciana Aguiar concorda. &#8220;O cen\u00e1rio 2 simulado n\u00e3o tem base na decis\u00e3o do STF e, em minha opini\u00e3o, \u00e9 um equ\u00edvoco, podendo induzir n\u00e3o apenas a um erro na estimativa or\u00e7ament\u00e1ria, como tamb\u00e9m a novo contencioso (autua\u00e7\u00f5es por parte da RFB) que s\u00f3 v\u00e3o atrasar o fim dessa celeuma. N\u00e3o parece, portanto, produtivo fazer essa simula\u00e7\u00e3o&#8221;, opina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Perdas e ganhos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em um ponto, no entanto, os especialistas elogiaram o levantamento e concordaram com a conclus\u00e3o dos economistas: nas reflex\u00f5es feitas sobre quem efetivamente vai se beneficiar da decis\u00e3o, se as empresas ou o consumidor final.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A conc\u00f3rdia surgiu da constata\u00e7\u00e3o de que o repasse de imposto menor para o pre\u00e7o final do produto n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tico. Luciana Aguiar destacou que \u00e9 correta a conclus\u00e3o do estudo de que a varia\u00e7\u00e3o dos efeitos econ\u00f4micos da mudan\u00e7a do imposto \u00e9 condicionada pela demanda por um item econ\u00f4mico, mas que esse insight deve servir para novas proposi\u00e7\u00f5es legislativas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;A quem cabe a devolu\u00e7\u00e3o [se \u00e0s empresas ou aos consumidores] \u00e9 uma quest\u00e3o bastante relevante para refletirmos nesse momento em que a reforma tribut\u00e1ria vem sendo debatida. O Brasil tem um sistema tribut\u00e1rio complicado e pouco transparente em termos de tributa\u00e7\u00e3o indireta, nela inclu\u00eddos o PIS e a Cofins&#8221;, reflete a advogada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No entanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fugir da conclus\u00e3o de que, como foram as empresas que pagaram o excedente agora considerado inconstitucional, a maior benefici\u00e1ria agora ser\u00e3o elas. &#8220;Juridicamente, o contribuinte s\u00e3o as empresas e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa que n\u00e3o atribuir a elas o direito de recuperar valores pagos de forma indevida, independentemente do \u00f4nus econ\u00f4mico ter sido ou n\u00e3o suportado por elas&#8221;, defende.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">RE 574.706<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: \u00a0\u00a0Conjur\u00a0 -Por Luiza Calegari<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modula\u00e7\u00e3o da &#8220;tese do s\u00e9culo&#8221; atendeu parcialmente \u00e0s demandas da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-4oG","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16906"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16906"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16906\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16908,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16906\/revisions\/16908"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}