{"id":15069,"date":"2021-03-01T10:13:49","date_gmt":"2021-03-01T13:13:49","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=15069"},"modified":"2021-03-01T10:13:49","modified_gmt":"2021-03-01T13:13:49","slug":"stf-julga-aprovacao-de-planos-de-recuperacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2021\/03\/01\/stf-julga-aprovacao-de-planos-de-recuperacao\/","title":{"rendered":"STF JULGA APROVA\u00c7\u00c3O DE PLANOS DE RECUPERA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A 4\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) come\u00e7ou a julgar processo que discute se um credor \u00e9 obrigado a aceitar um plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial &#8211; procedimento chamado de \u201ccram down\u201d. O caso \u00e9 do Banco do Brasil, que foi o \u00fanico a rejeitar a proposta oferecida.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u00c9 a primeira vez que a turma analisa esse assunto com profundidade, segundo o ministro Raul Ara\u00fajo, apesar de j\u00e1 existir um precedente sobre o tema. Por enquanto, apenas o relator, ministro Ant\u00f4nio Carlos Ferreira, votou e se manifestou contra o banco, a favor do cram down.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em tese, a Lei de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial (n\u00ba 11.101, de 2005) estabelece que o plano de pagamento precisa ser aprovado em todas as classes de credores para que a devedora consiga levar o processo adiante. Caso contr\u00e1rio, ter\u00e1 a fal\u00eancia decretada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Um processo de recupera\u00e7\u00e3o pode ter at\u00e9 quatro classes: I &#8211; trabalhistas, II &#8211; credores que t\u00eam cr\u00e9dito com garantia, III &#8211; titulares de cr\u00e9ditos quirograf\u00e1rios e IV &#8211; pequenas e microempresas. A aprova\u00e7\u00e3o do plano depende, nas classes I e IV, da maioria absoluta dos votos de credores presentes na assembleia-geral. J\u00e1 nas classes II e III conta o n\u00famero de credores e o valor total de cr\u00e9ditos &#8211; tem de haver maioria em ambos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Mas a lei prev\u00ea um qu\u00f3rum alternativo para a aprova\u00e7\u00e3o do plano nos casos em que existir uma circunst\u00e2ncia especial. Trata-se da regra do cram down. O termo, importado do direito americano, significa que, mesmo com a discord\u00e2ncia da assembleia-geral de credores, o plano poder\u00e1 ser aprovado. Ou, segundo o ministro Raul Ara\u00fajo afirmou na ter\u00e7a-feira,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O cram down est\u00e1 previsto no artigo 58 da lei. Consta no par\u00e1grafo 1\u00ba que o juiz pode conceder a recupera\u00e7\u00e3o judicial desde que tenha ocorrido, de forma cumulativa, tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es: voto favor\u00e1vel de credores que representam mais da metade do valor de toda a d\u00edvida; a aprova\u00e7\u00e3o de pelo menos duas classes ou, no caso de existirem s\u00f3 duas, a concord\u00e2ncia de uma delas; e na classe em que o plano foi rejeitado, a concord\u00e2ncia de mais de um ter\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No caso em julgamento pelo STJ, o Banco do Brasil n\u00e3o aceitou o plano da BBKO Consulting, da qual \u00e9 o principal credor &#8211; \u00e9 titular de 56,86% dos cr\u00e9ditos da classe quirograf\u00e1ria. O Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJ-SP) negou o pedido de homologa\u00e7\u00e3o da proposta por causa da oposi\u00e7\u00e3o do banco. Para a Corte, n\u00e3o se aplica ao caso a teoria do cram down (AREsp 1551410).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A 4\u00aa Turma j\u00e1 decidiu em 2018, segundo o relator, que os requisitos do artigo 58 para a aplica\u00e7\u00e3o do cram down devem ser mitigados em circunst\u00e2ncias que podem evidenciar o abuso de direito por parte do credor recalcitrante (REsp 1337989). A 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o, acrescentou, tamb\u00e9m j\u00e1 decidiu em outra situa\u00e7\u00e3o pela preval\u00eancia do princ\u00edpio da preserva\u00e7\u00e3o da empresa (REsp 1598130).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O relator destacou que a assembleia de credores obteve votos favor\u00e1veis de 100% dos credores da classe trabalhista, 100% de cr\u00e9ditos e credores da classe II, com garantia real, 85,70% dos credores quirograf\u00e1rios, onde est\u00e1 o Banco do Brasil, e 100% de cr\u00e9ditos e credores da classe de micro e pequenas empresas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Para ele, a jurisprud\u00eancia do STJ permite a excepcional concess\u00e3o do cram down em casos de \u201cinjustific\u00e1vel comportamento\u201d de um \u00fanico credor, indicando abusividade. O julgamento foi suspenso por pedido de vista da ministra Isabel Gallotti.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico &#8211; Por Beatriz Olivon \u2014 De Bras\u00edlia<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 4\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) come\u00e7ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-3V3","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15069"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15070,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15069\/revisions\/15070"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}