{"id":13667,"date":"2020-12-09T11:14:18","date_gmt":"2020-12-09T14:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=13667"},"modified":"2020-12-09T11:14:18","modified_gmt":"2020-12-09T14:14:18","slug":"justica-de-trabalho-nega-penhora-de-patrimonio-do-conjuge-de-devedor-que-nao-converteu-beneficio-a-unidade-familiar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2020\/12\/09\/justica-de-trabalho-nega-penhora-de-patrimonio-do-conjuge-de-devedor-que-nao-converteu-beneficio-a-unidade-familiar\/","title":{"rendered":"JUSTI\u00c7A DE TRABALHO NEGA PENHORA DE PATRIM\u00d4NIO DO C\u00d4NJUGE DE DEVEDOR QUE N\u00c3O CONVERTEU BENEF\u00cdCIO \u00c0 UNIDADE FAMILIAR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A senten\u00e7a do ju\u00edzo da 17\u00aa Vara do Trabalho de Belo Horizonte j\u00e1 havia negado o pedido do credor. Mas ele insistia na penhora dos bens do c\u00f4njuge da s\u00f3cia executada, invocando os artigos 1660 e 1664 do C\u00f3digo Civil e artigos 524 e 829 do CPC\/2015.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Julgadores da Quinta Turma do TRT-MG, por decis\u00e3o un\u00e2nime, negaram a pretens\u00e3o dos credores de que fossem penhorados bens do esposo da devedora (s\u00f3cia da empresa executada) para saldar a d\u00edvida trabalhista. Na decis\u00e3o, de relatoria do desembargador Oswaldo Tadeu Barbosa Guedes, foi ressaltado que o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o contra o c\u00f4njuge da s\u00f3cia seria invi\u00e1vel, tendo em vista que ele nunca participou da sociedade da empresa r\u00e9 e que n\u00e3o houve prova de que a d\u00edvida trabalhista converteu algum benef\u00edcio \u00e0 unidade familiar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A senten\u00e7a do ju\u00edzo da 17\u00aa Vara do Trabalho de Belo Horizonte j\u00e1 havia negado o pedido do credor. Mas ele insistia na penhora dos bens do c\u00f4njuge da s\u00f3cia executada, invocando os artigos 1660 e 1664 do C\u00f3digo Civil e artigos 524 e 829 do CPC\/2015.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Entretanto, segundo o relator, mesmo que a jurisprud\u00eancia admita em algumas situa\u00e7\u00f5es que a execu\u00e7\u00e3o se volte contra o c\u00f4njuge da pessoa executada, \u00e9 pac\u00edfico que se deve provar que a d\u00edvida tenha se convertido em prol da unidade familiar, o que n\u00e3o ocorreu no caso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Al\u00e9m disso, o desembargador pontuou que voltar a execu\u00e7\u00e3o para o c\u00f4njuge da s\u00f3cia, o qual n\u00e3o integrou a lide desde o in\u00edcio da a\u00e7\u00e3o, configuraria viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da ampla defesa e do contradit\u00f3rio, garantias que s\u00e3o asseguradas pela Constitui\u00e7\u00e3o (artigo 5\u00ba, inciso LV). Contribuiu para o entendimento do relator o fato de a s\u00f3cia executada ter se retirado da empresa e desfeito a sociedade em novembro\/2013, anteriormente ao processo de execu\u00e7\u00e3o, que teve in\u00edcio apenas em mar\u00e7o\/2018.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Referindo-se a fundamentos adotados em julgamento anterior da 5\u00aa Turma sobre a mesma quest\u00e3o (processo n\u00ba 0000405-07.2014.5.03.0141 &#8211; AP, relator: juiz convocado Ant\u00f4nio Neves de Freitas, ac\u00f3rd\u00e3o publicado no DEJT, na data de 18\/12\/2019), o desembargador relator salientou que, nos termos do artigo 779 do CPC, a execu\u00e7\u00e3o dirige-se contra os r\u00e9us condenados na senten\u00e7a e nela identificados, seja com a sua responsabilidade principal, solid\u00e1ria ou subsidi\u00e1ria. Assim, o direcionamento da execu\u00e7\u00e3o contra pessoa estranha \u00e0 rela\u00e7\u00e3o processual, al\u00e9m de ofender ao contradit\u00f3rio e ampla defesa, viola ainda o princ\u00edpio da intangibilidade da coisa julgada (artigo 5\u00ba, inciso XXXVI, da CF).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O relator frisou que se pode admitir que a penhora recaia sobre bens dos c\u00f4njuges, ainda que somente um deles figure no polo passivo da execu\u00e7\u00e3o, mas desde que a d\u00edvida trabalhista tenha se convertido em benef\u00edcio \u00e0 entidade familiar. A prova do benef\u00edcio familiar \u00e9 imprescind\u00edvel, o que, segundo o julgador, n\u00e3o ocorreu no caso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Conforme explicitado na decis\u00e3o, existem duas diferentes situa\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o se confundem. A primeira \u00e9 a possibilidade de a penhora recair sobre bens do casal, por meio da qual, o c\u00f4njuge, dependendo do regime de casamento, poder\u00e1 ter sua mea\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m penhorada, se provado que a d\u00edvida converteu em benef\u00edcio \u00e0 fam\u00edlia. A segunda, n\u00e3o admitida, \u00e9 a inclus\u00e3o do c\u00f4njuge no polo passivo da execu\u00e7\u00e3o apenas porque casado com o executado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por fim, ficou esclarecido que a previs\u00e3o do artigo 790, IV, do CPC, de que s\u00e3o sujeitos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o os bens &#8220;do c\u00f4njuge ou companheiro, nos casos em que seus bens pr\u00f3prios ou de sua mea\u00e7\u00e3o respondem pela d\u00edvida&#8221;, n\u00e3o altera o entendimento adotado, porque pressup\u00f5e a participa\u00e7\u00e3o de tais pessoas desde o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o, com a possibilidade de exerc\u00edcio dos princ\u00edpios constitucionalmente assegurados da ampla defesa e do contradit\u00f3rio, n\u00e3o sendo esta a hip\u00f3tese.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Processo PJe: 0011114-17.2016.5.03.0017 (AP)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: TRT3<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A senten\u00e7a do ju\u00edzo da 17\u00aa Vara do Trabalho de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-3yr","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13667"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13667"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13668,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13667\/revisions\/13668"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}