{"id":13353,"date":"2020-11-26T09:40:02","date_gmt":"2020-11-26T12:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=13353"},"modified":"2020-11-26T09:40:02","modified_gmt":"2020-11-26T12:40:02","slug":"o-nao-pagamento-de-icms-como-crime-unico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2020\/11\/26\/o-nao-pagamento-de-icms-como-crime-unico\/","title":{"rendered":"O N\u00c3O PAGAMENTO DE ICMS COMO CRIME \u00daNICO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Um ou poucos atos de n\u00e3o pagamento n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a infra\u00e7\u00e3o, apenas o conjunto de reiteradas inadimpl\u00eancias.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O que era expectativa tornou-se uma apreensiva realidade. Quando o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), em dezembro do ano passado, decidiu ser crime o n\u00e3o pagamento do ICMS pr\u00f3prio, era de se esperar a abertura de inqu\u00e9ritos e de a\u00e7\u00f5es penais contra comerciantes inadimplentes. N\u00e3o demorou muito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Not\u00edcias de investiga\u00e7\u00f5es, processos e bloqueios de bens contra empres\u00e1rios nesta situa\u00e7\u00e3o &#8211; cujo n\u00famero n\u00e3o \u00e9 pequeno diante das dificuldades econ\u00f4micas oriundas da pandemia &#8211; revelam a assimila\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da orienta\u00e7\u00e3o do Supremo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Um ou poucos atos de n\u00e3o pagamento n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a infra\u00e7\u00e3o, apenas o conjunto de reiteradas inadimpl\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Na \u00faltima semana, a decis\u00e3o foi finalmente publicada e seus fundamentos vieram a p\u00fablico. A longa pe\u00e7a de 210 p\u00e1ginas discorre sobre o hist\u00f3rico da legisla\u00e7\u00e3o criminal referente ao ICMS, as estat\u00edsticas de inadimpl\u00eancia, aspectos dogm\u00e1ticos e de pol\u00edtica criminal sobre as op\u00e7\u00f5es do legislador diante do n\u00e3o pagamento do tributo em quest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por\u00e9m, h\u00e1 uma consequ\u00eancia pouco comentada que parece surgir das premissas fixadas pela decis\u00e3o da Corte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Lendo-se o ac\u00f3rd\u00e3o, percebe-se que o STF n\u00e3o decidiu que a inadimpl\u00eancia de ICMS \u00e9 criminosa em qualquer hip\u00f3tese. Ficaram demarcados com clareza seus limites: apenas devedores contumazes praticam o delito. Segundo o relator, ministro Luis Roberto Barroso: \u201c\u00e9 preciso, portanto, que se constate que a inadimpl\u00eancia do devedor \u00e9 reiterada, sistem\u00e1tica, contumaz, verdadeiro modelo negocial do empres\u00e1rio\u201d e que \u201cal\u00e9m da pr\u00f3pria conduta atual de inadimpl\u00eancia reiterada, tamb\u00e9m deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o o hist\u00f3rico de regularidade de recolhimentos tribut\u00e1rios do agente, apesar de epis\u00f3dios de n\u00e3o recolhimentos espec\u00edficos, justificados por fatores determinados\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Assim, se o comerciante deixa de pagar ICMS de forma pontual, por um problema financeiro concreto, mas apresenta um hist\u00f3rico de adimpl\u00eancia fiscal, n\u00e3o pratica o crime, na vis\u00e3o do voto do relator. Por outro lado, se a pr\u00e1tica for contumaz existir\u00e1 o delito. Em outras palavras, um ou poucos atos de n\u00e3o pagamento n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a infra\u00e7\u00e3o, apenas o conjunto de reiteradas inadimpl\u00eancias revelaria o crime descrito no artigo 2\u00ba, II da Lei 8.137\/90.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A ado\u00e7\u00e3o desse crit\u00e9rio tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas importantes. A exig\u00eancia da contum\u00e1cia indica que o crime em quest\u00e3o s\u00f3 existe se for habitual, ou seja, s\u00f3 ocorre quando existir a reitera\u00e7\u00e3o de atos, com regularidade, porque a pr\u00e1tica da inadimpl\u00eancia isolada \u00e9 irrelevante ou indiferente ao direito penal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ponto central: em direito penal, o crime habitual, embora composto de v\u00e1rios atos, n\u00e3o consiste em diversos delitos, mas em um \u00fanico. \u00c9 o que ocorre com o exerc\u00edcio ilegal de medicina, o curandeirismo, a gest\u00e3o fraudulenta. Ainda que o agente atenda pacientes ou prescreva medicamentos sem autoriza\u00e7\u00e3o, ou realize v\u00e1rios atos ilegais na gest\u00e3o de institui\u00e7\u00e3o financeira, sempre ser\u00e1 acusado de um \u00fanico delito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao caracterizar a inadimpl\u00eancia do ICMS como crime habitual o STF reconhece que a pr\u00e1tica seguida de diversos n\u00e3o pagamentos, por longos per\u00edodos constitui um \u00fanico crime, e n\u00e3o v\u00e1rios. A interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da norma penal, e a reda\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o ora publicada n\u00e3o deixam espa\u00e7os para interpreta\u00e7\u00f5es diferentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Uma vez que a pena prevista para o delito em quest\u00e3o \u00e9 de 6 meses a 2 anos de reclus\u00e3o e multa, ser\u00e1 sempre poss\u00edvel a transa\u00e7\u00e3o penal, a suspens\u00e3o condicional do processo ou a n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, a depender do caso concreto e das circunst\u00e2ncias da atividade do comerciante, mesmo que a inadimpl\u00eancia ocorra por um longo per\u00edodo, praticada in\u00fameras vezes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O pr\u00f3prio ac\u00f3rd\u00e3o da Corte Suprema reconhece que \u201cas consequ\u00eancias do reconhecimento da tipicidade da conduta n\u00e3o s\u00e3o excessivamente gravosas aos comerciantes\u201d uma vez que \u201c\u00e9 virtualmente imposs\u00edvel que algu\u00e9m seja efetivamente preso em raz\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o pela pr\u00e1tica do delito\u201d em an\u00e1lise, apontando a possibilidade do uso de instrumentos de solu\u00e7\u00e3o consensual do caso sem o julgamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ainda h\u00e1 muito a ser analisado e discutido em decorr\u00eancia desta decis\u00e3o, mas a correta caracteriza\u00e7\u00e3o do crime e suas consequ\u00eancias \u00e9 um primeiro passo para a aplica\u00e7\u00e3o coerente e racional de uma orienta\u00e7\u00e3o que por ora pautar\u00e1 a conduta de ju\u00edzes, promotores e comerciantes pelo pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Valor Econ\u00f4mico &#8211; Por Pierpaolo Cruz Bottini<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ou poucos atos de n\u00e3o pagamento n\u00e3o s\u00e3o suficientes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-3tn","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13353"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13353"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13353\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13355,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13353\/revisions\/13355"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}