{"id":13048,"date":"2020-11-13T10:55:11","date_gmt":"2020-11-13T13:55:11","guid":{"rendered":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/?p=13048"},"modified":"2020-11-13T10:55:11","modified_gmt":"2020-11-13T13:55:11","slug":"o-marco-temporal-da-tese-do-tema-825-stf-e-as-acoes-pendentes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/2020\/11\/13\/o-marco-temporal-da-tese-do-tema-825-stf-e-as-acoes-pendentes\/","title":{"rendered":"O MARCO TEMPORAL DA TESE DO TEMA 825\/STF E AS A\u00c7\u00d5ES PENDENTES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Est\u00e3o atualmente sob an\u00e1lise pelo Supremo Tribunal Federal dois temas de relev\u00e2ncia \u00edmpar com not\u00e1veis &#8220;interse\u00e7\u00f5es&#8221;, a come\u00e7ar pelo seu papel expressivo na (re)afirma\u00e7\u00e3o das balizas do sistema tribut\u00e1rio nacional, a saber: o Tema 1.093, relativo ao diferencial de al\u00edquotas de ICMS em opera\u00e7\u00f5es interestaduais, e o 825, referente \u00e0 (in)constitucionalidade do ITCMD em situa\u00e7\u00f5es com conex\u00e3o internacional.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De fato, ambos t\u00eam como vari\u00e1vel-chave a delimita\u00e7\u00e3o do alcance da regra contingencial do artigo 24, \u00a73\u00ba, da CF\/88, especificamente o seu potencial de autorizar o exerc\u00edcio pelos Estados e Distrito Federal da sua compet\u00eancia tribut\u00e1ria na falta de lei complementar (nacional) constitucionalmente requerida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">E, at\u00e9 aqui, o seu encaminhamento tem sido convergente \u2014 pelo menos quanto ao pr\u00f3prio bus\u00edlis: antes da suspens\u00e3o dos julgamentos por pedidos de vista, os relatores dos respectivos leading cases, ministros Marco Aur\u00e9lio (Tema 1.093) e Dias Toffoli (Tema 825), posicionaram-se pela inconstitucionalidade das exa\u00e7\u00f5es estaduais \u00e0 m\u00edngua da lei complementar pertinente. Quanto ao Tema 825, n\u00e3o houve devolu\u00e7\u00e3o do leading case pelo ministro Alexandre de Moraes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em contrapartida, os julgamentos aparentam se distanciar no tocante a uma dimens\u00e3o extremamente cara, que s\u00f3 poderia ser qualificada como &#8220;acess\u00f3ria&#8221; sob um ponto de vista estritamente l\u00f3gico, qual seja, o marco temporal da correspondente tese de repercuss\u00e3o geral. Enquanto n\u00e3o se esbo\u00e7ou qualquer corte na efic\u00e1cia natural (ex tunc) da Tese 1.093, o voto do ministro Dias Toffoli prop\u00f4s que a Tese 825 s\u00f3 seja aplicada a fatos geradores futuros. E, nesse particular, a proposta, embora bem intencionada, distancia-se n\u00e3o apenas do encaminhamento dado ao Tema 1.093, mas, na verdade, de toda uma longa cadeia de precedentes. Explica-se.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em seu alentado e erudito voto, o ministro Dias Toffoli se prop\u00f4s a fazer \u2014 e, sem d\u00favida, conseguiu \u2014 uma ampla e detalhada revis\u00e3o do hist\u00f3rico jurisprudencial do tribunal a prop\u00f3sito do artigo 24, \u00a73\u00ba, da CF\/88 em contexto tribut\u00e1rio, passando por casos cl\u00e1ssicos, como o do extinto adicional estadual de Imposto de Renda, e chegando a outros mais recentes, como o Tema 171 (ICMS-Importa\u00e7\u00e3o). Mas, com o devido respeito, a mesma abordagem parece ter sido preterida no cap\u00edtulo ora em foco, no qual se sujeitou a tese a um severo corte temporal com base em apenas duas decis\u00f5es monocr\u00e1ticas que teriam gerado nos Estados uma expectativa favor\u00e1vel \u00e0 valida\u00e7\u00e3o da sua compet\u00eancia tribut\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Mas, como registramos em outra ocasi\u00e3o [1], se o &#8220;romance&#8221; que o STF vem escrevendo a respeito da modula\u00e7\u00e3o temporal tribut\u00e1ria pode parecer prima facie um tanto err\u00e1tico, o mesmo n\u00e3o pode ser dito dos seus &#8220;cap\u00edtulos&#8221; mais recentes, por ser not\u00e1vel a semelhan\u00e7a cada vez maior dos crit\u00e9rios aplicados em tais assentadas, padr\u00e3o pode estar em vias de ser rompido no julgamento do Tema 825.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">E nem se est\u00e1 fazendo alus\u00e3o a posi\u00e7\u00f5es mais categ\u00f3ricas, como as relativas aos Temas 1 (base de c\u00e1lculo de PIS\/Cofins-importa\u00e7\u00e3o) e 166 (INSS sobre pagamentos a cooperativas de trabalho), em cujos leading cases, tamb\u00e9m relatados pelo ministro Dias Toffoli, foram indeferidos os pleitos de modula\u00e7\u00e3o temporal sob o argumento de que &#8220;a seguran\u00e7a jur\u00eddica est\u00e1 na proclama\u00e7\u00e3o do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dando-se primazia \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal&#8221;. Tampouco se est\u00e1 comparando a base de confian\u00e7a dos Estados e do Distrito Federal, tida como suficientemente s\u00f3lida, com as subjacentes aos Temas 71 (revoga\u00e7\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o da Cofins das sociedades profissionais), 299 (creditamento de ICMS x isen\u00e7\u00e3o parcial), 643 (IPI-importa\u00e7\u00e3o devido por pessoas f\u00edsicas) e 669 (Funrural ap\u00f3s a Lei 10.256\/2001), todas invariavelmente desmerecidas para descartar qualquer limita\u00e7\u00e3o \u00e0s teses desfavor\u00e1veis aos contribuintes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O ponto, aqui, \u00e9 bem espec\u00edfico \u2014 e mais despretensioso. Preocupa-nos o anunciado desvio do crit\u00e9rio mais promissor em termos de integridade jurisprudencial, qual seja, o tratamento diferenciado dos casos j\u00e1 judicializados para evitar que o vencedor receba &#8220;pedra&#8221; ao inv\u00e9s de &#8220;p\u00e3o&#8221; (Humberto B. \u00c1vila). A esse prop\u00f3sito, chegamos ao seguinte diagn\u00f3stico ap\u00f3s o levantamento antes referido:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">&#8220;Tem se consolidado a fixa\u00e7\u00e3o de um limite intranspon\u00edvel \u00e0 eventual modula\u00e7\u00e3o temporal em favor do poder p\u00fablico, consistente na ressalva \u00e0s a\u00e7\u00f5es pendentes, de molde a preservar a efetividade da garantia do acesso \u00e0 Justi\u00e7a&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">E, realmente, \u00e9 esse o mais expressivo denominador comum dos Temas 2 e 3 (prazo de decad\u00eancia\/prescri\u00e7\u00e3o diferenciado para contribui\u00e7\u00f5es sociais), 201 (ICMS-ST: base de c\u00e1lculo presumida x real), 615 (ICMS sobre vendas n\u00e3o presenciais) e, mais recentemente, 490 (creditamento de ICMS x incentivos fiscais inconstitucionais): singularidades discursivas \u00e0 parte, em todos eles as situa\u00e7\u00f5es litigiosas foram preservadas da modula\u00e7\u00e3o temporal ent\u00e3o desenhada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">E, salvo melhor ju\u00edzo, a signific\u00e2ncia dessa espec\u00edfica dimens\u00e3o para o sistema de precedentes n\u00e3o poderia ser subestimada. Se, por um lado, \u00e9 certo que as cautelas e exig\u00eancias prescritas no artigo 927, \u00a7\u00a72\u00ba e 4\u00ba, do CPC s\u00e3o direcionadas \u00e0 revis\u00e3o do pr\u00f3prio n\u00facleo da tese, por outro, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de d\u00favida o valor \u00edmpar atribu\u00eddo \u00e0 integridade jurisprudencial (artigo 926) e esta, por defini\u00e7\u00e3o, pressup\u00f5e que quest\u00f5es com afinidade l\u00f3gica e\/ou jur\u00eddica sejam resolvidas \u00e0 base de crit\u00e9rios harm\u00f4nicos, que possam ser reconduzidos a um princ\u00edpio comum (Ronald Dworkin), o que tamb\u00e9m se constitui em importante fator de seguran\u00e7a jur\u00eddica, por servir de contrapeso a eventuais manifesta\u00e7\u00f5es de arb\u00edtrio e decisionismo (Humberto B. \u00c1vila).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ali\u00e1s, \u00e9 plaus\u00edvel sustentar que as exig\u00eancias para o distanciamento do espec\u00edfico crit\u00e9rio focalizado, em certa medida, devem ser at\u00e9 mais rigorosas, tendo-se em conta que, al\u00e9m da integridade jurisprudencial, o pr\u00f3prio fio condutor da cadeia de precedentes cuja ruptura \u00e9 cogitada (efetividade da garantia do acesso \u00e0 Justi\u00e7a) constitui um formid\u00e1vel fator com potencial de tracionar no sentido contr\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De resto, se a seguran\u00e7a jur\u00eddica pressup\u00f5e o exerc\u00edcio respons\u00e1vel e juridicamente orientado da liberdade, sendo antit\u00e9tica \u00e0 simples exonera\u00e7\u00e3o de riscos (Humberto B. \u00c1vila), n\u00e3o parece desprez\u00edvel a signific\u00e2ncia do pr\u00f3prio modelo operativo da repercuss\u00e3o geral, especificamente da op\u00e7\u00e3o consciente do tribunal por n\u00e3o adotar, por ocasi\u00e3o da afeta\u00e7\u00e3o de um determinado tema \u00e0 sistem\u00e1tica, a alternativa dispon\u00edvel da simples reafirma\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia preexistente, escolha com um qu\u00ea de &#8220;sil\u00eancio eloquente&#8221;. Realmente, beiraria a pr\u00f3pria aporia negar o objeto litigioso \u00e0 parte que logrou provar sua tese, enquanto aquela que litigou comprovadamente sem raz\u00e3o, inclusive ap\u00f3s a eloquente sinaliza\u00e7\u00e3o do tribunal no sentido da indefini\u00e7\u00e3o do desfecho, ficaria totalmente imunizada do risco inerente a qualquer discuss\u00e3o judicial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ent\u00e3o, parece-nos dif\u00edcil negar que a modula\u00e7\u00e3o temporal anunciada para o Tema 825 significar\u00e1, com todo respeito, um retrocesso em termos de integridade jurisprudencial, pelo seu not\u00e1vel desalinhamento frente ao prof\u00edcuo &#8220;romance em cadeia&#8221; at\u00e9 aqui escrito pelo tribunal, raz\u00e3o pela qual alimentamos a sincera esperan\u00e7a de que esse progn\u00f3stico n\u00e3o se confirme. Mas se o crit\u00e9rio at\u00e9 aqui razoavelmente estabelecido tiver de ser rompido, que isso se d\u00ea de forma advertida, clara e, principalmente, com atendimento ao \u00f4nus argumentativo intensificado que o caso requer, por analogia com o disposto no artigo 927, \u00a7\u00a72\u00ba e 4\u00ba, do CPC.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">____________________________________________________________<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">[1] &#8220;A modula\u00e7\u00e3o temporal tribut\u00e1ria no \u00e2mbito do Supremo Tribunal Federal: crit\u00e9rios e progn\u00f3sticos&#8221;. Revista F\u00f3rum de Direito Tribut\u00e1rio, ano 16, n\u00fam. 94, Belo Horizonte: F\u00f3rum, 2018, pp. 171-188.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>FONTE: Conjur &#8211; Por Leonardo e Silva de Almendra Freitas<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o atualmente sob an\u00e1lise pelo Supremo Tribunal Federal dois temas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"footnotes":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[2],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/paFpWR-3os","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13048"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13048"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13048\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13049,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13048\/revisions\/13049"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bonettiassociados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}