Telefone: (11) 3578-8624

NA ZONA FRANCA, PPBIO APROXIMA INDÚSTRIA E BIOECONOMIA

6 de junho de 2022

Após três anos, programa soma R$ 30 milhões de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Com o distanciamento social e o trabalho remoto, a pandemia de covid-19 não apenas turbinou as vendas da indústria digital, mas a aproximou de um mundo até então longínquo: a economia da floresta. No polo industrial da Zona Franca de Manaus, responsável por parcela expressiva da produção nacional de celulares, notebooks e televisores, as empresas atingiram receita recorde de R$ 158 bilhões em 2021, um terço superior ao ano anterior — e parte disso pode ter como destino o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política pública que mobiliza investimentos privados visando inovações em bionegócios como contrapartida dos incentivos fiscais.

A fonte está nos investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), principalmente no âmbito da Lei de Informática, que determina o repasse de 5% do faturamento do setor para avanços tecnológicos na Amazônia. De acordo com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), esse montante anual de aplicação obrigatória em tecnologias alcançou cerca de R$ 1,6 bilhão em 2021, contra R$ 1,1 bilhão em 2020, potencializando maior escala de recursos em projetos de diferentes setores na região.

Além do fomento aos programas prioritários de empreendedorismo inovador e de indústria 4.0 e modernização industrial, o de bioeconomia começa a ganhar espaços nas decisões de investimentos das empresas, no processo mais amplo de diversificação da economia da região. Em nota, a Suframa destaca “o grande potencial de interlocução da riqueza da floresta com a pujança da capacidade industrial na Zona Franca”.

“O diferencial está em colocar a busca de soluções para as cadeias produtivas da Amazônia como demandas de mercado”, afirma Carlos Koury, diretor de inovação em bioeconomia do Idesam, instituição da sociedade civil que coordena o PPBio. Após três anos, a iniciativa ultrapassa R$ 30 milhões investidos por 27 empresas do Polo Industrial de Manaus, no total de 26 projetos de universidades, institutos tecnológicos e startups, com potencial de evoluir e virar bionegócios.

A estratégia se propõe a disponibilizar formas ágeis e inovadoras para aproximar a indústria com a biotecnologia da Amazônia. Segundo Koury, a ambição do programa é dobrar os investimentos nos próximos dois anos, em eixos como prospecção de bioativos, tratamento de resíduos e bioinformática, inclusive com tecnologias de big data, blockchain, sensores e aplicativos.

Pescado, cosméticos, alimentos, fármacos e também o carbono da floresta mantida em pé ou restaurada compõem o cardápio de negócios, segundo o banco de projetos que soma cerca de 200 itens como vitrine para investimentos empresariais. “O tema já não é restrito à agenda ambiental e se incorpora aos negócios e demandas de investidores, com a necessidade de mitigação de carbono”, ressalta Márcio Sztutman, diretor regional do P4F na América Latina, instituição financiadora da estratégia do PPBio como mecanismo de parceria público-privada de longo prazo.

Está em curso uma corrida de instituições de relevância nacional que chegam a Manaus para disputar a maior disponibilidade de recursos de PD&I aplicáveis na Amazônia. Em paralelo, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), gerido há décadas pela Suframa com entraves administrativos, está em processo de transformação em organização social (OS), com edital público lançado em maio para a escolha de uma entidade de direito privado capaz de fazer a ponte entre as pesquisas e os negócios.

São ao todo cerca de 200 instituições tecnológicas em Manaus, entre os quais o Sidia, centro da Samsung que reúne mais de 1,2 mil cérebros dedicados a projetos de inteligência artificial, internet das coisas, conectividade 5G e softwares para mobile. “O ecossistema de inovação na capital amazonense gera atualmente 8 mil empregos diretos, com renda salarial equivalente a 40 mil postos de trabalho na indústria”, diz Vania Thaumaturgo, presidente da Associação do Polo Digital de Manaus.

FONTE: Valor Econômico – Por Sergio Adeodato — Para o Valor, de São Paulo

Receba nossas newsletters